Família

Histórias inspiradoras: Ana Fonseca abandona tudo para ser mãe e lançar marca de sucesso

Filipa Rosa
publicado há 2 semanas
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Se há coisa que não pode faltar numa casa feliz é um belo retrato de família. A maioria das pessoas tem várias fotografias com os filhos espalhadas pela sala ou outras divisões. Ana Fonseca conseguiu marcar a diferença ao ilustrar uma família em quadros personalizados, ilustrados e estampados por si.

Em entrevista ao site Crescer, a ilustradora, de 32 anos, recorda como tudo começou. «Desde que entrei no mundo da ilustração que, por brincadeira, comecei a ‘transformar’ as minhas amigas em bonecos. Pegava nas características delas que mais sobressaíam (personalidade, físico, gostos…) e tentava transformar isso num retrato ilustrado. A verdade é que, ao partilhar esses retratos, a ideia pegou e rapidamente comecei a ter encomendas de outras pessoas para fazer o mesmo com elas. Com isso vieram também os pedidos de casal, de animais de estimação e de famílias completas», explica orgulhosa do seu trabalho.

As ilustrações podem ser aplicadas em vários suportes e um dos seus sonhos sempre foi ter uma marca de produtos ilustrados por si, que pudesse criar de raiz, idealizar as coleções, desenhá-las e aplicá-las a objetos do dia-a-dia. Em 2018 criou uma nova marca, a Uxinho que mantém em paralelo com a Ana Fonseca Art. «É um projeto ainda em crescimento, mas podem já encontrar por lá almofadas, canecas, cadernos, sacos de pano, entre outras coisas. É possível, por isso, ter uma ilustração de família não só digitalmente, mas também aplicada a qualquer um dos produtos Uxinho. A grande vantagem é que todos os produtos podem ser criados ao gosto do cliente, de forma exclusiva! Ana Fonseca Art e Uxinho são dois projectos distintos mas que se complementam», explica.

«O que mais me fascina é pegar em cada pormenor das fotos e da descrição que o cliente me envia e representá-lo no desenho de forma a que o cliente se identifique e identifique a sua família. E deixa-me muito feliz saber que há famílias que têm um bocadinho de mim em sua casa, que todos os dias olham para um trabalho meu, que faz parte do seu dia-a-dia. É fascinante e gratificante.»

O carinho do público é o mais gratificante para Ana. «Felizmente o feedback tem sido muito positivo! As pessoas identificam-se, reparam nos pormenores e, por norma, os clientes voltam. Seja para encomendar uma prenda personalizada para um familiar, seja para me pedirem que aplique o retrato da sua família num dos produtos da Uxinho… tem sido muito bom! Sentirmos que o cliente notou o amor que depositámos na sua ilustração e que ficou feliz com o resultado é o maior elogio», diz.

O pedido mais especial

Para Ana Fonseca, «todos os pedidos são diferentes e uma nova aventura, as famílias são todas tão únicas!» Porém, a designer não esquece uma das suas encomendas mais especiais. «Confesso que um dos últimos retratos que fiz me marcou pelo facto de ter de representar, de forma leve e feliz, um dos membros que já não está entre nós. Quando a cliente me contactou foi um misto de ‘sim, quero tanto desenhar a sua linda família’ e de ‘como é que vou conseguir dar leveza a este assunto tão delicado?’. No final correu bem e a cliente mostrou-se muito feliz e satisfeita. É o mais importante», recorda.

A cliente chama-se Lueci e, quando soube da entrevista do site Crescer a Ana Fonseca, prontificou-se a deixar uma mensagem para enaltecer o seu trabalho: «Quando descobri o trabalho da Ana logo pensei que seria a pessoa ideal, sensível para conseguir transparecer a verdadeira essência do real retrato da minha família de forma leve. A delicadeza e profissionalismo com que tratou foi imprescindível para tornar se inesquecível tanto para minha família como para a própria Ana. Perante este processo verifiquei que a única palavra que identifica o trabalho da Ana é sucesso, pela sua forma esplêndida e delicada de trabalhar. Parabéns, desejo todo o sucesso. Beijinhos minha querida.»

Ana agradece a todas as pessoas que se cruzam no seu caminho por todo o carinho recebido. «Tenho clientes que se tornaram amigas. Clientes que voltaram uma e outra vez, conversa puxa conversa e nunca mais foram embora da minha vida! É maravilhoso!»

Da Covilhã para Lisboa

Tudo começou na Covilhã, de onde é natural e onde conheceu aquele que viria a ser o seu marido. Depois de se formarem juntos em Design Multimédia, decidiram viver em Lisboa. Ricardo recebeu uma proposta irrecusável e Ana não hesitou em acompanhá-lo nesta aventura, porque trabalhava como freelancer. «Pegámos nas poucas tralhas que tínhamos e viemos. Tivemos de encontrar casa num só dia. Habituados a cidades pequenas, com níveis de vida muito mais acessíveis, o primeiro desafio foi encontrar uma casa decente por um valor que pudéssemos pagar. O valor da renda da casa que conseguimos na altura era precisamente o valor que trazíamos no bolso. Nem mais, nem menos. Não foi fácil, mas demos a volta. E desde aí tem sido uma aventura!», conta a artista, apontando a maior dificuldade: as saudades. «Estar longe das nossas famílias é ainda hoje o mais difícil.»

