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A pior das notícias para uma mãe: «Perdi o meu filho no final da gravidez»

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publicado há 2 meses
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Estava grávida do meu terceiro filho. Sempre fui uma grávida com muita sorte. Poucos enjoos, nada de dores nas costas ou de tornozelos inchados, basicamente tinha barriga e nada mais.

O pós-parto dos meus dois primeiros filhos também correram super bem, tudo muito tranquilo. Foi tudo bom demais para ser verdade, mas foi.

Dos meus dois primeiros filhos não tinha feito nenhuma daquelas coisas “pirosas” de grávidas. Nem sessão fotográfica, nem chá de bebé nem tinha contado às pessoas de maneira nada original.

Desta vez decidi que queria tudo.

Certa vez ao jantar coloquei mais um prato na mesa. Ao chegar à cozinha o meu marido disse que andava mesmo com a cabeça no ar e que tinha posto um prato a mais. Sorri-lhe e disse que a família ia aumentar.

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Fizemos uma sessão fotográfica linda quando estava grávida de oito meses. Também nessa altura as minhas amigas me fizeram um chá de bebé.

Faltavam duas semanas para a data prevista para o parto. Foi numa simples consulta de rotina. Fui sozinha porque o meu marido tinha uma reunião, e nunca me incomodou ir sozinha às consultas. Ele estava presente nas ecografias, e por mim estava tudo bem assim. Antes de entrar a enfermeira perguntou se andava a contar os movimentos do bebé. Respondi que sim, mas que por acaso nesse dia o bebé estava muito calminho.

Muito calminho como? – Questionou a enfermeira.

Mais calmo do que o normal. Menos mexido. Mas também já não tem tanto espaço para se mexer. – Respondi eu, achando desnecessário tanto alarido por o meu filho estar mais preguiçoso.

A enfermeira encaminhou-me de imediato para o gabinete médico. Sussurrou qualquer coisa ao ouvido do Doutor e de seguida sorriu para mim , um sorriso muito forçado.

Bem , venha lá aqui para esta marquesa para ouvirmos esse rapaz. – Informou o Doutor.

Eu fui. O médico lá ia mexendo aquela engenhoca pela minha barriga, mas só se ouvia silêncio. Comecei a sentir-me nervosa, mas estranhamente não entrei em pânico.

Foi chamado um outro médico.

A enfermeira deu-me a mão e olhou para mim com uns olhos que nunca esquecerei. Não tirei os meus olhos dos dela enquanto me diziam que não existiam batimentos.

Repetiram isso várias vezes, e na ausência de resposta de minha parte disseram algo como:

Minha querida, perdeu o bebé. Entende o que estamos a dizer? Podemos ligar a alguém?

Fui para as urgências com o meu marido. Fizeram-me uma cesariana. Quis segurar o meu filho antes de ser levado.

Deram-me imensos calmantes, a mim e ao meu marido. Não sei se chorei, se nos abraçámos, não sei quanto tempo estivemos no hospital. Não tenho muitas recordações desses dias, acho que estive quase sempre a dormir.

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Não me lembro bem do funeral. Não me lembro bem dos meses seguintes. Tenho falhas enormes de memórias relativas a essa altura. Estava completamente drogada. Das poucas vezes em que estava acordada e consciente não sabia bem quem era nem onde estava. Não me lembro bem dos meus outros dois filhos nessa fase.

Passaram cinco anos. Nunca quis falar disto a ninguém, apesar de as pessoas à minha volta saberem obviamente. Não é algo de que se fala quando se conhece alguém ou quando se vai a um jantar de amigos.

Parece estranho não falar disto mas escrever sobre isto, mas fi-lo porque me fez sentido e com a condição de não dar a cara nem nome, apesar de os meus amigos saberem que sou eu que estou aqui a contar esta minha historia de vida, e estarem muito orgulhosos de mim.

Se calhar, deitar isto cá para fora era aquilo que eu precisava para voltar a viver e não apenas sobreviver.

Ninguém tem de saber quem sou. Não quero a pena de ninguém, nem o conforto. Já o tive. Apeteceu-me contar isto e sinceramente nem sei bem porquê. Não sei o que pretendo com isto, talvez libertar-me. Talvez dizer a outras mulheres que não estão sozinhas. Talvez alertar para durante a gravidez estarem atentas às coisas que pareçam mais parvas.

Leia este e outros testemunhos no blogue - A nossa, as dele e os dos outros

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