Histórias Inspiradoras

Histórias Inspiradoras: Amor sem horas é o lema de vida da criadora da marca holy.wood

Filipa Rosa
publicado há 10 meses
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Rita Rodrigues vive sozinha com os filhos pequenos. O marido emigrou e a jovem decidiu lançar a holy.wood para ser mãe a tempo inteiro. Conheça a marca que recicla peças e as torna especiais.

Rita Rodrigues tem 31 anos e é mãe do Xavier e do Gustavo, de quatro e sete anos. O marido, Carlos, vive fora de Portugal, o que a deixa vulnerável muitas vezes. A saudade é forte, as crianças perguntam pelo pai, mas a necessidade de emigrar falou mais alto.

Com a ausência do marido, a jovem sentiu necessidade de criar um projeto sem horário fixo, um trabalho que lhe desse prazer e ao mesmo tempo lhe possibilitasse dedicação a 100 por cento enquanto mãe. E assim surgiu a marca holy.wood, que recicla peças de madeira tornando-as únicas e especiais.

«Vivo num Amor há 11 anos onde o incentivo e apoio valem mais que milhões. Ao ser mãe levantaram-se prioridades adjacentes à maternidade e, tendo em conta que o meu marido continua a trabalhar no estrangeiro, necessidade de disponibilidade, apoio, Amor sem horas. Assim sendo, consequentemente, a necessidade de criar um projeto onde me sentisse realizada profissionalmente e com flexibilidade de horário para todo o acompanhamento aos meus meninos», conta ao site Crescer.

Nascida e criada numa pequena aldeia rodeada de amor, família e amigos que se tornaram família, Rita sonhava em ganhar asas e conhecer o mundo. «Ainda hoje sonho…», diz-nos.

«Cresci e estudei sempre com alguma aptidão e interesse especial para as artes plásticas, o misturar coisas com coisas e sentir que se tornavam especiais. Aos 21 anos tive oportunidade de estudar em Amesterdão, experimentar várias técnicas, utilizar vários materiais, ter o privilégio de comunicar e aprender com mentes abertas e inovadoras», recorda-nos.

«Decoração e bem-estar são dois dos meus grandes prazeres e poder contribuir de forma ativa para um dia-a-dia mais positivo e mais colorido faz com que o trabalho dobrado de mãe e empresária faça todo o sentido. A decoração infantil surge quando se consegue tornar madeira, bruta e inacabada, em peças ternas, coloridas, encantadas com atenção nos detalhes. Inspirada pelas coisas simples da vida, um abracinho apertado, um sorriso fácil, as ideias fluem e ganham vida.»

Filhos são a sua inspiração

Xavier e Gustavo partilham com a mãe a paixão da pintura e reciclagem. Muito por sua culpa. Enquanto Rita constrói uma peça especial, os pequenos apoiam-na muito atentos e participam nas tarefas. «Os meus filhos são os melhores companheiros de trabalho, críticos, de criatividade fácil, com mão leve para o desenho, atenção ao detalhe na escultura, sem medo de sujar na pintura. O atelier é um espaço de pesquisa, aprendizagem e diversão», descreve.

De onde vem tanta inspiração? «Não sei explicar como corre esta minha fonte de ideias! Apenas se vive, tenta-se dias atípicos, gargalhadas fáceis, piqueniques, conversas fiadas, fins de dia na praia, no campo ou no jardim, filhos sujos com liberdade de correr, saltar, experimentar… e clique, clique, clique… vão surgindo cores, frases, contornos, pensamentos que, mais tarde, são analisados com toda a dedicação que merecem», conta Rita.

Mãe, criadora, empresária: três palavras que a definem, apesar da extrema exigência que estas palavras acarretam. «A marca holy.wood é um projeto pessoal que me emprega por completo, em que dou o que sei e o que não sei da melhor forma. Um projeto caseiro de inspiração diária com muitas horas de dedicação, aprendizagem, desenvolvimento. Acredito que a energia, talento, perfeição e empenhamento seja um marco de diferença e, também, daí ser um trabalho reconhecido e valorizado. Tenho tido, sempre que faço exposições ao público, um retorno muito gratificante que me alenta, me enche o coração, me dá aquela força para continuar quando o cansaço fala mais alto», conta.

