Saúde

Pedro tem 24 anos e uma deficiência, até hoje, sem se perceber o porquê: «Não somos vítimas e não podemos ficar a chorar»

Andreia Costinha de Miranda
publicado há 2 semanas
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«Não há explicação para a deficiência do meu filho. Diziam que ele não ia falar nem andar». Graça Lobão conta a história inspiradora do filho Pedro, com quem gasta mais de mil euros por mês, para que o jovem tenha uma melhor qualidade de vida.

 

Pedro Lobão tem 24 anos e «é um miúdo muito inteligente, com um grande sentido de humor e uma grande vontade de vencer. É um miúdo simpático e muito feliz.» É desta forma que Graça Lobão, mãe do jovem, o descreve.

«Eu luto por ele, porque ele me dá força. Nunca pude ir abaixo porque tinha dois filhos para cuidar. Não somos vítimas, temos de avançar. Não podemos ficar a chorar», diz esta mulher, que com o nascimento de Pedro, seu segundo filho, viu todos os sonhos que tinha, serem alterados, mas nunca apagados.

Mostrou sempre uma grande força em ultrapassar os obstáculos que lhe apareciam à frente.

«O Pedro não se sentava como os outros bebés e não tinha equilíbrio da cabeça»

Pedro foi um bebé planeado. Graça já tinha uma filha, Marta, de três anos. «Correu tudo bem na gravidez, o parto foi normal. Foi um bebé perfeito. Acontece que comecei a notar a partir dos sete/oito meses, que o Pedro não se sentava como os outros bebés e não tinha equilíbrio da cabeça». 

Ouviu o que muitos pais ouvem: que cada bebé tem o seu tempo e que eram tudo coisas da cabeça de Graça. Mas não eram…

«Fui a um neurologista e ele é que disse que o Pedro tinha um problema e explicou que o meu filho tem uma hipotonia e  o cerebelo pouco desenvolvido, pequenino», diz. Nessa altura, o menino começou a ser estimulado e por volta de um ano começou a fazer fisioterapia, «que na altura não tinha nada a ver com a fisioterapia de hoje em dia. Era uma estimulação duas vezes por semana.»

«Era importante ele estar com miúdos ditos normais»

O crescimento de Pedro aconteceu dentro da “normalidade”. Foi para o infantário e «a parte cognitiva estava boa, tinha era um atraso motor. Começou a ir para o infantário, mas chegou-se à conclusão de que não poderia fazer o ensino normal e então foi fazer ensino especial», conta Graça. Mas esta mãe colocou o filho no Colégio Grão Vasco, em Benfica, uma instituição de “inclusão”, pois achou que «era importante ele estar com miúdos ditos normais.»

Hoje Pedro é acompanhado no Centro de Atividades Ocupacionais, do Externato As Descobertas.

A juntar ao atraso motor, Pedro foi diagnosticado com uma certa hiperatividade e passou a estar medicado para esta perturbação de comportamento, mas… «ficava prostrado e dava-lhe uma certa agressividade.» «Já não estava a fazer bem. O médico não gostou que lhe tirasse, mas o Pedro cresceu e começou a ter mais controlo nas próprias emoções e nunca mais precisou dessa medicação», refere.

«Não há explicação para a deficiência do meu filho»

No meio de tanta adaptação, à medida que o filho ia crescendo, as respostas para o estado de saúde de Pedro não chegavam. Até que… «Ele fez testes genéticos e não deu nada. Estava tudo bem. Não houve explicação para a deficiência do meu filho. Posso ter contraído um vírus na gravidez, uma infeção, mas não se sabe…», diz Graça.

E apesar de os médicos dizerem que «não sabem o porquê do Pedro estar assim», quando era mais pequeno diziam que ele nunca iria falar nem andar, mas… «ele é autónomo, fala bastantes coisas, tem uma boa compreensão e é muito inteligente. Ultrapassou todas as expectativas. Cada caso é um caso e as patologias são diferentes», garante esta mãe.

Dois filhos, uma separação e o pedido de reforma antecipada

Quando Marta tinha dez anos e Pedro sete, Graça e o marido, pai dos filhos, seguiram caminhos diferentes. «Foi difícil, mas não desisti. Até porque nessa altura o Pedro andava ao colo e não foi nada fácil», garante.

E uma das maiores dificuldades foi suportar os gastos. «É muito difícil. Pedi reforma antecipada. A empresa onde trabalhei tem um sistema de saúde que me ajuda muito, senão eu não conseguia. Gasto mais de terapias do que ganho de ordenado. Gasto mais de mil euros só para o Pedro. É muito dinheiro», revela. Até porque o Estado, até hoje, em nada ajudou no que diz respeito a materiais de apoio. Apenas recebe o abono de inclusão.

Na verdade, e apesar das dificuldades, Graça faz com que o filho participe em tudo de forma natural, como se não existisse alguma deficiência. «O Pedro faz amigos em todo o lado, toda a gente gosta dele. Na realidade é um miúdo muito simpático e eu tento fazer uma vida mais normal possível com ele».

Por isso, o olhar para o futuro é feito de forma natural. «Tenho esperança que o Pedro ganhe mais autonomia. Gostava que ele daqui a uns anos tivesse um cuidador, mas que ele também tivesse a própria vida. Ainda não pensei muito nisso. Eu ainda acho que sou nova e o futuro dele ainda não o equacionei», diz, com um sorriso.

«A Marta foi vendo que o irmão não era igual aos outros e aceitou-o muito bem»

Quando Pedro nasceu, Marta tinha apenas três anos. À medida que foi crescendo, esta jovem, hoje com 27 anos, foi vivendo “lado a lado” com a diferença. «Ela foi vendo que o irmão não era igual aos outros e aceitou-o muito bem», realça Graça, orgulhosa. Mas faz um parêntesis: «Era mais difícil na escola, porque as crianças/colegas diziam coisas que a magoavam. Tirando isso, sempre lidou bem com a situação do irmão».

Neste momento Pedro faz terapia na Cresce com Amor, onde a evolução tem sido notória. «Ele está sempre a ter aquisições. O Pedro todos os anos está melhor, fala mais, tem mais equilíbrio. É um jovem muito feliz», finaliza esta mãe.

Fotos: Gentilmente cedidas por Graça Lobão

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