Educação

Agressividade Infantil: O site Crescer assistiu a uma Ação de Sensibilização sobre o tema

Andreia Costinha de Miranda
publicado há 1 mês
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A agressividade infantil é um tema pouco abordado, mas que suscita a curiosidade de muitos pais. Por isso mesmo, o site Crescer assistiu a uma Ação de Sensibilização no colégio O Barco do Mimo, em Massamá, conduzida pela psicóloga da instituição, Inês Palácios, e dá-lhe a conhecer alguns dos tópicos sobre o assunto.

A questão da agressividade infantil é mais abrangente do que se possa pensar. E foi isso que o site Crescer testemunhou durante a Ação de Sensibilização a que assistiu.

Numa sala com cerca de 30 pessoas, entre elas pais e educadores de infância, as dúvidas sobre o tema foram muitas.

Classificação da agressividade

De início, a psicóloga Inês Palácios explicou que a agressividade «é definida como uma emoção que faz parte do desenvolvimento afetivo» e que «é saudável.» Advém de representações simbólicas que foram elaboradas ao longo do desenvolvimento emocional e relacional da criança, e pode ser classificada de cinco formas: instrumental, direta, deslocada, auto-agressão e dissimulada.

E em que se diferenciam estes cinco pontos? A especialista explicou! «A instrumental é quando a criança é agressiva por ter um objetivo específico. No que diz respeito à direta, está relacionada com, por exemplo, uma mordidela/beliscões para tirar um brinquedo. A deslocada é quando acontece dirigida a um objeto, ou seja, quando se pontapeia uma cadeira ou uma mesa. A auto-agressão é quando a criança se agride a ela e a dissimulada é quando existe sarcasmo/cinismo para agredir o outro».

Táticas para controlar a agressividade

De entre as muitas dúvidas colocadas por pais e educadores, algumas delas estavam relacionadas com o controlo da agressividade. Existem muitas famílias que acreditam que, «se a criança é agredida, tem de responder na mesma moeda», o que dificulta o papel dos professores nesta matéria.

«Os meus pais dizem que tenho de me defender. Se me agridem, agrido para me defender». É este o discurso muitas vezes usado pelas crianças. E como os professores devem agir nesta diferente ideia de educação entre o que é certo para os pais e o que é certo para os docentes?

A Ação de Sensibilização aconteceu no colégio O Barco do Mimo, em Massamá

 

Desta forma, a psicóloga Inês Palácios dá algumas táticas para que seja mais “fácil” controlar a agressividade dos mais novos que seja em casa ou na escola. «Deve ajudar-se a criança a ter consciência das circunstâncias em que se aborrece. Incutir a ideia de que as pessoas não podem conseguir sempre, e no momento esperado, o que desejam», começou por dizer. Mas há mais! «Exercitá-la para que, no momento em que note que o sentimento de ira aumente, pare para pensar sem agir impulsivamente».

E uma vez acalmada e apaziguada a raiva, a fúria ou irritação, dever-se-á analisar, o mais objetivamente possível, a situação. «Se é tão grave ou não, se vale a pena irritar-se, se tem solução, se há outras alternativas viáveis e, consequentemente, gerar outras possíveis respostas de atuação», realçou a especialista.

«Temos de trabalhar o respeito»

No meio das palavras, o mais difícil é, acima de tudo, implementar na prática. E por mais que existam «formas das crianças se defenderem sem agredir», na realidade, nem sempre é fácil. Inês Palácios garante que, obviamente controlada, «a agressividade é saudável» pois é um «sentimento que faz parte de todos.»

Ainda assim, e com a concordância da maioria dos presentes nesta ação de sensibilização, nos casos de agressividade, as atitudes têm de ser ponderadas. «Há quem pense que quem se afasta depois de ser agredido é fraco. Mas a verdade não é essa», assegurou uma mãe. «Virar as costas é motivo de valentia», continuou.

E em casos destes, o que se deve cimentar é que esta situação não é motivo de fraqueza. Muito pelo contrário. E é isso que se tem de trabalhar com as crianças: a questão da auto-estima. «Uma criança com auto-estima muda o comportamento», evitando, muitas vezes, entrar em conflitos desnecessários.

Acima de tudo, e como foi dito nesta ação de sensibilização, «tem de trabalhar o respeito», quer na escola, quer em casa, até porque «o principal agente de educação é a família.»

A agressividade não é de fácil definição

Em jeito de conclusão, a especialista garantiu que «a agressividade não é de fácil definição» e que «os métodos educativos a que os pais recorrem são o de sobreproteção (em que os filhos devem ser cuidados em todos os momentos, protegidos e mimados) e o da permissividade (em que os pais têm de tornar felizes os filhos e servi-los).»

Por isso mesmo, «o método indutivo de apoio/democrático (aquele em que os pais sentem que as crianças podem resolver problemas por si mesmas e aprendam a tomar decisões para que aprendam as consequências)» é o estilo mais saudável para educar.

Ainda assim, «a autoridade com afeto e limites bem definidos, são uma base para o desenvolvimento saudável da criança.»

 

E para concluir, a psicóloga Inês Palácios dá um conselho: «No final da “discussão”, abracem a criança. Esse abraço terá um efeito calmante», finalizou.

 

Agradecimentos: O Barco do Mimo

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