Recém-nascido

O “murro no estômago” de ter um filho prematuro, depois de sonhar com um bebé perfeito

Redação
publicado há 3 semanas
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O nascimento de um filho é o momento mais emocionante na vida de um casal. Mas nem sempre as expectativas correspondem à realidade. E a desilusão de não ter um bebé perfeito ganha uma enorme dimensão.

Durante os nove meses de gravidez, qualquer casal sonha com o dia em que o filho vai nascer. Há um processo de preparação, quer a nível psicológico, quer a nível logístico. Há tudo para montar, o quartinho, o berço, o fraldário… Tudo tem de estar perfeito para receber a criança em casa. Escolher a primeira roupinha que vai vestir é também uma das preocupações especiais dos pais. Mas o fundamental é que nasça saudável e sem qualquer problema de saúde.

No caso do parto prematuro, esta imagem idealizada não corresponde à imagem real e a distância entre estas duas imagens torna-se enorme. A ideia de ter um bebé lindo, gorducho, cheio de vida e saúde morre quando os pais são confrontados com a realidade: um recém-nascido prematuro, com a pele enrugada, muito pequenino e magrinho.

Segundo a XXS – Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro, «torna-se necessário desenvolver um processo de “luto” relativamente ao bebé idealizado e de enamoramento para com o bebé real». Este processo pode passar por «sentimentos de choque e de descrença, seguidos por sentimentos de tristeza, depressão e zanga até que aconteça a aceitação da situação».

Encarar a realidade é «difícil, doloroso e demorado». É normal ocorrer um misto de emoções e mecanismos de defesa individuais que permitem afastar sentimentos de depressão, culpa e falta de valor próprio. Os pais vão precisar de tempo para pensar, refletir, sentir e falar da desilusão que estão a viver. É também natural que tenham sentimentos de falhanço e impotência. Há que aprender a lidar com a nova realidade.

«Este processo de “luto” é essencial para permitir a reorganização emocional e a aceitação do bebé real», pode ler-se no site oficial da associação de apoio aos pais de bebés prematuros.

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Ter um bebé prematuro internado nos cuidados intensivos é das coisas mais chocantes para qualquer família. «As reações emocionais podem até mudar muito rapidamente e tornar-se uma verdadeira “montanha-russa” de emoções. Pode haver dias positivos em que tudo parece correr bem, dias menos positivos em que tudo parece correr mal, num minuto os pais estão zangados, no outro eufóricos, a seguir deprimidos e sentem-se culpados. Tudo isto é normal. Tendo em conta as circunstâncias, que muitas das vezes podem mudar ao longo do dia à medida que a condição do vosso bebé melhora ou piora, é normal que tenham de se ver confrontados com uma série de emoções diferentes», diz a XXS.

Os sentimentos que os pais sentem, mas que são normais:

  • Dor, choque e negação
  • Culpa e auto-censura
  • Rejeição do bebé
  • Raiva
  • Medo, preocupação e ansiedade
  • Tristeza
  • Solidão

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Como lidar com estes sentimentos?

Segundo a XXS, é fundamental encarar a realidade, falar sobre o que aconteceu, desabafar, partilhar com outros pais que já passaram pelo mesmo, chorar se houver essa vontade e nunca reprimir essas emoções de tristeza, pois ajuda a reduzir o stress e a aceitar de certa forma o bebé prematuro.

É importante também procurarem respostas para tentarem perceber o que aconteceu. Desta forma, o sentimento de culpa e auto-censura acaba por desvanecer. Procurem médicos, enfermeiros, psicólogos… eles são os melhores profissionais para vos ajudar.

Não deixem de criar memórias, tirar fotos, fazer vídeos, relatar todos os acontecimentos. Celebrem as mudanças, a evolução, as melhorias!

A associação usou como fontes os livros ‘Nascer prematuro – Um manual para os bebés prematuros’ e ‘Guia dos Pais do Bebé Prematuro’, e ainda o site www.aboutkidshealth.ca

Leia o artigo completo aqui.

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