Alimentação

Deixe o seu filho comer sozinho na hora da refeição

Redação
publicado há 2 meses
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A alimentação de bebés e de crianças pequenas é um evento comportamental que influencia o seu crescimento e desenvolvimento. As experiências iniciais de alimentação influenciam os comportamentos associados à mesma nos anos posteriores da infância e na vida adulta.

Os três primeiros anos de vida constituem um desafio especial, uma vez que as necessidades e competências ligadas à alimentação se modificam a par do desenvolvimento motor, cognitivo e social. No primeiro estágio de autorregulação e organização – do nascimento até os três meses de idade – a criança integra as experiências de fome e de saciedade, desenvolvendo padrões alimentares regulares. No segundo estágio – dos três aos sete meses – o bebé e o cuidador criam um apego que lhes permite comunicar um com o outro, e o bebé desenvolve comportamentos de confiança e autoapaziguamento. No terceiro estágio – dos seis meses aos três anos – a criança vai, aos poucos, efetuando um processo de separação emocional do cuidador e descobre um sentido de autonomia. A partir deste momento, a criança passa a utilizar as competências motoras e linguísticas emergentes para controlar o ambiente e estabelecer a alimentação independente.

A autonomia na hora da refeição transcende o mero ato de a criança se alimentar, pois engloba um conjunto de competências motoras (segurar os talheres, levar a comida à boca, mastigar) e comportamentais (saber as regras de estar à mesa, conhecer os alimentos e ter noção do que gosta/não gosta). Como em qualquer processo de autonomização, o objetivo é que a criança seja cada vez mais capaz de fazer coisas por si própria, e, quando realizadas na hora certa, estas aprendizagens são fonte de grande prazer para a criança.

Muitas vezes, não é dada a devida importância a esta rotina, pois as pessoas pensam que o mais importante é que a criança coma. No entanto, sabemos que se estas aprendizagens de autonomia na hora da refeição não forem realizadas logo a partir do primeiro ano de vida, quando a criança está naturalmente predisposta para as aprender, essa «vontade» vai-se perder – o que dificulta tremendamente o processo no futuro…

Como em qualquer aprendizagem, há um período de experimentação, seguido de um tempo em que a criança treina várias vezes até dominar as competências necessárias para ser totalmente autónoma. A postura dos cuidadores durante este processo é fundamental, pois estes constituem as referências da criança e são os seus modelos. Os adultos devem apoiar a conversação, exploração e a repetição na hora da alimentação, dando espaço à prática e respeitando o tempo de cada criança (pois cada um tem o seu processo de aprendizagem).

Algumas estratégias mais comuns de promoção da autonomia na rotina da alimentação são:

  • Deixar a criança mexer na comida com as mãos e levá-la à boca (favorecimento da coordenação olho-mão).
  • Quando a criança começa a querer pegar na colher, deve-se deixar; se for preciso ajudar, utilizar duas colheres, uma para o adulto e outra para a criança (a criança observa como o adulto faz e experimenta ao mesmo tempo).
  • Deixar a criança sujar-se, pois ela tem de treinar e praticar até ser capaz de levar a comida à boca sem entornar. Pode usar-se um plástico grande para pôr debaixo da cadeira e babetes grandes.
  • Começar a deixar a criança comer sozinha os alimentos sólidos, porque os líquidos (como a sopa) são mais difíceis.
  • Dar pouca quantidade de comida e água de cada vez, para que a criança vá sentindo que é capaz, o que vai reforçar a sua confiança em si mesma.
  • Um prato colorido e variado não só é mais saudável e nutritivo, como vai ser mais atrativo aos olhos da criança, promovendo a sua vontade de comer pela própria mão.
  • Evitar «distrações» à hora da refeição, como brinquedos, televisão ou tablets, que vão fazer com que o foco da criança deixe de ser a refeição.
  • Dar tempo e respeitar o ritmo individual de aprendizagem da criança.
Texto: Catarina Veiga, Educacional Consultant
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