Família

Como vivem os emigrantes a época de Natal?

Andreia Costinha de Miranda
publicado há 7 meses
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Andreia e Diana não se conhecem mas têm algo em comum: emigraram rumo a uma vida melhor. Uma foi para o México e a outra para a Suiça. O site Crescer conversou com ambas sobre a grande aventura das suas vidas.

 

Sair do país natal é quase sempre uma decisão difícil de gerir. As novas rotinas, as saudades, a adaptação a uma nova realidade… tudo afeta emocionalmente os emigrantes.

Mas se o dia-a-dia é, por vezes, complicado, o aproximar da época natalícia faz com que as saudades apertem ainda mais.

Andreia Salvado e Diana Cardoso são exemplos disso. Não se conhecem, mas têm algo em comum: deixaram Portugal em busca de uma vida melhor.

Construir família longe do país natal

Andreia viajou para o México há quase dois anos porque o marido, Pedro, «teve uma oportunidade de trabalho na Cidade do México». Nessa altura, a filha, Lara, tinha ano e meio e «completou dois anos» já naquele país.

Andreia com o marido, Pedro e a filha, Lara

 

Sair de uma vida “pacata” e aventurar-se num novo país com uma menina tão pequenina, não era, de todo, uma opção simples. «A decisão não foi fácil, principalmente pela nossa filha que era muito pequena e também pela distância, tanto física como emocional. Não estamos a falar de imigrar para a Europa, estamos a falar de um país do outro lado do oceano, com uma cultura completamente diferente da nossa. Mas realmente a nossa cabeça e o medo de ir, cria mais obstáculos do que aqueles que existem na realidade. Antes de ir, pensei em tudo e mais alguma coisa que podia correr mal mas a verdade é que desde que aterrei no México que tudo correu pelo melhor», garante.

E deixa um conselho: «Viajar com crianças não é assim tão complicado, acreditem. Já tive oportunidade de visitar alguns países deste lado do Mundo com ela e foi espetacular», explica a jovem que ao aventurar-se em ir para outro país, criou o blogue A Novela Mexicana, onde mostra, também no Instagram, as peripécias da sua família por solo mexicano.

A adaptação a uma nova realidade

Diana emigrou para a Suiça há três anos e meio «por amor». «Estou na Suíça, como podia estar noutro país qualquer; desde que estivesse com o meu marido. Conhecemo-nos em Portugal, mas ele já vivia aqui desde pequeno! E como a vida é feita de escolhas, decidi seguir o meu coração e arriscar», conta.

Diana está na Suiça há três anos e meio

 

Apesar da escolha ter sido pensada, há coisas para as quais o coração não está preparado. «Foi uma adaptação muito difícil, mas com o tempo vai-se amenizando a dor…», diz. Uma dor causada pela distância dos mais próximos. «Para mim, o que mais custa, e porque não tenho cá família, sem dúvida que é estar longe», garante.

Esta jovem foi mãe há menos de um mês. O pequeno Gabriel nasceu na Suiça, num país “estranho” para a mãe e longe do apoio dos mais próximos. «Foi duro, apesar de ter tido a sorte de a minha mãe estar cá de férias! Se ela não estivesse cá, sei que teria sido tudo muito pior. Já na gravidez eu chorava e chorava só de pensar no momento em que teria o meu filho longe da minha família! Não quero nem pensar nisso, nem desejo isso a ninguém… É doloroso. Custa. Custa muito! A maternidade não é tão cor-de-rosa assim. Termos um filho é a coisa mais maravilhosa do mundo, sim! Mas ser mãe de primeira viagem com tudo o que isso implica é difícil. Sinto falta principalmente da minha mãe. Da força, da presença, dos conselhos, da ajuda, da sabedoria…», assegura.

