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«Se tiveste depressão pós-parto é porque és uma fraquinha»

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publicado há 5 meses
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Antes de ser mãe não entendia como é que alguém podia ter uma depressão pós-parto quando tinha nos braços o maior amor do mundo.

Ficar depressiva quando estava a ser “alimentada” pela maior felicidade que pode existir? Não entendia tal coisa! Até que me “bateu à porta”. Até que vivi momentos de terror, de pânico e de pura solidão.

Sempre fui uma mulher forte e que enfrentava a vida de frente sem grandes dramatismos. Sempre agi de cabeça erguida a todas as dificuldades da minha vida. Mas essa fase foi, sem dúvida, um misto de emoções.

Estava a concretizar o maior sonho de sempre e estava, ao mesmo tempo, mais triste do que nunca.

Tive uma gravidez tranquila, sem dramas. Mas tive um parto que custa recordar, em que achei que o meu filho iria nascer sem vida. Foi muito difícil mesmo. Para os dois! Não quero entrar em pormenores, mas fomos muito “maltratados”. Passados quatro anos, ainda sinto algumas mazelas causadas pelo nascimento do meu menino.

A verdade é que percebi que precisava de ajuda e fui ao médico. Fiquei bem e olhando para trás, nem reconheço a pessoa que era naqueles meses. Estava num poço profundo e ao olhar para cima parecia que não via luz. Estava mesmo muito triste.

Hoje e novamente de bem com a vida, sou muitas vezes confrontada com palavras vindas de mulheres que me deixam “chocada”. «Se tiveste depressão pós-parto é porque és uma fraquinha». «Eu nunca tive nada disso. Tinha mais em que pensar do que dar espaço à tristeza». «Alguma vez isso me ia acontecer? Sou demasiado feliz para a depressão me bater à porta».

Ou seja.. eu sou fraquinha, eu dei espaço à tristeza e deixei a depressão entrar na minha vida.

Não! Nada disso! Não sou fraca nenhuma. Sou mulher que passou um mau bocado e entrou numa espiral negativa incrível e que precisou de ajuda para conseguir superar.

Não sejam cruéis para as outras mulheres. Não sejam injustas e indelicadas. Ninguém sabe a vida de ninguém. Ninguém conhece os problemas e as causas dos outros. Cada um é como cada qual.

Limitem-se a ouvir as histórias e a admirarem pessoas que passaram por maus bocados. Limitem-se a contar as vossas experiências sem menosprezarem os outros. Limitem-se a serem boas pessoas! Só isso já faz com que não deixem alguém triste.

As mulheres são, efetivamente, muito cruéis umas para as outras e enquanto assim for, existirão muitas “fraquinhas” por aí. Mas são as “fraquinhas” de espírito. Aquelas que nunca passarão disso mesmo… de “fraquinhas”.

 

Texto: C.R.M.

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