Será que conseguimos pensar num professor que nos marcou? Por que marcou?
Todos sabemos que o professor pode marcar o nosso filho para o resto da sua vida… positiva ou negativamente! Vamos centrar-nos no positivo… O bom que lhe pode transmitir, no melhor que o pode tornar!
O professor de matemática tem um papel muito importante no desenvolvimento do gosto, da motivação e da fome do saber do aluno com quem está a trabalhar. Os pais ajudam a semear e juntos conseguimos ir mais longe!
A ideia é mesmo esta, juntos, em conjunto, tornar a educação e as aprendizagens daquele nosso filho, as mais interessantes possíveis.
Sabemos que quando algo não corre tão bem, quando as dificuldades são mais sentidas, uma palavra do professor, um reforço, um voto de confiança podem fazer toda a diferença. Seja em casa seja na escola.
Mas é importante, se não fundamental, que as famílias se aproximem da escola e a escola se aproxime das famílias. Num percurso de confiança, respeito, reconhecendo tarefas e funções distintas mas que se completam.
Temos de confiar na escola que escolhemos para o nosso filho
Essa é certamente a melhor de todas! Mas não há perfeição e, escolas, como famílias, são formadas por pessoas… e pessoas têm falhas, têm dias melhores e dias piores, têm momentos muito bons e têm alguns menos interessantes. Se a escola se esforçar por encontrar falhas nas famílias, vai certamente encontrar.
Se as famílias se esforçarem por encontrar falhas na escola e nos professores, vão certamente encontrar. Mas se juntos nos esforçarmos por fazer mais e melhor, corrigindo erros, encontrando alternativas, dando foco às soluções e não aos problemas… iremos certamente mais longe!
Com a matemática funciona da mesma maneira, não esquecendo que por ser uma disciplina que se estuda de outra forma, que exige trabalho constante, que lida com o erro diariamente e com a frustração e a dificuldade. A nós, pais, cabe-nos a certeza de que o nosso filho irá mais longe se se sentir acompanhado, acarinhado e amparado na dificuldade, transmitindo sempre que um aluno a matemática melhora se conseguir ser um aluno (mais) perspicaz, (mais) dedicado, (mais) trabalhador, (mais) atento ao pormenor, (mais) recetivo à dificuldade e (mais) curioso face às situações novas.
É importante transmitirmos que o esforço faz parte e nem sempre é diretamente proporcional ao resultado obtido. Que nada se consegue sem trabalho e que uma das competências que irá distinguir os nossos filhos no futuro será a capacidade de trabalho e isso desenvolve-se na sala de aula de matemática e fora dela também!
A empatia com o professor
É importante que um professor de matemática crie empatia, desafie os alunos, deixe que pesquisem, lance desafios… mas também é importante que crie momentos de trabalho, de resolução de exercícios e problemas, que transmita rigor e que crie oportunidades para todas as perguntas.
Deixar os alunos colocarem perguntas, deixar que desabafem o que tantas vezes lhes vai na cabeça; «para que me vai servir isto?», tentar colocar-se na idade deles e questionar «porquê?» e «por que não?»…
Cabe-nos a difícil tarefa de ensinar os alunos a fazerem perguntas. A procurarem as respostas e a olharem as respostas de forma crítica e ver se fazem sentido no contexto do problema.
Fazer perguntas e sonhar: dois caminhos que gosto que se cruzem e nos quais, pais e professores, servimos de impulso. Eu, pelo menos sinto-me assim.
Criar hábitos de questionar, os conteúdos, os acontecimentos, as emoções… o porquê e o por que não?
E cabe aos professores (de matemática) incentivarem às perguntas e serem orientadores de sonhos. Ajudar a que os alunos sonhem muito e sempre, tenham eles três anos ou 20 anos, sonhem com pés na terra e asas no céu… conscientes das dificuldades, que batalhem com foco no objetivo, que ultrapassem derrotas mas sobretudo que se sintam inspirados pelo nosso papel de “orientadores” de sonhos!
Devemos confiar nos professores.
Devemos confiar nas famílias.
Devemos confiar no lugar que cada um ocupa.
Conectados tornamos o mundo melhor.
Se isto vai fazer falta na sala de aula de matemática? Vai! Nem imagina quanto!
Ao longo deste mês de março vou estar À conversa com pais em várias cidades, Arganil, Lisboa, Ponte de Lima e Viana do Castelo.
Mais informações aqui.
Texto: Inês Ferreira Cruz, autora do blogue Inês Ferreira Cruz
