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Pesadelos, terrores noturnos e sonambulismo: O que aterroriza o sono dos miúdos

Redação
publicado há 8 meses
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Durante o sono, ou na transição entre vigília e sono, podem ocorrer fenómenos bizarros que resultam de estados de consciência dissociados e são chamados de parassónias. A especialista do sono, Teresa Rebelo Pinto, explica-lhe o que aterroriza as noites das crianças.

O sonambulismo e os terrores noturnos, distúrbios que acontecem durante o sono NREM, estão incluídos nesta categoria de diagnóstico e são mais frequentes nas crianças e adolescentes. Tanto num caso como no outro,

Existe um despertar parcial do sono profundo, o que provoca uma fraca resposta ao ambiente externo. Isto é, se tentarmos interagir ou comunicar com um sonâmbulo, a resposta é muito reduzida. Habitualmente há pouca ou nenhuma recordação de sonhos associados a estes eventos, já que estes são típicos de outra fase do sono, o sono REM. Também é comum haver uma amnésia parcial ou total em relação aos episódios de sonambulismo e de terrores noturnos.

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Enquanto que no sonambulismo existe deambulação ou outros comportamentos fora da cama, nos episódios de terrores noturnos – que são típicos de crianças entre os três os cinco anos – existem sinais de terror ou medo que podem começar com choro ou gritos abruptos e são acompanhados de grande ativação do sistema nervoso autónomo (como taquicardia, sudação, etc.).

Apesar de terem os olhos abertos, as crianças com terrores noturnos não costumam sair da cama e não estão conscientes da expressão de terror, pelo que dificilmente são reconfortadas. Os episódios costumam ser breves, mas podem durar até cerca de 30 minutos e acontecem tipicamente no início da noite, um episódio por noite. São pouco comuns durante sestas diurnas. É muito difícil acordar uma criança com estas patologias e, quando acordam, podem ficar bastante confusas.

Quem tem crianças com estas patologias, deve proteger a casa dos eventuais perigos para um sonâmbulo (fechar portas e janelas, por exemplo) e encaminhar a criança para a cama ou esperar que termine o episódio, no caso dos terrores noturnos.

Diferença entre terrores noturnos e pesadelos

Também é importante distinguir um episódio de terrores noturnos de pesadelos. No primeiro, a criança senta-se na cama e não responde a estímulos externos enquanto exibe manifestações intensas de medo, acompanhadas de gritos e choro, ou outras vocalizações. Existe aumento do tónus muscular, rubor da pele, taquicardia e dilatação das pupilas, devido à ativação autonómica que é típica destes eventos.

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Os pesadelos acontecem durante o sono REM, sendo por isso mais comuns na segunda metade da noite. Ao contrário do que acontece nos terrores noturnos, as crianças têm memória do pesadelo e, ao despertar, ficam rapidamente orientadas e alerta.

Os pesadelos são normais e representam sonhos com conteúdo emocional ameaçador tão intenso que o cérebro reage com um despertar. Apenas se consideram os pesadelos como patológicos se são recorrentes e trazem demasiadas limitações durante o dia (sonolência, perturbação do humor, resistência ao sono, dificuldades de concentração ou memória, etc.).

Quando uma criança tem pesadelos, deve procurar-se o simbolismo do seu conteúdo, de maneira a tornar mais consciente o medo subjacente e que a criança precisa de ajuda para resolver.

A grande vantagem dos sonhos é que podemos ser sempre o herói. Através da estimulação da imagética, podemos ajudar as crianças a dar outro final ao pesadelo, contribuindo para a elaboração de conteúdos ameaçadores durante o desenvolvimento.

Texto: Teresa Rebelo Pinto, psicóloga e somnologista
PA, Psicólogos Associados
www.psicologosassociados.net

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