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Separações: «Como podemos dizer que um casamento fracassou, se ele gerou frutos tão lindos?»

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publicado há 2 meses
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Talvez eu nunca consiga apagar da alma a expressão de horror e tristeza da minha filha quando, aos seis anos de idade,  recebeu a notícia de que eu e o pai nos iríamos separar.

Foi muito, muito doloroso para ela. Mas posso afirmar que, independentemente do motivo da separação, a rutura é dolorosa para todos. É o fim de um contexto familiar. É o fim da história de um casal, que um dia apostou que viveria junto “para sempre”.

Quando o desfecho acontece, existe toda uma readaptação de vida. A casa ganha uma nova dinâmica. Tudo é diferente e estranho, de início. Talvez o pior de tudo seja o momento de “dividir” os filhos naqueles fatídicos dias, férias ou fins de semana que são do “pai”.

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É difícil despedirmo-nos! Nós queremos os nossos filhos por perto. Eles são, afinal, o nosso porto seguro no meio do caos que a nossa vida se tornou.

A casa fica vazia e ela reproduz justamente o eco da nossa tristeza interior. A nossa alma está vazia. Nós contamos as horas para ter os nossos filhos novamente por perto, debaixo das nossas asas.

O facto é que o tempo acaba por se tornar o nosso principal aliado. Ele passa e nós vamos percebendo que tudo vai entrando nos eixos. No meu caso, eu e minha filha readaptámo-nos a uma nova rotina. Os dias foram passando e fomos florescendo tal como as folhinhas verdes novas que observamos com alegria num vaso de plantas que já estavam a morrer.

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Assim, um belo dia, percebi que me despedia da minha filha com o coração leve, desejando profundamente que ela tivesse um fim de semana maravilhoso com o pai. Sim, porque sempre quis e vou querer que ela tenha uma linda e sólida relação com o pai. Ele é tão importante quanto eu na sua vida. E assim deve ser.

Sempre tive em mente que o mínimo que minha filha merece é que os pais se respeitem e se tratem com cordialidade e respeito. Felizmente, esse meu pensamento traduziu-se em realidade. A minha filha não se vê no meio de discussões e desentendimentos entre os pais.

Se alguma questão deve ser resolvida, resolvemos longe dos ouvidos e dos olhos dela, afinal, tudo o que temos que resolver é visando o bem dela. Seremos sempre os pais dela. E esse vínculo que une os três permanecerá por toda a vida, independentemente de não sermos mais um casal.

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E quando digo que me despeço da minha filha com a alma em paz mesmo que para um período de ausência talvez mais longo, estou a falar com toda a sinceridade. Fico feliz se ela está feliz. Fico feliz porque ela terá a oportunidade de conhecer novos lugares e pessoas. Fico feliz e tranquila porque sei que ela estará ao lado da outra pessoa que mais a ama no mundo: o pai.

Já não me sinto a “dividir” a minha filha. Ela não é divisível, ela é única, linda, bárbara, assim como o seu nome. Eu sei que ela é minha, assim como sei que ela é de todos os que tanto a amam. O meu posto de “mãe” é irrenunciável, tanto para mim, como para ela. Ela será sempre a minha menina, mesmo que essa menina externamente já tenha os contornos de uma mulher.

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Ainda que eu nunca consiga apagar do meu coração a sua expressão de tristeza quando soube da separação dos pais, essa imagem fica borrada e adormecida.

Hoje só consigo pensar na menina forte e independente que a minha filha se tornou. Mérito meu. Mérito do pai dela.

E aqui não posso deixar de citar uma frase que o meu atual marido sempre diz: «Como podemos dizer que um casamento fracassou, se ele gerou frutos tão lindos?». Essa é a mais pura verdade.

Texto: Marcella Bisetto, mãe, advogada e escritora apaixonada

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