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«Um neto é a extensão de um filho»

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publicado há 3 meses
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No outro dia, ao observar os meus pais e as minhas filhas a rir de algo que minha mais nova tinha dito, naquela cumplicidade tão familiar que os une, fiquei a pensar na magia de ser mãe ou pai duas vezes… Não, não me estou a referir a ter dois filhos, estou a referir-me à magia de conhecer os filhos dos filhos… os netos.

Se o amor de uma mãe ou de um pai é avassalador, o que dizer de um amor que é duplicado, quiçá triplicado, potencializado? Deve ser, talvez, um amor tanto ou mais devastador que o amor dos pais pelos seus filhos. É uma conexão em linha reta: um neto é a extensão de um filho.

E esse amor é descomplicado, leve, fluido, pois não tem o peso da responsabilidade de educar…

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Claro, existem os “puxões de orelhas”, as broncas, os sermões, porque um avô ou uma avó não pode omitir ao ver os erros dos netos, mas sem dúvida, a relação deles com as crias das suas crias é muito mais divertida e descomprometida que o papel exercido pelos pais.

Amar, mimar, brincar, gritar de alegria, rir até a barriga doer são alguns dos verbos que definem as ações e comportamento muito próprios dessa tribo de ascendentes-descendentes.

Do lado de fora da porta, ouço risadas e brincadeiras. Fico uns minutos a ouvir e sorrio para mim mesma, ao saber que as minhas filhas estão a deliciar-se ao lado das suas companhias preferidas: os avós. Abro a porta de fininho, e quando me faço visível, num passe de magia, começam as manhas, os resmungos e as birras.

Essa, particularmente, é a forma de comunicação dos filhos com os pais…

É o modo que eles têm de chamar a nossa atenção, como quem diz: «Senti a tua falta hoje.»

Mas passados uns breves momentos de tumulto, as minhas meninas estão novamente às voltas com seus pequenos grandes amigos preferidos. «Vó, olha este vídeo que interessante!», diz a minha filha mais velha para minha mãe, com o telemóvel na mão.

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«Avô, brincas comigo?», pede a mais nova, ao puxar o meu pai pelo braço.

E eles assistem aos vídeos preferidos delas, brincam as brincadeiras preferidas delas, e todos os dias o avô compra uma lembrancinha para a pequena, que já sai da escola a perguntar: «Avô, tens uma surpresinha hoje?»

Quando ouvi pela primeira vez a frase «os avós nunca morrem, apenas ficam invisíveis», pensei logo em quanta verdade existe numa frase tão curta de palavras, mas tão longa de significado.

Os avós deixam a lembrança de tardes ensolaradas, de cheirinho de café e de bolo, de risos não contidos, de abraços apertados, e do amor mais puro e forte que a genética ou os laços de sangue e de amor permitem alcançar.

Finalizo este texto com lágrimas nos olhos. Saudades dos que foram, saudades dos que um dia irão, recordando momentos que não irei viver mais, mas com a sensação indelével de que os avós são anjos disfarçados de pessoas encantadoramente especiais.

 

Texto: Marcella Bisetto, mãe, advogada e escritora apaixonada

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