Durante muito tempo, Ana dividiu-se entre um trabalho a tempo inteiro e como freelancer em ilustração de livros e outros pequenos projetos extra que iam surgindo. «Foram anos de muito trabalho, muitas noites sacrificadas, muitas férias não gozadas… Não foi fácil, mas se queria evoluir era preciso! Eu sempre gostei muito de desenhar e sempre tentei, mas não pensava conseguir um dia viver disso. Foi preciso muito esforço, muitas horas de dedicação, muitas tentativas e erros para ganhar confiança e achar que valia a pena partilhar o que fazia. Obviamente nunca me dou por satisfeita e tento sempre evoluir e melhorar ao longos dos anos. Cada trabalho é uma aprendizagem.»

Quando Ana e Ricardo se casaram, rapidamente nasceu a vontade de aumentar a família. Mesmo que, para isso, Ana tivesse que abdicar do seu emprego a tempo inteiro. «Decidi despedir-me e trabalhar apenas como freelancer, conseguindo assim a tranquilidade necessária para preparar o maior projeto das nossas vidas, um filho. Não foi fácil abdicar do meu emprego… sabíamos que as coisas não iriam ser simples, mas na altura entre ter dois ordenados certos no fim do mês ou ter a disponibilidade mental e física para dedicar à nossa família… decidimos pela família», conta aquela que é mãe de Guilherme, um bebé «tranquilo» que a deixou continuar as suas ilustrações em casa… até fazer um ano.

«Aos 11 meses ele já começava a tentar andar, eu não conseguia mantê-lo no mesmo espaço durante muito tempo, já era muito difícil fazer fosse o que fosse, eu própria já estava a ficar mentalmente muito esgotada daquela rotina e, sem qualquer apoio familiar por perto nem ninguém a quem recorrer, achámos que estava na altura de darmos mais um passo: procurar creche. E que dor……. Os primeiros dias passei-os a chorar. As primeiras semanas não conseguia fazer nada em casa mesmo estando sozinha, parecia uma barata tonta! Já não me lembrava de ter tanto tempo livre, não me conseguia organizar, passava o dia a pensar no meu filho… a culpar-me porque o meu menino estava longe de mim. Mas aos poucos fui-me habituando. À medida que ia vendo a evolução dele, que o via tão feliz quando o ia buscar, fui recuperando a confiança no meu trabalho, foram aparecendo novos projetos, novas ideias e as coisas voltaram ao seu ritmo normal.»

Ana continuou o projeto principal de ilustração, onde faz os mais variados projetos como freelancer, desde ilustração de livros infantis, os retratos de famílias, entre outros. E em 2018 nasce a marca Uxinho, um projeto que pretende aliar as suas ilustrações a objetos do dia-a-dia, sempre mais direcionados a crianças e à família.

«Desde que fui mãe que não consigo evitar criar produtos que eu própria gostaria de ter em casa ou no quarto do meu filho. Na Uxinho procuro que os produtos possam ser personalizados para cada cliente, o que nem sempre é fácil de encontrar no mercado. Seja porque dou sempre várias opções de ilustração para cada tema, seja porque têm a possibilidade de colocar o nome e/ou uma dedicatória em cada produto, o que os torna sempre únicos e especiais. Existe ainda a possibilidade de o cliente me encomendar um produto completamente exclusivo. Nesse caso tudo é feito de raiz para ir de encontro ao que pretende – ilustração e/ou texto», refere a designer, que é apaixonada pelo seu trabalho.

Ana não se arrepende de nenhuma opção que tomou até hoje. A luta constante na procura de melhores condições de trabalho, de vida e familiares levou-a a construir aquilo que tem hoje. E é uma mulher feliz e realizada. «O grande objetivo desta opção de vida que tomámos é conseguir gerir o meu trabalho da forma mais independente e conseguir assim continuar a dedicar o máximo de tempo possível à nossa família. Passaram oito anos desde que deixámos tudo para trás. Mas não me arrependo! O meu marido é um homem extraordinário, o meu melhor amigo, um pai super dedicado. Eu trabalho no que me faz feliz. O nosso filho é maravilhoso, está quase a fazer dois aninhos! Sou muito grata por tudo o que construímos. Nem sempre é fácil estar longe das nossas cidades, dos nossos pais e amigos… passei fases muito complicadas. Mas não me arrependo de nada e com o Ricardo voltaria a fazer tudo de novo!»

O site Crescer não podia deixar de mostrar um pouco do seu trabalho. Veja alguns produtos na nossa galeria.

 

Informações úteis:

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Página de Instagram
Site oficial de Ana Fonseca

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