Saúde

AVC infantil: Como diagnosticar o problema nas crianças?

Filipa Rosa
publicado há 2 semanas
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Há cada vez mais casos de pessoas que sofrem um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e só depende de nós tentarmos evitá-lo. O AVC é a principal causa de morte em Portugal e há que saber reconhecer os sinais e sintomas para agir rapidamente (leia mais aqui). Mas será que as crianças também podem sofrer com este problema?

Para assinalar o Dia Mundial do AVC (29 de outubro), o site Crescer entrevistou a neurologista pediátrica Rita Lopes da Silva, do Hospital Dona Estefânia – CHLC, para tentar perceber se é ou não frequente a ocorrência de AVC na infância.

Crescer – É comum as crianças sofrerem de AVC?

Dra. Rita Lopes da Silva – AVC na criança é uma doença rara que ocorre em cerca de 1 – 6 em cada 100.000 crianças por ano. Contudo, durante a gravidez e no 1.º mês após o nascimento é mais frequente, ocorrendo em 1 para cada 3500. O final da gravidez e os primeiros dias após o parto são uma fase de risco de AVC para a mãe e também para a criança, sendo a incidência de AVC mais elevada do que na criança mais velha ou adolescente.

O tipo de AVC varia consoante a idade?

Tal como acontece no adulto, o AVC isquémico é o mais frequente durante a gravidez e no 1.º mês após o nascimento. Após esta idade, o AVC hemorrágico é tão frequente como o AVC isquémico.

Quais as causas mais frequentes?

As causas são diferentes das que provocam AVCs nos adultos, sendo também mais diversificadas e muitas vezes surgem em associação. No AVC isquémico a causa mais frequente são as arteriopatias (doenças das artérias) de causa inflamatória, pós-infecciosa, genética ou metabólica. As doenças cardíacas (congénitas ou adquiridas ao longo da vida) e algumas doenças hematológicas (anemia, células falciformes ou doenças que favorecem a formação de trombos) são também causas relativamente frequentes de AVCs isquémicos. Os AVCs hemorrágicos são provocados por aneurismas, malformações vasculares, tumores cerebrais ou doenças do sangue.

Qual a melhor medida de prevenção?

Cerca de metade das crianças que sofrem um AVC já têm uma doença conhecida que aumenta o seu risco. Neste caso, um acompanhamento regular em consultas, permite a realização de exames de diagnóstico para estratificar o risco e instituir medicação específica para prevenir o AVC.

Quais os sintomas?

Os sintomas mais frequentes são a falta de força nos membros de um lado do corpo, as dificuldades na fala, as cefaleias, vómitos e alterações da consciência.

Em bebés e crianças mais pequenas poderá ser difícil detetar o AVC e até confundi-lo com outra doença?

Nas crianças mais pequenas, as manifestações de AVC podem incluir febre ou convulsões, o que torna ainda mais difícil o diagnóstico diferencial entre esta entidade clínica e outras doenças mais frequentes no grupo etário como infeções ou epilepsia. Mesmo nas crianças mais velhas, ocorre habitualmente um atraso significativo no diagnóstico (em média mais de 24 horas), porque doenças como enxaqueca, epilepsia, infeções ou tumores cerebrais podem ter apresentações clínicas semelhantes e são mais frequentes.

Para este atraso no diagnóstico contribui também a falta de conhecimento acerca deste tema da população em geral e mesmo de profissionais de saúde ou educação.

Se houver casos na família poderá aumentar o risco das crianças sofrerem com AVC?

Sim, o risco de AVC poderá estar aumentado na criança se ela for portadora de doenças metabólicas, do sangue ou da parede das artérias, de causa genética.

Há risco de morte? E de condicionamento em fazer uma vida normal?

O risco de morte no AVC pediátrico é de 10 por cento, mas as sequelas motoras, cognitivas e comportamentais são significativas e podem atingir cerca de 60 a 70 por cento das crianças ou adolescentes que sofreram um AVC.

Por serem crianças, há hipótese de recuperação mais rápida?

Nas crianças, a neuroplasticidade cerebral permite uma recuperação melhor e mais rápida.

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