Apesar de fazer mercados e ter no atelier uma pequena exposição, o que dá mais prazer a Rita são os pedidos personalizados. «Quando consigo perceber essências e criar, desenvolver, formatar peças com identidade que farão parte de uma família, de um lar, de um ambiente. Medidas, cor, formato, dizeres… tudo é personalizável. Fazemos inclusivamente projetos de decoração de interiores incluindo transformação e recuperação de mobiliário ou decoração de datas festivas com especial atenção ao pormenor», explica.

«É um trabalho que apela muito ao sentimento e à necessidade de conexão. Um produto que, por norma, não se adquire só porque sim. Adquire-se porque “me faz sentido, diz-me alguma coisa, indentifico-o com alguém”. Talvez seja este o segredo do negócio… Não fazer por fazer, fazer porque me faz bem e acreditar que as peças por nós confecionadas continuarão a fazer bem a quem as acolher.»

A tentativa de emigração

Em 2016, Rita decidiu ganhar asas e voar com o marido para fora do país. O amor pela sua terra, pelas suas origens, por todos o que a viram crescer falou mais alto. Voltou. «Dizia há dois anos, de partida numa grande aventura, que a família é o pilar. O Pai, Amigo, Companheiro cá de casa é Técnico de Eletrónica Industrial, trabalha nos Países Baixos e, por uns meses, também nós ganhámos asas e voámos. Fomos destemidos para uma fase experimental de migração, correr riscos, fazer memórias, viver o sonho», recorda.

Apesar de ter regressado, Rita não se arrepende da experiência vivida e voltaria a fazê-lo. «Falo por dois quando digo que nada faríamos de diferente e que foi uma aventura daquelas! Foram dias de luz e calor apesar de ser inverno. No entanto, ao sermos afortunados com mães, pais, avós, primos, tios, padrinhos, titis, amigos disponíveis, alerta de carinho no coração e energia nos pés sentimos que o Lar Doce Lar, que o viver o sonho é na terra em que todos os dias somos calorosamente abraçados, onde os meninos crescem com tantas boas partilhas, tantas boas aventuras», confessa.

«Apanhar batata, pisar uva, conviver com educação especial, fazer bolos, participar em filmes, ir à pesca, ao parque, à praia, fazer castelos na areia, conviver com música, arte, design, desporto, fotografia, economia, culinária… Se podíamos nós, pais, ensinar tudo isto? Daríamos com certeza o nosso melhor, mas quando se valoriza tamanha transmissão de legados, de valores, de experiências de vida, de amor… quando percebemos que existe um mundo à nossa volta que nos ajuda no nosso melhor é incrivelmente gratificante», confessa Rita confidenciando o seu lema de vida: «Família é onde a vida começa e o amor nunca acaba…»

A dor da saudade

Apesar de ser feliz a fazer o que faz ao lado dos filhos e da família, há sempre uma parte de Rita que está ausente. «Agora, existe a parte muito muito difícil da história bonita de amor. O Pai cá de casa deu continuidade ao seu percurso profissional. Um homem da luta que se sacrifica e trava batalhas noutro país. É aqui que se mede a força de cada um. Por mais que eu goste de fazer o bem, acreditar no bem, escrever o bem, a vida tem decisões, momentos, sentimentos de nos encostar contra uma parede e nos arrastar pedra a dentro. Viver numa casa onde mora o amor, mas também mora a saudade dói e os meninos, muitas vezes, se questionam porque tem que ser assim. Mas para a frente é que é o caminho e o truque, para mim, é sentir que dou tudo por tudo para dias de luz. E quando a hora de ir ao aeroporto chega que, não só abençoadamente como essencialmente por mérito próprio, com alguma frequência, são dias integrais dados com tudo, vividos com tudo, aproveitados e armazenados todos os segundos de mimo.»

 

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