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Neonatologia: O texto que reconhece o trabalho dos enfermeiros que cuidam de bebés prematuros

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publicado há 12 meses
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Não tenho muita experiência com bebés prematuros, nem nunca trabalhei num serviço de neonatologia. Estes bebés e as suas famílias são de facto um exemplo de luta, de esperança, de amor.

Mas as minhas palavras vão para os profissionais de saúde que trabalham nestas unidades. Médicos, enfermeiros, auxiliares. Dou por mim a pensar como será trabalhar num serviço destes… Acompanhar as lutas dos bebés e das suas famílias. Festejar todas as pequenas vitórias, cada novo marco, cada nova semana, cada batalha ganha nesta guerra contra o tempo…

Como será reencontrar estes bebés meses mais tarde e ver o quanto cresceram? Como será saber que se fez parte daquela história, daquela família, daquele final feliz?

No entanto, não são apenas os finais felizes que compõem a história destes profissionais. A neonatologia é um dos serviços com maior taxa de mortalidade no mundo da pediatria.

Como será acompanhar bebés e famílias numa luta constante em que cada segundo conta? Como será viver com a pressão de saber que num minuto tudo pode mudar? Como será saber que se dá o seu melhor, e mesmo assim muitas vezes o melhor não chega? Como será ver um bebé desistir de lutar porque aquela luta se tornou demasiado feroz?

Como será viver dias, semanas, meses, a cuidar de um bebé e de repente ver o mundo daquela família desabar? Como será acolher a dor daquelas famílias? Como será dar colo aqueles pais e ter muitas vezes vontade de chorar com eles? Como será viver isto repetidamente, durante anos?

A carga emocional de quem trabalha num serviço destes é inigualável. Estes profissionais são muitas vezes os pilares destas famílias durante o tempo de hospitalização dos bebés. São muitas vezes os cuidadores emocionais de quem por ali passa.

Mas quem cuida deles? Quem cuida da sua dor quando veem mais um bebé perder a sua luta? Quem cuida da sua dor enquanto cuidam da dor da família?

Não tenho resposta a estas perguntas.

Apenas sei que frequentemente guardam a sua dor, e voltam à luta, há sempre outros bebés para cuidar, outras batalhas para acompanhar, porque esta luta contra o tempo não acaba nunca num serviço destes…

Por tudo isto, aqui fica a minha homenagem e admiração a todos estes profissionais! E claro, todo o meu respeito e admiração por estes bebés e suas famílias!

A todos vós, bebés, pais e profissionais, a vossa grandeza, coragem e determinação ultrapassam tudo aquilo que se possa ter conhecido antes… Antes de se entrar no mundo da prematuridade!

 

 

 

Texto: Cátia Godinho do projeto A Nossa Mãe é Enfermeira

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