Saúde

Os 7 cuidados que deve ter com a coluna do seu filho no regresso às aulas

Redação
publicado há 1 mês
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Um estudo publicado pelo American Journal of Neuroradiology, revelou que cerca de 50 por cento das crianças sentiram dores nas costas até aos 15 anos de idade. O médico ortopedista e presidente da Associação Sem Fins Lucrativos Spine Matters, Luís Teixeira, alerta para as causas que podem estar na raiz destes números. Para que possam ser evitadas é importante que os pais estejam cada vez mais atentos aos seus sintomas, combatendo ativamente o aparecimento de problemas agravados no crescimento e promovendo os bons hábitos posturais na infância. E em altura de regresso às aulas, os cuidados e a atenção devem ser redobrados.

De acordo com o especialista, «a fase escolar é marcada por transformações significativas na vida das crianças e adolescentes, a nível motor e psicossocial pelo que é importante que os pais estejam atentos às queixas dos filhos e que intervenham na sua correção postural a fim de criar bons hábitos preventivos. Sensibilizar a população mais jovem a promover hábitos saudáveis e educá-los para uma postura vigilante em relação à coluna, é indispensável.» O especialista adianta também que «será a partir dos sete anos que o seu olhar deve estar mais atento aos pormenores e às queixas dos mais novos. Para que consigam também aprender a desvendar corretamente o que sentem. Incentive-os a falar proativamente sobre as dores e a sua descrição».

Por que razão surgem as dores nas costas?

De acordo com o médico ortopedista, «as dores nas costas nas crianças podem ser provocadas por inúmeros fatores, sendo os principais relacionados com uma má postura à secretária ou à mesa, um excesso de carga no transporte das mochilas, falta de exercícios de fortalecimento muscular da zona lombar e um aumento dos hábitos sedentários (muitas horas sentados), obesidade, assim como o excesso de tempo passado nos dispositivos móveis. Também algumas lesões ou quedas podem acabar por gerar episódios pontuais de dores na coluna».

Os cuidados que deve ter com a coluna do seu filho no regresso às aulas:

 

1 – Uso de tecnologias:

Embora acabem por facilitar o entretenimento em casa, e até o estudo, o uso de tecnologias também acaba por contribuir para que a coluna seja sujeita a posturas prejudiciais: cabeça curva e mal apoiada, sustentação do corpo em cotovelos ou outras posições que coloquem a coluna em tensão. Segundo um estudo australiano muito recente da Curtin University of Technology, metade dos estudantes (46,7 por cento) com uma utilização superior a sete horas de computador por semana têm dores no pescoço e ombros frequentemente, além de serem duas vezes mais vulneráveis a desenvolver problemas músculo-esqueléticos no futuro. «Os estudos realizados na área revelaram que a força e peso exercidos no pescoço a olhar para o telemóvel correspondem a uma pressão extrema para esta zona, que pode conduzir a um desgaste precoce e a degenerações, traduzindo-se em queixas, principalmente nas zonas lombar e cervical», explica Luís Teixeira.

Dica para os pais: Controle os horários de uso destes aparelhos e limite o seu uso, instituindo pausas obrigatórias; assegure-se de que no momento da sua utilização as costas estão bem apoiadas e que o dispositivo não obriga a que tenham a cabeça inclinada. Ensine-os a movimentarem o pescoço de um lado para o outro tocando nos ombros, para aliviar a tensão na região cervical.

2 – Postura à secretária:

Tente corrigir a postura junto dos seus filhos enquanto estão a desenvolver hábitos. «As retrações musculares são típicas de quem permanece muito tempo sentado. Embora não possa controlar a mobília utilizada na escola, pode fazer algumas mudanças em casa com o uso de uma cadeira confortável com um apoio lateral (nos braços), com um ângulo reto mas não rígida, e que acompanhe as costas enquanto fazem os trabalhos de casa. Os seus pés devem também estar bem apoiados no chão, num ângulo de 90ºC. Se tem em casa um adolescente que passa bastante tempo ao computador, incentive-o também a fazer pausas com uma caminhada rápida e um espreguiçar (ou outro tipo de alongamento), no mínimo, a cada 40 minutos», destaca o especialista, que salienta também a importância da hidratação.

