Gravidez

Grávidas vegetarianas ou vegan: Que tipo de alimentação podem ter?

Redação
publicado há 3 semanas
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Rita Franco de Sousa, da marca Pulguinhas, esteve à conversa com a nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida sobre as necessidades específicas das grávidas vegetarianas ou vegan, e sobre o consumo de carne durante a gravidez.

A especialista fez parte do grupo de convidados que marcou presença no evento Mommy Talks, organizado pela a Essence Prime Care, no dia 12 de outubro. O evento tinha como objetivo esclarecer dúvidas de grávidas e mamãs sobre vários assuntos.

Com todas as notícias que referem as reações sérias, e até mortes, em consequência do consumo de carnes vermelhas, desde o surto de listeriose em Espanha à carne contaminada da Polónia, acha que está chegado o ponto em que estes alimentos deixam de ser recomendados a grávidas?

Não considero que seja necessário proibir o consumo de carne a grávidas. É importante contextualizar os casos reportados e perceber que poderiam ter acontecido com carne, ovos ou qualquer alimento que venha da terra ou do mar. Existem bactérias por todos os lados e o risco de contaminação é sempre uma constante. As grávidas devem ter um cuidado acrescido com a higiene e origem dos seus alimentos, procurando minimizar a exposição a agentes químicos, fungos, parasitas e bactérias.

LEIA TAMBÉM: Veganismo: «É mais do que uma dieta! É um estilo de vida!»

Os produtos de origem biológica podem e devem ser uma opção a considerar, mas requerem os mesmos cuidados de higiene que os de agricultura convencional. Quanto à carne em específico, seria benéfico que todos nós consumíssemos menores quantidades, quer em termos ambientais, quer por razões de saúde. O consumo excessivo de carne está associado a inúmeras doenças cardiovasculares e inflamatórias pelo que deverá ser sempre moderado, dando-se preferência às carnes brancas.

Quando as futuras mães são vegan ou vegetarianas, quais são os seus conselhos durante a gestação?

Quero só ressalvar que a fase de gestação não é uma boa fase para iniciar mudanças alimentares estruturais, pelo que não aconselho a que a gravida se torne vegan. Se já for vegetariana ou vegan antes da gravidez, é recomendável que reforce alguns cuidados, nomeadamente:

Vitamina B12: esta vitamina é necessária para várias reações e deve ser suplementada durante a gravidez, mesmo que a gravida ingira ovos, leite ou derivados.

Vitamina D: a Vitamina D é muito importante para o desenvolvimento cerebral e do sistema imunitário. O défice materno de Vitamina D está associado a hipocalcemia neonatal, que pode ser manifestado na mineralização inadequada dos ossos do feto, hipoplasia dentária e/ou convulsões. As concentrações em Vitamina D costumam ser muito baixas em recém-nascidos cujas mães tinham o mesmo défice durante a gravidez. A suplementação pode ser necessária para atingir as concentrações séricas desejadas.

Iodo: tem uma função extremamente importante no metabolismo dos macronutrientes. Uma ingestão adequada de iodo durante a gestação está associada a níveis de inteligência mais elevados na criança e o défice de atenção pode estar associado a uma ingestão inadequada de iodo. Para assegurar uma ingestão adequada, há alimentos que são condimentados com sal iodado. Contudo, há várias pessoas mundialmente em risco de défice devido ao baixo consumo de alimentos marinhos. Na presença de níveis urinários baixos, o iodo deve ser suplementado.

Ferro: além de já estarem aumentadas em pessoas vegan, as necessidades aumentam significativamente durante a gestação. É necessário o consumo adicional de 700-800 mg/dia de ferro, sendo que 500 mg representam o que é necessário para eritropoiese e 250-300 mg representam o que é necessário para os tecidos do feto e da placenta. Na maior parte dos casos a suplementação é prescrita apenas no terceiro trimestre.

Ácidos gordos: existe recomendação de 13 g/dia para o consumo de ácidos gordos ómega-6 e 1.4 g/dia para o consumo de ácidos gordos ómega-3. Esta pode ser atingida através do consumo de frutos secos, sementes e pseudocereais (Ex: quinoa, trigo sarraceno, teff ou amaranto).

Há alterações na forma como o organismo da futura mãe reage aos alimentos?

Sim, durante a gestação podem surgir alterações como:

Obstipação: é comum haver obstipação durante a gravidez quando a mulher não ingere fibra e água nas suas quantidades recomendadas. Outra das causas é o medicamento utilizado para aliviar os enjoos, que pode promover a obstipação. É importante aumentar a ingestão de líquidos e alimentos ricos em fibra, fruta seca (ameixas e damascos) e frutos secos.

Azia: o refluxo é comum no fim da gravidez e ocorre normalmente à noite. Esta sensação de ardor e azia reflete o efeito da pressão do útero no estômago e intestinos. As mulheres que apresentem este sintoma devem preferir fazer refeições pequenas, mas frequentes, ficando sentadas ou em pé 3h após uma refeição e antes de dormir.

Náuseas e vómitos: as náuseas e os vómitos afetam 50-90% das mulheres grávidas no primeiro trimestre. O movimento, barulho alto, luzes fortes e condições climatéricas adversas podem desencadear os enjoos. Felizmente, a maior parte das mulheres estão funcionais, capazes de trabalhar e não perdem peso durante esta fase. A ingestão de pequenos lanches ricos em hidratos de carbono e/ou proteína ajuda a diminuir as náuseas e vómitos. A ingestão de gengibre está associada à redução deste sintoma, apesar de haver muitas teorias e produtos que podem também aliviar o mesmo. Alguns exemplos são a ingestão de batatas fritas, a utilização de pulseiras que “aliviam” os enjoos, chupas especiais, chás, acupuntura e hipnose.

Diabetes mellitus: os fetos de mães com diabetes mellitus gestacional (DMG) apresentam um risco superior de desenvolver hipoglicemia à nascença, macrossomia e défices nutricionais. A abordagem para reduzir a incidência de DMG inclui a suplementação de probióticos antes e durante a gestação, uma vez que estes alteram o microbiota materno, a resposta imunitária e melhoram a tolerância à glucose.

Sobre Mafalda Rodrigues de Almeida:

Nutricionista, escritora e autora do blogue LOVEAT

Consultório Loveat – Quinta de S. Vicente – Estrada de Telheiras, 144, sala C Lisboa

Marque a sua consulta através de contact@loveat.pt

Essence Prime Care

Rua Alexandre Herculano, nº19, 2º andar , Lisboa

Marque a sua consulta através de 910 573 013 | info@essenceprimecare.com

Clínica Tejo Saúde

Praceta Carlos de Jesus, nº 2A 2695-853 São João da Talha

Marque a sua consulta através de 219942554 / 219944786 / 914490108

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