Família

Juntar o casamento ao batizado, no mesmo dia, é cada vez mais uma tendência

Filipa Rosa
publicado há 2 semanas
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A tradição já não é o que era. Os tempos mudam e as vontades também. Casar no mesmo dia em que se batiza o próprio filho é cada vez mais uma tendência em Portugal. O site Crescer quis perceber o que motiva os pais a juntarem o casamento ao batizado.

A grande vantagem em organizar um casamento e um batizado no mesmo dia é… a poupança. As questões financeiras levam muitos pais a celebrarem os dois eventos juntos, quer seja pelo catering, pelo fotógrafo ou até mesmo pela igreja. Outros não se preocupam com isso e fazem-no por opção.

Nélia Gaspar nunca pensou casar pela igreja, mas, como já tinha casado pelo civil, decidiu juntar a celebração religiosa ao batizado do filho Gabriel, em 2016. «Resolvemos juntar as festas, já que tínhamos de fazer a despesa. O padre, que conheço bem, disse-nos: “Presumo que seja casamento e batizado…” e lançou um olhar reprovador para a minha barriga já de seis ou sete meses. Mas no dia do casamento foi simplesmente fantástico, teve um “discurso” fantástico, nada a apontar», conta-nos a jovem, que garante ter sido a melhor decisão que tomou.

Para o fotógrafo Cristiano Medeiros, de Braga, o casamento ofusca quase sempre o batizado. «Todos os casamentos que fizemos desta forma, o batizado passou despercebido. Primeiro, temos de fazer as fotos da criança em casa e do casal, logo uma confusão de tempo para tudo. Segundo, na igreja a criança não vai estar o tempo todo com a mãe. Quase todos choraram e muito durante a cerimónia e a mãe fica sempre aflita com aquilo. Para além disso, na quinta a criança anda de colo em colo, pois o casal também tem a sua festa, os seus convidados e fotos a fazer, ou seja, a criança fica um pouco de lado. Outra questão é que só voltamos a ver a criança no corte do bolo, isso se a mesma não estiver a dormir…», explica.

Para Cristiano Medeiros, a reportagem fotográfica do batizado quase não existe. «Eu compreendo quando um casal vem à nossa loja e diz que fará tudo no mesmo dia, porque fica mais barato em fazer uma única festa. De facto, fica. Acho que cada um tem que olhar para o seu lado e fazer aquilo que pode, sem deixar de fazer o momento. Mas se for possível financeiramente, façam à parte, mesmo que seja apenas com os mais próximos!»

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Vânia Silva concorda com o fotógrafo. «Eu casei-me e batizei a minha princesa e ela ainda hoje adora ver o DVD e chora com a dedicatória que eu e o pai lhe fizemos. Fica feliz só de saber e, para mim, sempre fez sentido que fosse assim, mas o que é certo é que a minha princesa não aproveitou a festa que também era dela. Por vezes pensamos que seja o melhor e só depois de passar a situação é que vemos que não…», diz-nos a jovem que pouco depois aumentou a família. «Tive uma prenda de casamento especial, fiquei logo grávida e passado 16 meses estava a fazer outra festa.»

Quando os eventos acontecem no mesmo dia, mas… em separado

Tendo em conta o que foi dito anteriormente, há quem considere fundamental separar os eventos, mas mantê-los no mesmo dia e local. O site Crescer falou com duas mães que são o exemplo desse tipo de organização.

Filipa Costa está prestes a juntar duas festas no próprio dia, mas revela alguns pormenores que vão fazer a diferença. «Eu vou casar-me e batizar o meu filho de três anos em junho. Decidimos fazer só uma festa, porque já o queríamos batizar este ano, mas não fazia sentido estar a fazer duas festas seguidas. Seria mais difícil a nível financeiro. Mas por não querer que o casamento ofuscasse o batizado, e que ele não tivesse fotos só do batizado, combinámos com o fotógrafo fazer a sessão dele uns dias antes lá a casa. No dia celebramos primeiro o batizado na igreja, em que eu vou vestida como mãe e não como noiva. Depois, quando formos para a quinta, troco de roupa e fazemos o casamento. No corte do bolo, nós vamos ter o nosso e ele vai ter o dele para serem também dois momentos diferentes», revela.

Também Cátia Ferreira decidiu separar os momentos para que as celebrações ganhem, cada uma, o seu destaque. «Vou juntar o casamento ao batizado no mesmo dia, mas em momentos distintos. O batizado será de manhã com os familiares mais próximos e o casamento de tarde. Decidimos juntar no mesmo dia por duas razões: primeiro, porque a família paterna está longe e como vêm para o casamento aproveitamos e fazemos o batizado. A segunda razão é a questão económica, fazemos apenas uma pequena receção em casa depois do batizado», explica.

«Quisemos, contudo, não usar a mesma cerimónia para os dois momentos para que cada um tivesse a sua importância! Quero estar no batizado do meu filho como mãe e não como noiva! Quero tirar fotografias com o meu filho vestida como “mãe”! Quero que ele saiba que teve o seu momento e as atenções todas para ele», refere aquela que quis saber a opinião do padre que vai celebrar os dois sacramentos.

«Quanto a críticas… o padre que vai realizar o batizado só disse: “Primeiro casa depois batiza, é esta a ordem natural das coisas”. Fez alguma pressão para que fizesse tudo na mesma cerimónia, mas recusei. A família não criticou, apenas se queixaram que iam ter que andar a correr nos preparativos.»

Dicas para organizar os dois eventos

Para Catarina Gonçalves, da empresa Momentos Únicos – Festas com Charme, este tipo de decisão já é recorrente. No entanto, fazer duas festas numa só não quer dizer, obrigatoriamente, que a festa que única. Há que diferenciar o casamento do batizado, a começar pelos convites.

«Há casais que optam por realizar um logotipo de família, porque não querem dar igual ênfase a ambas as celebrações. No entanto, também já tive situações que deram primazia ao casamento ou ao batizado», revela-nos.

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A nível de decoração, não existe tema definido. «Geralmente trabalha-se um estilo, paleta de cores, tema neutro (sem grandes “elementos identificativos”), algo que toda a família goste», explica.

«Como profissional, aconselho que tenham especial atenção a pormenores que sejam ao gosto de ambos os homenageados. Por exemplo, a mesa do bolo é dedicada aos noivos e um dos elementos de apoio dedicado às crianças, com guloseimas que apreciem mais. As lembranças seriam semelhantes. Essencialmente por família, por exemplo, um vaso com uma planta, com uma frase inspiradora», sugere.

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