Bebés/Crianças

Como lidar com os «terríveis 2 anos»

Redação
publicado há 1 mês
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Crescer traz desafios constantes e quando pensamos que já dominamos os pequenos truques eis que surgem novas etapas com novos desafios… É precisamente o que acontece por volta dos dois anos de idade, altura em que uma maior compreensão do mundo que a rodeia e o progressivo ganho de autonomia, fazem com que a criança tente impor cada vez mais as suas vontades, tendo por vezes dificuldade em gerir um «não».

Bem, mas comecemos pelo vocabulário… e que tal deixarmos de lhes chamar «os terríveis dois anos» e tentarmos algo mais potenciador como os «estimulantes dois anos»? Pode parecer pequena a diferença, mas abrimos assim a possibilidade de transformar problemas em oportunidades. No entanto, mudar a terminologia não basta, há também que mudar a forma de agir.

Em primeiro lugar ter em mente que é preciso manter a atmosfera tão positiva quanto possível e aprendermos, nós, mães e pais, a controlar as nossas reações. Se os próprios pais reagem a uma birra com uma birra (sim, nós também fazemos birras, mesmo já não tendo dois anos) estamos a reforçar e a validar a resposta emocional da criança, não estamos a ensinar novas formas de gerir as emoções. No momento da crise aplique a sua própria estratégia: pode ser respirar fundo e contar até 10, pensar num local feliz, olhar pela janela… Não há fórmulas únicas e é importante aceitarmos que nem sempre conseguimos reagir adequadamente, afinal nós, adultos, também temos os nossos dias, contudo não vamos desistir de procurar as respostas que para nós funcionam.

Ninguém conhece tão bem uma criança como os seus pais: ao que ela é sensível, como reage perante certas situações ou estados físicos como cansaço ou sono. Ao utilizarmos esse conhecimento é bem possível evitar algumas das situações que provocam o descontrolo emocional dos nossos filhotes. É frequente observar crianças em locais como supermercados, centros comerciais, lojas ou restaurantes em que perante o excesso de estímulos visuais e sonoros, cansadas, sonolentas e desinteressadas cedem emocionalmente e erupcionam em choro, gritos, agitação motora ou simplesmente em atitudes desafiantes.

Como forma de evitar as reações típicas dos «estimulantes dois anos» alguns pais adotam uma postura permissiva, evitando conflito. Essa atitude terá também efeitos contrários ao pretendido: a criança pode tentar elevar a intensidade da sua birra na tentativa de provocar uma resposta no adulto ou passar a considerar a birra como uma forma adequada de gerir as emoções.

Então quais as melhores estratégias (ou pequenos segredos testados e certificados por alguns pais, com espírito científico?

  • Informar previamente acerca da rotina/interrupção de uma atividade, relembrando à criança o que a espera: ex.: acabar de brincar, lavar as mãos e jantar;
  • Definir limites seguros e ser consistente: ex.: se não pode mexer agora, amanhã também não lhe será permitido;
  • Ser flexível sempre que possível: ex.: ao dar opção de escolha estamos também a fomentar autonomia, a criança pode escolher entre a camisola verde ou azul, ambas de manga curta ou pode escolher qual brinquedo leva para o banho, ajuda-a a perceber que tem também controlo;
  • Esperar alguns momentos antes de repetir um pedido: ex..: arruma os teus brinquedos;
  • Utilizar o desafio para estimular comportamento: ex.: consegues tirar os sapatos? O Mickey (ou outro boneco da sua preferência ou um exemplo de um adulto) consegue!;
  • Sempre que possível substitua o «não» pelo comportamento desejado: ex.: em vez de «não saltes no sofá» dizer: «o sofá é para estar sentado».

Mesmo assim e seguindo todas estas estratégias por vezes as birras dos estimulantes dois anos entram numa escalada que sai fora do nosso controlo, então aí torna-se frequentemente útil utilizar a «retirada», isto significa e retirar a criança do ambiente onde estiver, dando-lhe oportunidade de se acalmar pois a dada altura a espiral emocional já a envolveu de tal forma que nem se recorda do que causou esse descontrolo.

Ainda que coloquemos em prática todas estas dicas claro que nem sempre e com a atribulada vida de hoje em dia, conseguimos utilizar os recursos que temos para lidar com o desafio e, por vezes, a nossa criança mostra uma elevada sensibilidade com reatividade emocional mais exacerbada. Se for necessário devemos ter em mente que não há qualquer problema em pedir ajuda, saiba sempre que podem contar com ajuda profissional para conseguirem ultrapassar esta fase da melhor forma.

 

 

 

Texto: 
Alexandra Rosa, psicóloga do projeto Fale Connosco – Saúde Personalizada
Rita Costa, neurocoach parental, coordenadora de equipa de profissionais de saúde e terapeuta da fala do projeto Fale Connosco – Saúde Personalizada


                            
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