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A tortura da amamentação

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publicado há 3 semanas
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Não, não é fundamental amamentar. Podem tentar convencer-me disso as vezes que quiserem. Jamais vão conseguir. Para mim amamentar resultou em sofrimento para mim e para o meu filho. Eu tinha dores insuportáveis, feridas desde o dia em que fui mãe. Ele passava fome, não dormia, não acalmava… Foi até sangrar dos mamilos. Assim que vi sangue na boca do meu bebé… ACABOU! Gritei, chorei, desesperei e tomei uma decisão: para mim chega. Não vou sofrer mais. Nem eu nem ele.

Já passava da uma da manhã quando liguei aos meus pais completamente desesperada a pedir para passarem numa farmácia de serviço e trazerem leite em pó e biberões. Isto, no dia em que regressei a casa da maternidade. Por acaso tinha um esterilizador, que a minha prima tinha metido num saco cheio de coisas de bebé, caso fosse precisar. De resto… nada mais. O principal não tinha à mão. E o bebé não parava de chorar com fome. O papá lá tentava acalmar, mas só o biberão o calou. E o saciou. Tinha cinco dias de vida. Nesse dia dormiu como nunca.

A pressão da sociedade

Uma das coisas que mais senti antes de ser mãe foi a enorme pressão que a sociedade coloca numa grávida. Frases como «tens de amamentar» ou «não há nada melhor do que o leite materno» entravam na minha cabeça como uma «obrigação». Já na maternidade, cheia de dores, ouvia das enfermeiras: «Oh mãe, tem de aguentar! A dor faz parte, é normal, mas há de passar». Eu tentava… e a dor aumentava em cada mamada. Pudera! Fiz feridas nos mamilos logo no primeiro dia! Era normal doer cada vez mais… Mas lá vinha a frase maravilhosa: «Tem de aprender a colocar o bebé a mamar em condições! Ele não está a pegar bem», e ajudavam-me… em vão.

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Até ser mãe, nunca ninguém me tinha contado as más experiências da amamentação. Nunca ninguém me aconselhou a comprar biberões, leite em pó ou suplemento, caso fosse preciso… caso corresse mal. Porque supostamente nunca corre mal, e se correr… «aguenta!».

Hoje o meu filho tem um ano e meio, um bom peso, super saudável e bastante desenvolvido. Amamentei cinco dias. E então? Não volto a amamentar no meu segundo filho. Não há necessidade de sofrer tanto… Mal tenho recordações dos primeiros dias de vida dele, só chorava com fome… e eu chorava quando a hora de mamar estava a chegar. Nem era vida para ninguém. Sofríamos nós e o pai ao assistir.

Chega! «Aguentar a dor» não é ser boa mãe. E eu não sou pior mãe porque desisti. Sou a melhor porque decidi gritar: «ACABOU!»

 

 

 

Texto: Marta Antunes

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