Bebés/Crianças

Como lidar com o sentimento de culpa de perder um filho?

Filipa Rosa
publicado há 3 meses
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O caso de Julen chocou o mundo. O menino de dois anos que caiu num poço em Málaga, Espanha, foi resgatado sem vida, deixando os pais numa dor profunda. O site Crescer falou com uma psicóloga para saber como se acompanha os pais neste momento, em que o sentimento de culpa não desvanece.

Segundo Joana Monteiro, psicóloga clínica e psicoterapeuta de crianças, adolescentes e adultos, a intervenção dos psicólogos em situações de crise ou catástrofe é fundamental, desde o primeiro momento, pois asseguram os cuidados psicológicos às vítimas e familiares. «Prestam o que se chama de “primeiros socorros psicológicos” que visam procurar ajudar as vítimas a lidar do ponto de vista emocional com o que está a acontecer, restaurar o nível funcional e prevenir a exacerbação de sintomatologia psicológica. Prestam ainda um importante apoio na articulação com as equipas de emergência e outros profissionais orientando e auxiliando na forma como vão sendo comunicadas as informações à família», começa por explicar.

Os pais de Julen, José Rocío e Victoria María García, já tinham perdido o filho mais velho em 2017 com um enfarte fulminante. Tinha apenas três anos. Como se evitam pensamentos suicidas, depressões e como se consegue retomar a vida normal? «O apoio psicológico em emergência visa sobretudo minimizar a probabilidade de a pessoa vir a desenvolver um trauma psicológico. Se o trauma psicológico já estiver instalado, é necessário um acompanhamento mais específico e continuado pelo que é feito o encaminhamento/articulação com outras entidades que possam garantir este acompanhamento», refere Joana Monteiro.

A dor de perder um filho

Perder um filho é das mais duras realidades para um casal. Perder o segundo filho torna o processo muito mais difícil de ultrapassar. «O luto de um filho é sempre uma experiência devastadora, traumática e contra-natura. O vínculo pais-filho é, na sua maioria, não apenas particularmente forte, mas também parte integrante da identidade de muitos pais», diz.

José Rocío e Victoria María García sentem-se culpados pelo sucedido e já confessaram que se sentem «mortos por dentro». Para Joana Monteiro, enquanto profissional de saúde, é importante dar especial atenção ao sentimento de culpa e à responsabilização pessoal do casal. «Quando um filho morre, os pais tendem, em qualquer circunstância, a sentir-se responsáveis, a sentir que falharam», explica a especialista.

«A intensidade e a duração do processo de luto são muito variáveis, não só no mesmo indivíduo ao longo do tempo ou após diferentes perdas, mas também em pessoas diferentes, após perdas claramente similares. Esta intensidade e duração são determinadas por múltiplos fatores, tais como: a personalidade; o estilo de vinculação; a predisposição genética e vulnerabilidades prévias; a idade e o estado de saúde; a espiritualidade (crenças religiosas e espirituais); a identidade cultural e os recursos sociais.»

Existem fatores protetores, segundo a psicóloga, que podem minimizar e auxiliar o indivíduo no processo de luto, e que costumam ser referidos como fundamentais em todo o processo, como o apoio social, o apoio do cônjuge e as crenças espirituais-religiosas. «É fundamental que o enlutado vá mantendo uma procura ativa de suporte, de expressão emocional, retomando as rotinas e mantendo-se ocupado», explica.

«É fundamental percebermos que integrar a perda de um filho, dar sentido e encontrar novos significados para esse acontecimento, reencontrar sentido para a vida após um acontecimento tão devastador, é um desafio para os pais e família. Assim, penso que não podemos falar de “Recuperação da morte de um filho” mas sim de “reconciliação” ou “reconstrução” pois refletem as profundas mudanças que ocorrem, inevitavelmente, aquando a morte de um filho», conclui a psicóloga.

Informações úteis:

Joana Monteiro, Psicóloga e Psicoterapeuta de crianças, adolescentes e adultos

  • Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos
  • Membro associado e Psicoterapeuta credenciado da Associação de Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica
  • Mestre em Psicologia Clínica

Consultório na Avenida de Roma n.º 86, R/C Esquerdo, Lisboa

Contacto: 968185061

Site: https://psicologialisboa.weebly.com/

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