Educação

«Mamã, papá, o Pai Natal existe mesmo?»

Redação
publicado há 2 meses
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Leia o artigo de opinião da psicóloga clínica Vera de Melo, sobre a imagem que as crianças têm da figura do Pai Natal.

 

«Desde tenra idade que acredito no velhinho de barbas brancas, que no seu saco gigante traz os presentes. Quando tinha 12 anos e tive a triste notícia dada pela minha amiga Joana, nem queria acreditar. Destruía-se o sonho e por momentos o Natal perdeu a magia. Mas ainda piorou, quando questionei a minha mãe e ela manteve as palavras da Joana. Não podia ser verdade… fiquei triste. Mas depois percebi que todos acreditam e decidi de outra forma continuar a acreditar. Hoje, digo ao meu irmão que ele existe e alimento a fantasia e divirto-me imenso. Todos os anos peço que ele não descubra a verdade. Tem tempo…» Catarina, 15 anos

Acreditar no Pai Natal ou na Fada dos Dentes, por exemplo, é completamente inofensivo para o desenvolvimento psicológico da criança. Este brincar “ao faz de conta”, estimula a imaginação e a criatividade, favorecendo a construção de uma estrutura emocional mais complexa.

Mas, o que aconteceu à Catarina pode acontecer a qualquer criança. De repente, quando menos espera, alguém conta a verdade nua e crua: o Pai Natal não existe.

Quando o segredo é revelado, os pais, devem agir em consonância com o que a criança já sabe. Devem auxiliar as crianças no processo de encontrar respostas para as suas perguntas e dúvidas, incentivando o processo de descoberta.

É natural, que com o passar do tempo e com o desenvolvimento cognitivo, surjam dúvidas e questões acerca da existência do Pai Natal. O sentido critico começa a desenvolver-se, as crianças estão mais atentas a tudo o que as rodeia e escutam as conversas dos adultos. Gradualmente também vão passando de um estado onde predomina uma maior fantasia para um estado onde predomina a realidade.

Manter o segredo não está no controlo dos pais e o inevitável ocorre… descobrem a verdade. O desfecho, esse pode ser diferente de criança para criança. Algumas, apesar de saberem que o Pai Natal não existe, preferem continuar a manter a magia a ele associada.

Em regra, condenam-se muito mais os pais por terem mentido do que as crianças por terem sido enganadas.

A confiança nos pais não é afetada por esta situação. As crianças podem ficar ligeiramente desapontadas ou mesmo até zangadas mas, rapidamente, a desilusão dá lugar a umas valentes gargalhadas. Afinal todas as crianças acreditam e todas vivem essa ilusão.

Os Pais, esses, só devem esperar serenamente que a criança tenha dúvidas e, no momento certo, optar por contar a verdade, sem precipitações, sem ansiedades.

Sugiro que o façam de forma tranquila, com uma linguagem adaptada à fase de desenvolvimento em que cada criança se encontra. Comecem por perguntar o que a criança sabe sobre o Pai Natal. Depois, contem-lhe aos poucos a verdade.

O segredo para que tudo corra bem é estimular sempre o bem-estar psicológico da criança. E aqui, embora não exista o Pai Natal existe tudo aquilo que ele significa.

O Pai Natal não vai deixar de existir totalmente. O velhinho das barbas brancas irá dar lugar ao espírito de Natal, a empatia, o amor ao próximo a generosidade e bondade, o que realmente importa.

Texto: Ana Martins

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