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«Fui despedida assim que regressei da licença de maternidade»

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publicado há 4 anos
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É verdade! Nenhuma mãe está estável nem segura no seu posto de trabalho. Ainda acontece… e aconteceu comigo. Fui despedida assim que regressei da licença de maternidade.

É triste, mas a realidade é que ainda há muitos chefes por aí que não encaram da melhor forma uma gravidez. No meu caso até foi uma mulher que me despediu. Curiosamente solteira e sem filhos… quase a chegar aos 50 anos. Fui a quarta mãe em quatro anos. A empresa faz tudo de forma legal – com rescisões de contrato ou despedimento coletivo – sem pensar naqueles pequenos seres que serão filhos de uma desempregada… uma mulher que decidiu ser mãe.

Pomos tudo em causa… o nosso profissionalismo, o nosso valor, a nossa auto-estima baixa drasticamente, o nosso estado de espírito altera-se. É um «murro no estômago» para todos. Até para os nossos colegas de trabalho que nos acompanham diariamente e, também eles surpreendidos, tentam acalmar-nos, lamentando tal decisão.

No meu caso foi pior. Rescindi o contrato com a promessa de assinar outro. Tretas da empresa e de troca de postos de emprego. Não quero dar pormenores, porque não interessa a empresa em questão, nem tão pouco o tipo de contrato que tinha. Mas trabalhei lá quatro anos. Quatro anos a dar no duro, a fazer horas extras sem receber um euro a mais… máxima dedicação para depois, assim sem mais nem menos, «porque a empresa está em reestruturação», ir para o «olho da rua», como se costuma dizer.

Não vou negar. Tenho mágoa. Tenho muita mágoa, porque não estava à espera. Porque decidi abdicar do meu horário de amamentação para mostrar que estou 100 por cento disponível. Tinha tudo planeado e orientado com o meu marido, pais e sogros. A presença da mãe é importante, mas o bebé não iria sofrer… estaria rodeado de pessoas que o amam. São duas horas a menos que as mães têm direito. E eu não me arrependo de ter abdicado dessas duas horas diárias. Pelo menos saí de consciência tranquila. Fiz tudo o que estava ao meu alcance para a empresa perceber que ser mãe não é sinónimo de baixa produtividade ou ausências prolongadas.

Depois da má notícia seguiram-se dois meses de falsas esperanças… com um bebé de cinco meses nos braços. Tinha decidido abdicar do horário de amamentação (atenção: não estava a amamentar!) e houve dias que até 10 horas trabalhei. «Estás a ser burra! Não tens de provar nada a ninguém, tens uma carreira!», dizia-me o meu marido. Tivemos muitas discussões… mas eu precisava de dar tudo. E dei. Dei TUDO!

Quando chegou o último dia de trabalho, as despedidas foram emotivas. Ninguém acreditava que me ia embora… porque fui mãe. «Ela» nunca assumiu tal coisa. A justificação é sempre: «Temos de reduzir pessoal, a empresa está em reestruturação.»

Hoje estou feliz, tranquila, trabalho numa empresa perto de casa. O meu bebé está crescido e não tem uma mãe desempregada. O meu pânico era não conseguir arranjar emprego enquanto vivia do subsídio de desemprego. Sei que há duras realidades, famílias desfeitas porque ficaram sem o seu sustento…

Felizmente dei a volta por cima, mas o medo mantém-se. O medo de voltar a engravidar. O medo de correr o risco. E é este medo que tem de terminar em Portugal. É este medo que promove a baixa da natalidade neste país. BASTA!

Quando será que nos valorizam como mães?

 

 

 

Texto: Rita Gonçalves

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