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Os pais nunca morrem…

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publicado há 10 meses
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Para a (minha) mãe

Aquela que era rebelde e eu não sabia. Só o soube depois. E agora admiro e aprecio toda a rebeldia e toda a vontade de liberdade e de luta contra a prisão dos outros e de si mesma, mesmo que inconscientemente. Somos parecidas? Somos. Antes tinha vergonha, agora tenho orgulho. Cada vez mais compreendo melhor aquilo a que chamamos de erros e percebo que por trás disso, nas pessoas boas, há um imenso medo de falhar e uma enorme vontade de chegar ao porto de abrigo. Que chegue. E que eu chegue também.

Para relembrar que não sabemos aquilo por que os outros passam se não nos pusermos no lugar deles.
«Walk a mile in their shoes».

Acredito que, de facto, ser mãe e ser pai, no sentido vivencial e não apenas biológico, seja o papel mais difícil que alguém possa desempenhar em toda a sua vida. E nós, filhos, tantas vezes desvalorizamos esse papel.

Tantas vezes nos revoltamos com os seus erros. Tantas vezes me revoltei com os erros dela. Tantas vezes quis que as coisas fossem diferentes e chorei de raiva, de medo, de frustração. Agora acredito que teve que ser assim, que há uma parte de nós que precisa de se zangar com os pais (ou outros cuidadores). Faz parte do crescimento. O que nos rasga por dentro também nos faz crescer. Eles e nós chocamos e é assim que vamos descobrindo quem somos e lutando pela nossa identidade e essência. Eles não são perfeitos e inconscientemente e mesmo tentando fazer o seu melhor, falham. Quando compreendemos que essas falhas fazem parte da vida, aprendemos o que é a compaixão. Quando compreendemos que eles fizeram o que conseguiram na altura e com as ferramentas que tinham, aprendemos a perdoar e a aceitar com o coração. Não esquecemos, porque faz parte da nossa história de vida e essa acompanha-nos sempre, para onde quer que vamos. Mas eles ensinam-nos tanto. Muito mais do que aquilo que acreditam que ensinam. Eles ensinaram-me tanto. O meu pai continua a ensinar, presencialmente. A minha mãe também, de cada vez que descubro em mim um bocadinho dela e o revejo com outros olhos, cresço e aprendo.

Todos se lembram dela. Com carinho. Com respeito. Com admiração.

A «Wild World» (Mundo Selvagem), bela música do famoso cantor Cat Stevens (de nome Yusuf Islam, atualmente) faz-me muito lembrar dela. Principalmente naquela parte que diz:

«Oh querida, querida, é um mundo selvagem
E é difícil atravessá-lo apenas com um sorriso
Oh querida, querida, é um mundo selvagem
E eu sempre me lembrarei de ti como uma criança, rapariga»

Há quem pense que não faz sentido escrever publicamente sobre quem já foi («Walk a mile in their shoes…») e que são parvoíces. Mas isto não é sobre quem já foi, é sobre quem está para sempre, quer eu queira quer não. E eu quero.

Obrigada aos meus pais. Obrigada a todos os pais e a quem toma os seus papéis. Aos presentes, aos ausentes…e, acima de tudo, aos omnipresentes.

 

 

 

Texto: Isabel Lima, Professora do 1.º Ciclo, Estudante de Coaching e de PNL

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