3 – Peso das mochilas:

Um estudo realizado pela Spine Matters apontou alguns resultados preocupantes dentro desta temática: 1/3 das crianças em idade escolar tem dores nas costas, mas não vai ao médico. O especialista alerta para as consequências de uma carga desadequada e contínua durante o período escolar – e fase de crescimento das crianças e adolescentes, sendo que vários estudos têm apontado para uma correlação entre o peso das mochilas e o aumento de dores nas costas nas crianças, dores de cabeça frequentes e falta de concentração nas aulas: «Muitos alunos suportam 15% ou mais do que o seu peso corporal em mochilas desadequadas, afetando os ângulos dos ombros, pescoço, tronco e membros inferiores, assim como a postura de forma global ao provocar uma curvatura anormal nas costas».

Dica para os pais: Procure pesar as mochilas, evitando este resultado, e incentive o seu filho a organizar e planear os materiais necessários para cada dia de escola, evitando sobrecargas desnecessárias. Confirme também se a escolha é a mais adequada, se distribui o peso uniformemente, tem as alças ajustadas, um encosto maleável e divisórias que ajudem na distribuição do peso, não existindo oscilação. E as malas com rodinhas ao contrário do que muitas vezes se pensa, não são a melhor solução, uma vez que sobrecarregam um lado.

4 – Prática de atividade desportivas na escola e fora dela:

A prática da atividade física é importante para o desenvolvimento e fortalecimento muscular, mas também de uma boa postura, melhor mobilidade e resistência para o futuro. Além disso, a prática desportiva previne a obesidade, uma das principais causas de dores nas costas em qualquer idade. Luís Teixeira, recomenda a prática de desportos aquáticos “pela ausência de impacto nas articulações que permite uma liberdade de movimento e normalidade na respiração e circulação benéficas aos desenvolvimento da criança. A atividade física bem orientada por professores de educação física quer a nível escolar ou extra-curricular é altamente vantajosa.”

5 – Um colchão errado

Apesar de menos frequentes, as dores causadas por uma má postura durante o sono também podem surgir. Pelo que uma almofada adequada (e ortopédica), assim como um bom colchão, são sempre algo a considerar. A relação entre a cabeça/tronco da criança é diferente da do adulto, devendo as suas almofadas por esse motivo ser mais baixas. «Verifique se a almofada está bem colocada deitando a criança de lado e identificando se deixa o pescoço, a cabeça e a coluna alinhados», aconselha o médico ortopedista e especialista em patologia da coluna vertebral.

6 – Excesso de stress

«Embora seja um conceito ainda negligenciado, o stress e a ansiedade nas crianças devem ser considerados», salienta o médico. Embora os seus problemas lhe possam parecer em menor escala, como o excesso de trabalhos de casa ou a dificuldade de os executar, estas perturbações e ansiedade podem desenvolver tensões musculares desproporcionais e/ou originar dores nas costas. Ajude-os criando tempo livre para que possam brincar e ser crianças. Inscreva-os também em atividades desportivas, para que trabalhem diferentes grupos articulares e musculares.

7 – Valorize as suas queixas

O médico aconselha os pais a escutarem as queixas e saberem identificar os sinais: «É importante que os pais estejam atentos às queixas de dor nas costas, mudança na postura (se a criança se inclina para a frente, para trás ou para o lado) ou se tem marcas das alças da mochila nos ombros. Quando existir alguma dor, é importante que se questione sobre as atividades do dia da criança que podem ter causado um desconforto, como um novo exercício físico. No caso de uma dor recorrente, com aumento progressivo, que persista durante a noite, durante os períodos de repouso, ou que dure mais de uma semana é importante despistar o caso com um especialista. Febre, alterações de sensibilidade ou perda de força são motivo de alerta, pelo que não deve esperar tanto tempo», conclui o especialista.

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