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A linguagem universal da maternidade

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publicado há 3 meses
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Enquanto observo o meu reflexo no espelho e percebo um ligeiro aumento de rugas à volta dos olhos, novamente vem-me à cabeça a frase que sempre repito: «Não, eu não gostava de ser mais nova, nem de voltar no tempo.»

Parece retórica, mas não é. Do alto dos meus 46 anos, a imagem que vejo no espelho é a de uma mulher vencedora. Sim, uma brasileira que trabalha desde os 17 anos de idade, que teve a oportunidade de casar uma segunda vez em busca da felicidade e que, principalmente, teve a honra, o privilégio, a dádiva de ser mãe (aos 35 e aos 43 anos, no ocaso da sua fertilidade).

Respiro fundo, olho para o relógio e vejo que estou atrasada para mais um dia de luta. Vamos em frente!

Hoje estou particularmente pensativa. Às vezes gosto de fazer uma retrospetiva e reviver todos os pequenos momentos que tornam minha vida especial.

Quando é que poderia imaginar que conseguiria engravidar aos 42 (quase 43 anos) sem tratamento médico, no primeiro mês de tentativa? Quando é que poderia imaginar, que apesar de todos os potenciais graves riscos que cercam uma gravidez nessa idade, eu não teria sequer enjoo? Quando é que poderia imaginar que na minha licença maternidade eu resolveria dar vazão ao que realmente amo fazer, ou seja, criar, escrever, dizer ao mundo, em forma textual, o que penso, o que sinto e o que vivencio com as duas criaturinhas pelas quais eu daria a vida?

Quando, por fim, eu imaginaria que, aos 45 anos, resolveria aprender uma segunda língua, o idioma espanhol, e que a partir daí eu estaria emocionalmente conectada com outras mães ao redor do mundo? Sim, esse foi um ganho muito, muito significativo ao criar as minhas páginas nas redes sociais escrevendo em espanhol, e nelas retratando (a exemplo do meu blog e das minhas páginas nas redes sociais, em português) o meu dia a dia de mãe.

E o que antes eu conseguia partilhar por meio da língua portuguesa, agora consigo partilhar também com mães de muitos outros países de língua espanhola. Lembro-me de cada uma das mensagens de mães de outros países e continentes, que repartem comigo os mesmos desejos, as mesmas dúvidas, as mesmas ansiedades e preocupações.

Ainda que existam diferenças culturais (específicas e pontuais de cada país), a linguagem da maternidade é universal. Temos um dialeto próprio que nos une, já que a maternidade não conhece fronteiras. Ser mãe é compreender o significado arrebatador de um amor visceral, que invade cada célula do nosso corpo ao abrigar no ventre um ser que será uma parte de nós para sempre, conectados vida afora por um cordão umbilical invisível.

Os meus pensamentos são bruscamente interrompidos pela buzina do carro atrás do meu. Sorrio e penso: hora de ganhar o mundo!! Não sem antes ligar para casa e perguntar se a pequena tomou o biberão, se a minha filha mais velha está a fazer os trabalhos de casa, se tem ração suficiente para a cachorrinha, se, se, se, numa interminável profusão de perguntas que anseiam por respostas que devem acalmar o coração de uma mãe que passará a maior parte do dia longe dos filhos.

E apesar do dia cheio de atividades, lutas, conquistas, derrotas e vitórias, chegarei a casa ao final de um dia de trabalho e desempenharei, como todas as mães ao redor do mundo, o melhor papel da minha vida: ser a melhor mãe que consigo ser.

Texto: Marcella Bisetto, mãe, advogada e escritora apaixonada

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