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«O que mais me custa no divórcio é ter que dividir a minha filha»

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publicado há 1 mês
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A dor da separação é enorme, mas o que magoa mais é ter que dividir a minha filha com o meu ex-marido e perder pedaços da vida dela…

A guarda partilhada é uma das maiores crueldades para uma mãe. Não desfazendo os pais, mas mãe é mãe. Eles desenvolvem-se na nossa barriga, criamos laços incríveis durante a amamentação, faltamos ao trabalho quando estão doentes… Um casamento feliz dá-nos a possibilidade de ver os nossos filhos crescerem com os pais e os irmãos unidos na mesma casa. Quando há um divórcio, tudo isso se desmorona.

A minha filha tinha quatro anos quando me separei. Ainda me lembro da primeira noite que dormiu fora de casa. Passei horas na caminha dela em posição fetal. Chorei muito muito muito. Passou o fim de semana com o pai. Duas noites fora. Três dias sem ver a minha bebé, a minha menina do coração. Nunca me tinha acontecido. Em quatro anos nunca me tinha separado dela.

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No meu caso, o divórcio custou-me muito, porque da minha parte ainda havia amor. Um amor mais massacrado, é certo. Mas ainda havia amor, ainda havia uma esperança de resolução dos nossos problemas. Ele desistiu mais cedo do que eu esperava. E fiquei destruída por dentro… Na altura doeu muito mesmo. Já passaram dois anos e a mágoa ainda aqui está.

Vivo com o sonho de poder construir novamente uma família. Ele já arranjou outra mulher. Há de ter mais filhos. Não o condeno, mas se pudesse voltava atrás e mudava muita coisa… Mudava a minha postura, a minha falta de paciência, a minha atitude com o meu ex-marido. Mudava tudo! Nem que deixasse de ser eu própria… Mas pelo menos salvava o casamento e tinha a minha menina sempre junto de mim.

No fundo sinto-me culpada por tudo. Não o devia fazer, eu sei. Mas faço-o constantemente. Culpo-me a cada hora que ela está longe de mim, a cada dia que passa com o pai e com a sua nova mulher.

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Decidi ser acompanhada por um psicólogo. Tem-me ajudado imenso. Procuro serenidade. Tento aceitar a realidade. A vida é mesmo assim e há inúmeras mulheres na mesma situação que eu. Certamente vão perceber o meu desabafo, as minhas angústias, o medo de falhar enquanto mãe… O receio enorme da competição entre pais, se algum dia vai gostar mais da madrasta do que de mim, se vai preferir ficar sempre com o pai quando tiver irmãos… Mas estou a destruir-me por dentro e não pode ser.

Texto: Inês Almeida

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