Gravidez

Alimente-se de forma saudável durante a gravidez

Redação
publicado há 2 anos
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Comer a dois e não por dois! É este o lema que deve seguir durante a sua gravidez.

A gravidez é um dos períodos da vida da mulher em que a alimentação assume particular importância. Assim, quando a grávida se alimenta de forma insuficiente ou excessiva podem resultar consequências muito graves. São exemplos, o atraso de crescimento intrauterino, o risco de malformações fetais e de parto prematuro, a probabilidade do bebé vir a apresentar obesidade, hipertensão e muitas outras alterações metabólicas no futuro.

A saúde da mãe também corre riscos, que vão desde o desenvolvimento de diabetes gestacional e problemas cardiorrespiratórios a complicações obstétricas. Sintomas menos graves como fadiga, náuseas matinais, obstipação e azia, podem ser igualmente minimizados ou evitados através duma alimentação equilibrada.

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Inevitavelmente, durante a gravidez a mulher aumenta de peso. No entanto, este aumento deverá ocorrer de forma lenta e progressiva, sendo mais significativo a partir do 2.º trimestre, mas de acordo com o peso prévio à conceção e em função das características de cada mulher. Assim, o ganho de peso durante a gestação duma mulher que engravida com excesso de peso e/ou obesidade deverá ser de menor magnitude em relação ao de uma mulher que engravida com peso adequado. Exemplificando: mulheres que engravidam com baixo peso, deverão aumentar entre 12 e 18 quilos ao longo da gravidez; mulheres com peso adequado no início da gravidez, deverão aumentar entre 11 e 16 kg; e mulheres que iniciam a gravidez com excesso de peso ou obesidade, poderão aumentar até 9-11 kg. Numa gravidez de gémeos, o aumento de peso poderá oscilar entre os 12 e os 20 kg, dependendo também do peso prévio da futura mamã.

Não engordar muito nem manter-se magra

Tão importante quanto o ganho de peso durante a gestação é a velocidade à qual ele ocorre. Quer o ganho de peso insuficiente, quer o ganho de peso muito rápido e/ou excessivo, são prejudiciais e podem constituir sinais de perigo iminente. Não são raros os casos em que a mulher durante os primeiros meses de gestação apresenta já um ganho de peso considerável. Ora perante uma situação como esta, há que desdramatizar, mas consciencializar a futura mamã para o facto da gravidez não ser o momento oportuno para a adoção de dietas restritivas e baixas em calorias para perder peso (nem para o manter). Se o fizer, não só a mulher ficará debilitada, como estará a condicionar o desenvolvimento fetal, nomeadamente do sistema nervoso, com risco de baixo peso ao nascer, ou mesmo prematuridade. Para além disso, quer a produção quer a qualidade do leite materno que irá oferecer ao seu filho estará comprometida. Assim, tal como engordar demasiado na gravidez não é sinal de saúde, querer manter-se magra a qualquer custo também não é! Grávidas nestas condições terão de ser aconselhadas a adotar hábitos e comportamentos alimentares que permitam atenuar a velocidade à qual está a ganhar peso, acompanhando sempre que possível com exercício físico moderado e/ou devidamente adaptado.

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É fundamental controlar o peso

É consensual que todas as mulheres – de preferência desde o início da gravidez ou, idealmente, todas aquelas que pretendem engravidar – deverão receber assistência pré-natal adequada, de qualidade e realizada por profissionais de saúde com competência e experiência na área. A adequação e orientação nutricional, após avaliação nutricional criteriosa, serão fundamentais para controlar o peso, e simultaneamente garantir ao feto o aporte necessário de nutrientes. Esta abordagem terá de ser individualizada e sempre de acordo com as características de cada mulher (antecedentes pessoais e familiares, idade, peso, estatura, valores analíticos, atividade física, preferências e hábitos alimentares). Sem dúvida que esta estratégia permite a identificação precoce de fatores de risco passíveis de serem minimizados com intervenção nutricional atempada, bem como contribui para que a futura mamã se sinta mais segura face a dúvidas, mitos e falsos conceitos sobre a sua alimentação. Mais ainda, numa altura em que a mulher está muito recetiva a aspetos relacionados com a sua saúde e com a saúde do seu bebé, a gravidez é um momento-chave para a mulher adotar uma alimentação saudável, ou simplesmente melhorar hábitos alimentares, os quais se pretende que perdurem após o parto.

Planeie as refeições

Uma alimentação sadia e nutritiva na gravidez não significa comer por dois, mas sim COMER PARA DOIS! Efetivamente, durante a gravidez o organismo necessita de um acréscimo de energia e de todos os nutrientes para fazer face ao duplo crescimento: o do feto e o de todos os órgãos da gestante. Mas com isto não se pretende que o momento das refeições se transforme num ritual obsessivo de balanças, tabelas e resistências! Alimentar-se bem e de forma saudável, não implica gastos económicos excessivos nem grandes aptidões culinárias, implica sim planear atempadamente as suas refeições, fazendo escolhas alimentares saudáveis, variadas e equilibradas, aspetos que têm uma abordagem personalizada na consulta especializada de Nutrição da Grávida.

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Desejos são mitos!

Mas, e o que dizer quando a futura mamã sente uma vontade incontrolável de comer um tipo específico de alimento? Segundo a tradição, se os desejos alimentares da grávida não forem satisfeitos, a criança nasce ougada e/ou com manchas com forma e cor semelhantes à do alimento desejado. A ciência desmente qualquer relação entre os desejos insatisfeitos da mãe e as manifestações na criança, pelo que não há razões para satisfazer esses desejos. Certo é que também não há motivos para negar esses caprichos alimentares, conquanto que eles não substituam uma alimentação nutricionalmente adequada.

 

 

Agradecimentos: Prof. Doutora Inês Tomada, Nutricionista do Hospital da Lapa, Porto. Licenciada em Ciências da Nutrição e Mestre em Nutrição Clínica pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, Doutorada em Metabolismo pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e professora convidada de Nutrição Pediátrica da Universidade Católica Portuguesa

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