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Como viver a nova gravidez depois da perda de um filho

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publicado há 3 semanas
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Leia o novo texto de Sara Calão, autora do blogue Mãe de Duas Estrelinhas, onde a jovem desabafa sobre a perda das suas filhas, em 2017. Dois anos depois engravidou de uma menina e não esconde a ansiedade vivida até agora.

Uma complicação na gravidez levou Sara de urgência para o hospital. Maria Leonor e Maria Rui acabaram por nascer aos seis meses de gestação. Viveram poucas semanas e a jovem não esquece cada minuto difícil que passou. Nem ela nem o marido, Bruno Roxo.

Agora, o casal está à espera da pequena Maria e a futura mamã descreve cada momento da gravidez.

Leia o seu texto aqui:

Como vivemos a nova gravidez depois da perda

Adiei a escrita deste texto inúmeras vezes. Mas achei que devia partilhar esta vivência convosco que me têm acompanhado em todo o processo. Quem sabe não confortará o coração ansioso de alguém que me lê.

Ansiedade. Aquele sentimento tão temido. Mas que inevitavelmente nos acompanhou. Agora de uma forma diferente . Aquela ansiedade de estar “quase” e querermos tê-la nos braços, confiantes de que tudo vai correr bem . Mas nem sempre foi fácil. Demorei até conseguir desfrutar desta gravidez, viver esta bebé como ela merecia.

Fui definindo patamares por semanas. Primeiro as 12 , depois as 20, as tão temidas 25 , e agora as 30 . Seguem-se as 32, as 34 , e a semana em que ela quiser nascer . Houve semanas mais “compridas”, em que parecia que os dias não passavam. Mas agora, quando olho para trás , vejo como tudo passou rápido. Estamos no terceiro trimestre, com uma Maria gigante a caminho das 30 semanas.

E quem pensa que apenas a mãe sente e vive em sobressalto numa nova gravidez depois de uma perda, está muito enganado. Também tivemos um pai muito ansioso, com muito receio de uma nova perda. E se na outra gravidez era ele que me acalmava, nesta exigiu mais dos dois a todos os níveis. Havia sempre aquela pressão que ambos impúnhamos, mesmo que inconscientemente, que já sabíamos “tudo” por isso estaríamos mais atentos a todos os sinais. E não podíamos estar mais enganados. As gravidezes foram diferentes, como aliás é comum, mas uma simples dor de costas nesta, remetia logo para o pensamento de uma possível infecção renal como aconteceu na anterior; quando tive contracções de Braxton-Hicks, coisa que não tive ou não detetei na anterior, levei algum tempo até conseguir relaxar e descartar a hipótese de estar com contrações de trabalho de parto. Cheguei a ir às urgências, mesmo sabendo que já estava tudo calmo, mas precisava de o ouvir para conseguir sossegar este coração e dormir descansada. E se no início disse que desta vez iria às urgências as vezes que fossem precisas, ainda caí no erro do receio de ir com medo de ser julgada, de estar a ser paranóica. Mas fui. E foi no dia em que fiz 25+3, o tempo com que as nossas Marias nasceram. Não tenho dúvidas que o peso que esta meta tinha para nós, interferiu na gestão das emoções do dia. Mas quando já tivemos uma experiência tão dolorosa, torna-se muito complicado gerir tudo e acalmar. Mesmo assim tenho a certeza que temos feito o melhor pela nossa filha quem vem a caminho.

E por muito que vos digam que não podem chorar que a bebé sente, que temos de estar calmas, é muito difícil. Ainda mais quando as hormonas estão aos saltos. Chorei, também tive dias que fui abaixo. Mas acho que fiz um grande trabalho interior. Permiti-me ser feliz, viver estar gravidez com a “calma” que não vivi a outra, e projetar todos os pensamentos para agosto. Temos tirado muitas fotos, temos comprado coisinhas para ela porque ela também merecia as suas (apesar de já ter imensa coisa das irmãs),tenho costurado muito para o seu enxoval e temos passeado. Destaco o passeio porque desde a outra gravidez que me questionava inúmeras vezes se iria conseguir ter uma vida “normal” de grávida nesta gravidez. E tem sido tão bom poder fazer essa tal “vida normal”, poder passear e pôr esta barriguita ao sol. E como sou grata por tudo isto.

Será outra Maria. A nossa Maria Pedro. Mais uma vez em homenagem ao tio Rui Pedro e, por isso, tão fácil de escolher. Será certamente uma bebé muito abençoada e protegida, pelas irmãs Marias e pelo tio. A nossa Pê. E uma coisa é certa, energia não lhe falta. Acho que estamos tramados.

LEIA TAMBÉM A HISTÓRIA DE VIDA DESTE CASAL:

Mãe de 2 Estrelinhas: «Peguei nas minhas filhas para morrerem nos meus braços»

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