Educação

Reportagem “A Vida Privada dos Golfinhos”: Mostre aos seus filhos como é a vida destes animais

Andreia Costinha de Miranda
publicado há 1 mês
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Com esta reportagem queremos dar-lhe a conhecer “a vida privada dos golfinhos”. Imagina o que está para lá dos espetáculos destes animais? Sabe a quantidade de alimentos que ingerem por dia, os cuidados médicos a que são sujeitos, e sabe também que a respiração dos golfinhos é inconsciente? Estas são apenas algumas respostas que queremos dar-lhe a conhecer. Por isso mesmo, entre nesta viagem connosco pelo Mundo da Baía dos Golfinhos.

 

São o encanto de miúdos e graúdos. Não há quem vá ao Jardim Zoológico, em Lisboa, e não passe pela Baía dos Golfinhos para assistir a uma das maiores atrações do espaço. Durante 40 minutos, os olhos estão postos na piscina e no espetáculo protagonizado por golfinhos e leões marinhos. Nela, treinadora destes animais há mais de duas décadas, destaca o encanto que é trabalhar com estas espécies, e o quão entusiasmante continua a ser, todos os dias, aprender e ensinar coisas novas.

«É mesmo família. Eu costumo dizer que passo mais horas com estes animais do que passo com as minhas filhas, porque o nosso horário são oito horas e muitas vezes prolonga-se. Gostamos que eles estejam bem, que se sintam bem. Vamos para casa a pensar: ‘Eh pah o que é que eu vou arranjar; um brinquedo novo, qualquer coisa’, que é a parte do enriquecimento ambiental», começa por nos contar.

«Eles são animais super inteligentes, são muito desafiadores. Eu ao fim de 25 anos continuo a ser surpreendida. Continuam a haver coisas novas. Eles próprios nos conseguem motivar. Todos os dias é novo; um dia nunca é igual ao outro. Quer por nós que tentamos que isso aconteça, quer pelos próprios animais que nos vão surpreendendo e vão puxando por nós».

Os protagonistas desta história

Não podemos começar esta viagem sem dar a conhecer os protagonistas da história. Chamam-se Yuki (cinco anos), Vicky (22 anos), Coby (25 anos) e Neo (15 anos). Vivem todos na Baía dos Golfinhos, no Jardim Zoológico, em Lisboa, e fazem as delícias das cerca de 700 mil pessoas que visitam este espaço, anualmente. Começam o dia bem cedo. Mas não são apenas eles. A seu lado estão sempre os treinadores, que logo ao amanhecer começam a tratar dos “seus meninos”.

«Normalmente quando chegamos de manhã, elaboramos uma dieta ou temos um plano do que vai ser o dia. Tentamos sempre que seja variado. Isso é super estimulante para os animais», conta-nos Nela, uma das treinadoras.

Normalmente as primeiras sessões da manhã são dedicadas à parte médica e à preparação dos alimentos. «Eles comem peixe de primeira qualidade. Compramos normalmente peixe que seja congelado imediatamente após a captura para manter as vitaminas», explica Arlete Sogorb, diretora do centro de Vida Marinha.

«Esta preparação, a higiene do peixe e depois a forma como é cortada, é muito específica. Cada animal tem a sua dieta definida todos os dias», continua.

 

Como é preparada a alimentação dos golfinhos

Cada treinador prepara a dieta por animal. Depois das pesagens, todo o peixe é lavado minuciosamente. Daqui, pesa-se o peixe de cada animal, tendo em conta as calorias escritas na dieta. «Nós trabalhamos com as calorias. De acordo com as calorias, dependendo da época do ano, da idade do animal, dependendo do tipo de peixe, se tem tendência para engordar ou não… Portanto é assim que jogamos com as calorias do peixe, de acordo que se tem de comer mais ou menos quantidade», explica a treinadora. Não podemos deixar de realçar que a dieta é feita diariamente, e muitas vezes muda ao longo do dia.

As três grandes missões do Jardim Zoológico

Salvaguardar o bem-estar dos animais que estão no zoo, educar o público e participar em projetos de conservação das espécies no seu todo, são as três grande missões do Jardim Zoológico. Assim sendo, o espaço tem um fundo de conservação, que permite participar de diversas formas, não só financeiramente, mas também noutros projetos, indo ao local e participar com as comunidades.

«O jardim coordena neste momento quatro EEP’s em diferentes níveis de ameaças. E basicamente o que nós fazemos é coordenar geneticamente essas populações para garantir a viabilidade das mesmas, não só nos diferentes jardins zoológicos, na comunidade zoológica – isso é muito importante. O jardim não está isolado, trabalhamos em comunidade para permitir esta viabilidade e também para permitir angariar fundo para projetos no habitat natural», revela-nos Sónia Matias, Bióloga Marinha no Centro de Vida Marinha.

Na área dos oceanos, a grande bandeira são os golfinhos do estuário do Sado, em Setúbal. «O Jardim Zoológico é fundador de um plano de ação que permite melhorar as condições do habitat destes golfinhos. Nós somos fundadores deste plano de ação que traz uma série de medidas e que teve uma grande novidade: conseguir juntar num só plano e com um só objetivo, que foi a proteção destes golfinhos, pescadores, empresários, parques zoológicos como o Jardim Zoológico e a comunidade educativa. Num só projeto nós conseguimos trabalhar toda a parte de vertente de impactos ambientais, mas também o lado educativo, porque trabalhamos diretamente com as escolas e com as populações locais», continuou a explicar Sónia Matias.

Nascimento do bebé golfinho

Também no Jardim Zoológico da capital portuguesa, vive Sado, um bebé golfinho, agora com quase três anos de vida. O nome foi escolhido através de uma votação online e é uma alusão aos golfinhos do Sado.

Este animal viveu “isolado” com a mãe, Soda, e assim se manteve durante algum tempo. E a explicação é simples:

«O bebé golfinho quando nasce, tem de aprender a vir à superfície e respirar, tem que aprender a mamar enquanto nada em simultâneo, e todos estes comportamentos são ensinados pela mãe, daí ser tão importante a mãe e a cria estarem tão afastadas do restante grupo. Estão afastados durante um ano e meio, dois», contou a Bióloga Marinha do Centro de Vida Marinha.

Durante todo este tempo de adaptação, há um acompanhamento frequente de uma equipa composta por veterinário, biólogo e treinador. «Estas três disciplinas fundem-se para fazer todo o acompanhamento que nós chamamos de monitorização do desenvolvimento da cria. Isso passa por observação contínua. De dia até à noite temos sempre um observador nos primeiros meses da cria, para quantificar se de facto ela mama, se há leite visível, se respira, se respira no padrão que é expectável; se a própria mãe aparenta estar saudável, se não está cansada… se estiver cansada nós fazemos outros movimentos de maneio. Tudo isto é essencial», continuou a explicação.

 

(artigo publicado originalmente em agosto de 2017 em www.impala.pt)

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