Família

Férias dos miúdos: Ideias de jogos que os deixem ser crianças!

Redação
publicado há 5 meses
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Inês Ferreira Cruz explica como, em modo férias, sem rotinas, sem horários, sem preocupações, mas com imensos momentos em família, tudo se pode tornar divertido. Sempre com a matemática de fundo, mas com foco no divertimento.

Como mãe revejo-me em algumas preocupações que vários pais vão partilhando comigo. Como posso ajudar o meu filho nas férias a fazer algo mais interessante do que jogar consola ou ver televisão?

Como fazer com que estude para não chegar a setembro com tudo esquecido?

Como criar momentos mais lúdicos em que a brincadeira seja o mais importante mas também onde se possa trabalhar matemática? Como?

Estas e outras questões acabam por me ir chegando de pais com filhos de diferentes idades, não são só os pais de adolescentes que têm estas preocupações, não são só os pais de crianças em idade pré escolar… é transversal.

As férias têm de ser tempo de tudo. De televisão, de playstation, de deitar tarde, de dormir até acordar, de ver vários episódios da mesma série uns após os outros, de tudo e de nada!

Já escrevi sobre algumas destas ideias, mas nunca é demais reforçar que a matemática, e um dos objetivos do projeto, é transmitir esta ideia às famílias, é muito mais do que os conteúdos que aprendem na sala de aula.

A matemática não se encerra nas aprendizagens dentro de quatro paredes e em três períodos por ano!

Deixemos a sala de aula para o professor e pensemos como podemos nós, pais, não necessariamente ensinar matemática, mas desenvolver competências matemáticas, que farão toda a diferença na sala de aula.

Hoje partilho duas ideias de jogos que podemos colocar na carteira, no saco da praia ou na mala do carro e que podem ser úteis para jogar, por exemplo, na praia ou na mesa da esplanada, após um almoço de domingo em casa dos avós, num dia de sol ou num dia encoberto.

Quais são os jogos?

Um dos jogos chama-se MathDice e é constituído por cinco dados cúbicos numerados de um até seis e um dado com 12 faces conhecido como dodecágono, numerado de um até 12.

É também um jogo que se pode jogar em família e adaptar dificuldades quando as crianças ficam mais crescidas.

Este jogo é mais uma dica para todos os pais que me vão pedindo ideias de jogos que desenvolvam o cálculo mental e ajudem a estimular as operações básicas (somar, diminuir, dividir, multiplicar)…

O jogo permite trabalhar competências matemáticas associando também o cálculo mental.

Lançam-se todos os dados.

A face que ficar voltada para cima no dado de 12 faces será o número que iremos ter de formar utilizando todas as faces voltadas para cima nos dados cúbicos através das operações básicas.

Um exemplo:

No dado de 12 faces saiu o número 10.

Com os restantes números das faces dos dados cúbicos teremos de os agrupar de forma a que o resultado seja o 10 que pretendemos.

Há diferentes formas de chegarmos ao número, o que torna o jogo mais giro e mais rico.

Recorremos muitas vezes à tentativa erro o que também ajuda os nossos filhos a desenvolverem competências no raciocínio e na estratégia.

Neste exemplo, com o 1, o 2, o 3, o 4 e o 6 como podemos chegar ao 10?

Se somarmos tudo? 1+2+3+4+6 ultrapassa o 10!

Se multiplicarmos alguns? E se usarmos a subtração?

Não temos de ser pais com muito cálculo mental… deixemos para trás esta ideia de que só quem é da área pode divertir-se com estes jogos!

Bastava-nos o 6+4 e já teríamos o 10 mas temos de utilizar TODOS!

E se tentássemos que os outros se anulassem?

E se fosse (6+4)-(3-2-1)?

E se fosse (6+4)*(3-2)*1?

Ou (6+4)+(3-2-1)?

Provavelmente até já lhe ocorreu outra forma e isso é lúdico e pedagógico, perceber que há vários caminhos para o objetivo (gosto muito que todos entendam que não temos de fazer todos da mesma forma, que há raciocínios diferentes e que isso pode enriquecer e muito a sala de aula!).

Se a criança é mais pequena podemos tentar só usar a soma e a subtração, podemos deixar que jogue os dados mas possa escolher um dos dados cúbicos para não entrar nas operações… a ideia é ir simplificando enquanto são mais pequeninos mas depois gradualmente ir dificultando…

Se erra a operação podemos dizer que escolhemos uma consequência e tem de saltar ao pé coxinho o mesmo número de vezes que o número maior que apareceu nos dados e se ganhou podemos inventar algo do mesmo género, como ir dar um mergulho contando os segundos debaixo de água igual ao valor maior do cubo dodecágono… sempre pensando em momentos divertidos!

A outra ideia é o UNO.

O UNO é um jogo de cartas conhecido por quase todas as famílias.

Através do UNO podemos desenvolver competências matemáticas mas sobretudo ter momentos de divertimento sem que alguém se lembre da tão “amada” matemática.

Ao contrário dos jogos de cartas mais conhecidos que exigem alguma maturidade para que a criança os possa jogar e até memória mais desenvolvida e criação de estratégias, o Uno pode ser jogado por um adulto ou uma criança mais pequena desde que reconheça os números e as cores!

Mas se a criança é mais pequenina ou se há um momento em que todos os elementos que costumam jogar estão ocupados, podemos deixar que brinque com as cartas de uma outra forma:

– pode agrupar por cores;
– pode agrupar por números;
– pode colocar por cores e por ordem crescente ou decrescente;
– pode colocar por ordem crescente e intercalar as cores;
– pode construir uma torre de cartas mantendo o equilíbrio entre todas.

No jogo, neste e noutros, crianças e adultos, irmãos mais novos e mais velhos, todos podem aprender:
– a saber esperar,
– a não perder oportunidade,
– a perder e a ganhar;
– a estar atento e concentrado criando uma estratégia para ficar com menos cartas;
– a ser persistente;
– a pensar antes de jogar.

Se isto vai fazer falta na sala de aula de matemática?
Vai! Nem imaginam quanto!

Texto: Inês Cruz, professora de matemática e autora blogue Inês Ferreira Cruz

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