Educação

Motivar é fundamental para superar as dificuldades de aprendizagem

Redação
publicado há 7 meses
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As dificuldades de aprendizagem podem e devem ser alvo da intervenção de psicólogos, dos professores, mas também (e especialmente) dos pais e/ou cuidadores. Com o apoio e intervenções adequados, as dificuldades de aprendizagem podem não ser entrave ao sucesso escolar e profissional.

O psicopedagogo Reuven Feuerstein afirmava que a inteligência pode ser «expandida». Segundo ele, qualquer pessoa, independentemente da sua idade e do seu desenvolvimento mental, pode desenvolver a sua inteligência e adquirir a capacidade de aprender. As intervenções podem ser diversas e podem ir de simples ajustes na sala de aula (atribuição de lugares especiais, tarefas e avaliações escolares alternativas, etc.), à introdução de equipamentos especiais (fonadores, calculadoras falantes, etc.).

Uma outra alternativa poderá ser a diferenciação curricular, ou seja, a adaptação do currículo às características de cada aluno, com a finalidade de maximizar as suas oportunidades de sucesso escolar. Esta diferenciação pode ser concebida nos vários níveis de decisão do sistema educativo, tomando caraterísticas diferentes:

  • A nível do sistema educativo, pela criação de vias diferenciadas de estudo (por exemplo, a via técnica que existiu no ensino liceal até ao 25 de abril ou, mais recentemente, a criação dos Cursos de Educação e Formação);
  • A nível da escola, pelo estabelecimento de diferentes abordagens curriculares para grupos específicos (por exemplo, a elaboração de currículos alternativos para grupos de alunos com insucesso escolar e/ou em risco de abandono escolar) ou para alunos individuais (como é o caso dos Currículos Específicos Individuais para alguns alunos com NEE);
  • A nível da sala de aula, através da organização da turma em subgrupos de acordo com determinadas características comuns (geralmente, agrupados pela diferença manifestada face ao nível de aprendizagem que os professores consideram ser o normal num dado ano/período escolar), através de adequações curriculares individuais ou ainda através de processos de organização alternativa das atividades de aprendizagem.

Tratando-se de um fenómeno que ocorre numa tão vasta diversidade de situações, o pilar primordial para uma intervenção de qualidade no âmbito das dificuldades de aprendizagem é necessariamente uma boa avaliação de cada caso. Para tal e para além da intervenção psicológica propriamente dita que passará pela avaliação cognitiva do aluno, há que identificar o seu perfil de aprendizagem, para o qual é indispensável a observação atenta do professor e da sua família.

Compreender a criança no seu contexto é fundamental para o planeamento eficiente de uma intervenção cabal na sua dificuldade de aprendizagem. Adotando uma flexibilidade essencial a qualquer intervenção no desenvolvimento humano, o diagnóstico da dificuldade de aprendizagem deve ser uma construção conjunta entre os diversos cuidadores, todos focados no seu bem-estar.

Tudo é mais eficaz se mediado por uma relação de atenção e cuidado. Por vezes, só a perceção de que se é alvo de atenção e preocupação é suficiente para que a dificuldade de aprendizagem seja francamente diminuída. É fundamental que quem aprende se sinta confortável e motivado ao longo da intervenção e que invista nesta, com tanta intensidade quanto lhe for possível. Conciliar uma boa intervenção do ponto de vista técnico, com a capacidade de motivar e envolver quem aprende e de lhe devolver a confiança e a segurança nas suas próprias capacidades e competências são os maiores desafios a superar.

 

 

 

Texto: Diana Dias, vice-reitora da Universidade Europeia

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