Saúde

Hospitalização domiciliária: Uma realidade em Portugal

Redação
publicado há 3 meses
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Leia o artigo de opinião de Francisca Delerue, Internista e Membro da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI).

 

No contexto da pressão crescente colocada sobre a necessidade de mais e melhor desempenho dos cuidados hospitalares e simultaneamente da maximização da eficiência na utilização dos escassos meios disponíveis, a hospitalização domiciliária surge como uma resposta que pretende conjugar estes objetivos e ainda o aumento do bem-estar dos doentes e suas famílias.

Este conceito surgiu pela primeira vez em 1947, nos Estados Unidos da América, com a experiência “Home Care”, que visava descongestionar os hospitais, assim como criar um ambiente psicológico mais favorável para o doente. Já a primeira unidade a operar neste âmbito chegou à Europa apenas em 1957, a um hospital francês, sendo que no ano de 1996, o Comité Regional da Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS) promoveu o desenvolvimento do “Hospital para Cuidados de Saúde”, também conhecido como “hospital em casa”, seguindo o modelo americano.

A hospitalização domiciliária define-se assim como um modelo de assistência hospitalar direcionado para a prestação de cuidados no domicílio a doentes agudos, cujas condições biológicas, psicológicas e sociais o permitam. O seu público-alvo centra-se numa população maioritariamente idosa, com elevada prevalência de doenças crónicas e com diversas patologias.

Os candidatos com potencial para serem internados no domicílio são geralmente detetados nas urgências

Focadas no tratamento agudo de um conjunto variado de doenças, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, Insuficiência Cardíaca Crónica, Pneumonia, infeções adquiridas na comunidade ou hospitalar, etc., as Unidades de Hospitalização Domiciliário (UHD) assentam em cinco princípios fundamentais: voluntariedade na aceitação do modelo, igualdade de direitos e deveres do doente, equivalência de qualidade na prestação dos cuidados, rigor na admissão de doentes e no seu seguimento clínico, humanização de serviços e valorização do papel da família.

Perante uma realidade onde se insere o doente complexo, com múltiplas doenças, o médico que lidera uma UHD deverá ter uma formação generalista e uma visão holística do doente, pelo que os especialistas em Medicina Interna se afiguram com o perfil recomendado.

Os candidatos com potencial para serem internados no domicílio são geralmente detetados nas urgências. Após esta identificação, é necessário haver um diagnóstico definido, a sua estabilidade clínica, bem como a possibilidade de controlar as co-morbilidades no domicílio.

A Hospitalização Domiciliária é uma realidade em Portugal

Após esta referenciação, o doente é submetido a uma avaliação em três eixos: médico, enfermeiro e assistente social.

No futuro deve ser implementada a ideia que nos hospitais deverão ficar os doentes mais graves, que necessitam de uma maior vigilância, podendo os doentes estáveis fazer o seu internamento no domicílio.

Desde o início da hospitalização domiciliária em Portugal, no Hospital Garcia de Orta (HGO), em novembro de 2015, foi possível a sua divulgação e implementação. Em outubro de 2018, vinte e três hospitais assinaram contratualização com o SNS, para abertura destas unidades e atualmente já existem dezanove unidades a funcionar por todo o país.

Podemos assim dizer que a Hospitalização Domiciliária é uma realidade em Portugal.

Foi neste contexto que a UHD do HGO e de Vila Nova de Gaia consideraram ser a altura ideal para formar o Núcleo de Estudos de Hospitalização Domiciliária, no sentido de uniformizar este conceito e criação de grupos de trabalho em diferentes áreas para elaboração de protocolos, a serem utilizados a nível nacional.

Procura-se assim contribuir para serviços hospitalares sem muros, garantir mais e melhores acessos aos cuidados de saúde, reduzir as complicações inerentes ao internamento convencional (como as quedas, as infeções nosocomiais e os quadros confusionais agudos), criar um entorno psicológico mais favorável ao doente, durante o período de tratamento, e valorizar o papel da família/cuidador, prevenindo a rejeição, o abandono e a institucionalização.

 

Texto: Artigo de Opinião de Francisca Delerue, Internista e Membro da SPMI

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