Saúde

Plagiocefalia: Quando a cabeça dos bebés é ‘achatada’

Redação
publicado há 7 anos
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Plagiocefalia é a palavra que descreve a assimetria do crânio, uma configuração em paralelogramo ou trapezoidal. Pode ser postural – causada pela postura no útero – por um nascimento prematuro, uma gravidez gemelar, um torcicolo congénito, ou sinostótica, causada por um encerramento precoce de suturas – esta situação é mais rara e o tratamento tem de ser cirúrgico.

No site dos Lusíadas  pode ler-se a necessidade do diagnóstico precoce. Paula Rodeia, especialista em neurocirurgia pediátrica do Hospital Lusíadas Lisboa, explica nesta plataforma, que «quando não é tratada, esta anomalia resultará numa assimetria crânio-facial permanente, que poderá afetar a articulação temporomandibular e o alinhamento do globo ocular, com consequentes défices funcionais. Outras complicações menos frequentes são otites de repetição e enxaqueca». E a melhor altura para tratamento é «superior quando iniciado entre os quatro e os oito meses de idade».

Um problema bastante comum

 

Também o pediatra Hugo Rodrigues, escreve no seu blogue Pediatria Para Todos , que esta é uma situação bastante comum e que tem aumentado nos últimos anos, devido às indicações formais para os bebés dormirem de barriga para cima, de forma a prevenir a Síndrome da Morte Súbita do lactente.

Acontece naturalmente, porque quase todos os bebés acabam por se deitar mais para um dos lados. Essa ‘mania’ acaba por fazer com que se apoiem mais num dos lados da parte posterior do crânio, o que leva à assimetria que se pode ver na imagem abaixo.

O capacete que ajuda na resolução do problema

Quando a situação é um pouco mais complicada, existe um tratamento que poderá ajudar na resolução da plagiocefalia. Realiza-se no Hospital Lusíadas Lisboa, um procedimento que Paula Rodeia não gosta de adjetivar de inovador, apesar de não serem muitos os médicos que o aplicam: trata-se da ortótese craniana dinâmica Kinderband®. «Há vários tipos disponíveis no mercado mas nós usamos esta, que é de fabrico individualizado nos EUA, aprovada pela FDA [Food and Drugs Administration], que requer certificação clínica para a sua prescrição, colocação e seguimento. Pode ser utilizada entre os três e os 18 meses, e a sua eficácia diminui quando o tratamento se inicia após os 12 meses».

Um tratamento à medida

Depois das medições, essenciais para o diagnóstico e indicação para uso de ortótese, a criança é submetida a um laserscan. «O laserscan permite obter a reconstrução tridimensional do crânio de forma rápida, não traumática e eficaz, tornando assim desnecessários os moldes de gesso. As imagens obtidas são trabalhadas através de um programa informático, o Biosculptor®, que, além de quantificar de modo preciso a deformidade estimada do crescimento do crânio, permitindo a construção de uma ortótese personalizada, adequada a cada caso, projeta o tempo estimado à sua utilização.» Deve ser utilizada durante 23 horas por dia entre três a cinco meses e, geralmente, é bem tolerada pelas crianças, ainda que a especialista refira que «o empenho dos pais e as consultas de acompanhamento regulares são fundamentais para eventuais ajustes, despistes de lesões cutâneas e obtenção dos objetivos». Paula Rodeia tem obtido excelentes resultados com esta espécie de ‘capacete’. Cabeças assimétricas ganharam simetria e, com isso, evitam-se muitos outros problemas associados. Uma excelente notícia para os Pais.



Fonte: Hospital dos Lusíadas e Pediatria Para Todos

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