Do outro lado do oceano, Andreia fala da adaptação da família ao México. E neste caso, não podia ter sido melhor. «A adaptação foi muito fácil para todos. Para já o clima é fantástico, as pessoas são muito amáveis e o meu marido já estava no México há seis meses, ou seja, a situação de encontrar casa e passar por toda a logística foi facilitada pelo facto de ele já ter ido primeiro. Como adoro viajar e conhecer novas culturas, apenas imaginava a quantidade de países e lugares que não conhecia deste lado do oceano. Realmente não custou. A pequena estava na idade de começar a falar então aprendeu logo dois idiomas: espanhol na escola e português em casa. Após alguns meses encontrei trabalho na minha área e vivem aqui vários portugueses na mesma situação que nós, então tudo ajudou a sentir menos saudade de casa», revela.

A época de Natal nos outros países

Na Suiça, para Diana, a distância torna-se mais dolorosa nesta altura de Natal. «No ano passado, infelizmente, não me deram férias no Natal e tivemos que o passar aqui, longe de todos. E posso dizer que foi terrível, triste. Ter que trabalhar na consoada e no próprio dia de Natal, era algo que eu nunca pensara que pudesse acontecer comigo! Com muitas lágrimas à mistura, por cá nos aguentamos.» 

E apesar de estar longe de Portugal, «Natal que é Natal tem de ter direito a tradições portuguesas». «Onde vivo (Zurique) não é cantão católico, por isso nem sei bem como eles celebram esta data», diz, salientando que esta altura do ano na cidade onde mora é «imensamente bonita».

«A cidade fica toda ornamentada com luzes, árvores de Natal, decoração típica, mercados por todo o lado… Muito bonito e bem diferente de Portugal! Em Portugal também é lindo, mas o que conta verdadeiramente é a família toda reunida à mesa, com muita comida e doçaria, felicidade e amor no coração de todos. Isso sim… E é algo que cá falta. Acredito que os suíços também se reúnam e festejem, mas devido a serem um povo “frio”, não acredito que celebrem esta quadra tão profundamente como nós, portugueses», assegura.

Andreia, por sua vez, passou o Natal no México, em 2017 e as tradições portuguesas foram mantidas. «Basicamente passamos o Natal com amigos brasileiros que também ficaram por cá. Claro que o Natal em Portugal rodeado dos nossos não tem comparação mas tentámos aproveitar da melhor maneira, com a comida típica portuguesa e também brasileira, e aproveitar a companhia dos nossos amigos», dá a conhecer.

Como vai ser o Natal este ano?

Tanto Andreia como Diana vão ter um Natal junto dos mais próximos. Fazer as malas e enchê-la de abraços e beijos para os reencontros é a melhor sensação de todas. «Os reencontros são espetaculares, principalmente pela pequena que revê os avós e os bisavós. Quanto a nós podemos reaver os amigos de longa data e passar tempo com a nossa família. E podemos comer um belo bacalhau que cozinhado pelos nossos tem outro sabor», diz, divertida, a jovem imigrada no México.

Diana também vai deixar a Suiça para poder passar o Natal com a família, no norte de Portugal. «Este ano, por estar de licença de maternidade, não poderia deixar de ir passar o Natal ao meu país. Desde que me encontrasse bem mais o bebé, sempre foi prioridade! Os reencontros são… mágicos. Felicidade, calor no coração, plenitude! São tudo isso e muito mais…», diz, emocionada.

Conselhos para os emigrantes… ou para quem esteja a pensar emigrar

No México, Andreia garante que não nota «grande dilema em ser emigrante». «O meu bisavô foi emigrante no Brasil nos anos 30 (há cerca de 90 anos) e já imagino a minha filha no futuro a viver/trabalhar em outro país do Mundo», dá a conhecer.

E o conselho que dá a quem vá emigrar ou a quem esteja a pensar em viver longe de Portugal… «Para quem vá emigrar em breve tenham mente aberta. A nossa cabeça e a opinião de família e amigos criam algumas barreiras a tomarmos a decisão. E é fácil encontrarem portugueses pelo mundo para compartilharem a “saudade”. Antes de irem, procurem grupos nas redes sociais, é uma ótima maneira de pesquisarem mais sobre a cultura do país. É ótimo sair da nossa zona de conforto. Realmente torna-nos mais fortes», diz, Andreia.

Já Diana o conselho que dá é simples: «Tenham muita força sempre. Vão precisar. Força e fé para os que emigram por um futuro melhor!»

 

Fotos: Reprodução Instagram

 

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