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«Sou madrasta, sim. E as miúdas que me chamem sempre assim»

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publicado há 2 semanas
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Um dos temas centrais do blogue O nosso, as dele e os dos outros é a questão dos divórcios, das madrastas e dos enteados. No entanto, não tenho escrito assim muito sobre isso. Escrevo hoje, depois de ler a coisa mais parva (para mim) que uma alminha portuguesa escreveu sobre o assunto.

Escreveu uma psicóloga, que não admitia ser chamada de madrasta (apesar de o ser). Escreveu que esse nome tem uma conotação muito negativa e que ninguém deve ser assim apelidado. Sugeriu então que as madrastas fossem chamadas de amigas ou mães. Mais informou, que não admite que os enteados a chamem por um nome que não mãe.

Eu sou madrasta. Também sou mãe. E isso é só estúpido.

Madrasta é, segundo a nossa língua, a nova companheira do pai. Dei-me ao trabalho de ir ao dicionário ver, visto que uma leitora certo dia veio teimar que eu só era madrasta se a mãe das meninas tivesse morrido. Bem pesquisei por essa definição mas não encontrei nada relacionado.

Também há quem ache chocante eu apresentar as meninas como minhas enteadas ou filhas do Zé. Da última vez que verifiquei, era isso mesmo que elas eram.

As palavras têm a importância e a conotação que as pessoas lhes dão. Culpem os filmes da Disney e as histórias tradicionais que serviram de base aos filmes, se quiserem. Sou madrasta sim. E as miúdas que me chamem sempre assim (se fizer sentido para elas). Não sou mãe delas. Sou amiga delas sim, mas o que me distingue de outras amigas que possam ter, é que sou a mulher do pai.

Acho que cada pessoa tem de saber o seu lugar, este é o meu. Sou companheira do pai delas. Vivo com elas há cinco anos. Organizo as suas coisas da escola (hoje em dia faço com que organizem sozinhas) , mando-as para o banho (em tempos já ajudei a que tomassem banho), obrigo-as a estudar, mando-as ajudarem nas tarefas domésticas, compro-lhes roupa, ouço os seus dramas, levo-as à praia, troco roupa e acessórios com a mais velha, penteio o cabelo à mais nova e ralho. Ralho bastante até.

E pronto, é isto. Sou madrasta, sim. É isso aquilo que sou. E é bem porreiro ser madrasta digo já.

 

 

 

 

Texto: Catarina Garcia no blogue O nosso, as dele e os dos outros

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