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«Sou tua mãe, não sou tua amiga. Respeito é bom e eu gosto!»

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publicado há 3 semanas
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Ela olha-me fixamente e pergunta com aquela arrogância típica de uma pré-adolescente: «Tu nunca erraste?»

E eu me respondo a mesma frase que todas as mães repetem aos filhos: «Sou tua mãe, não sou tua amiga. Respeito é bom e eu gosto!»

Nesse momento, faço uma viagem no tempo e relembro a menina que fui. Hormonas a explodir em forma de borbulhas, mau humor, choros repentinos e uma certeza inexorável de que, definitivamente, o “mundo” e a minha mãe em especial, estavam contra mim.

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E eu pensava: «A minha mãe cismou com minha melhor amiga? Não pode ser, ela é um amor! A minha mãe reclama que o meu quarto está desarrumado? Mas eu sei onde estão todas as minhas coisas!»

Pois é… os anos passaram, mas eu me reconheço tudo nos olhos da minha filha. Na idade dela, eu também encontrava uma desculpa para cada falha minha. O meu senso de auto-proteção também era aguçado.

Volto para o presente e torno a concentrar-me no duelo imaginário do nosso olhar. Inspiro profundamente como se o ar que entra pelas minhas narinas tivesse o poder de me acalmar e saio do quarto dela a sentir-me derrotada. «Por que tem que ser assim?», pergunto a mim mesma.

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Então sinto saudades da minha menina de caracóis dourados, de perninhas grossas e riso fácil. O meu bebé está a tornar-se numa mulher. O corpo dela está a desenvolver-se, os seus interesses mudaram, assim como nossa relação, que já não é a mesma.

Agora ela questiona, argumenta, teima, tira-me do sério, confunde-me, contesta-me, ama-me e odeia-me. Tudo na mesma intensidade. E sente-se, muitas vezes, incompreendida e insegura.

Mas essa é somente a dor do crescimento. Porque dói despedir-se da infância. Porque dói abandonar as crenças infantis que inundam os nossos dias de sol e de alegria.

Já me estou a preparar para dormir, quando ela vem ao meu encontro, me abraça e diz: «Mãe, desculpa. Não sei porque às vezes ajo assim».

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Nesse momento abraçamo-nos e ela arremata com um sorriso envergonhado, arrebatando meu coração: «Mãe, preciso contar-te: acho que fiquei menina…»

E nesse preciso momento os nossos mundos fundem-se. A minha filha agora conhecerá os segredos mais íntimos, invioláveis e especiais que o coração, a alma e o corpo de uma mulher conseguem abrigar.

E mais do que nunca ela me entenderá e estará conectada a mim.

Texto: Marcella Bisetto, mãe, advogada e escritora apaixonada

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