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Grávida em morte cerebral está prestes a ter bebé e emociona Portugal

Redação
publicado há 2 anos
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Com apenas 26 anos, e grávida de três meses, Catarina Sequeira entrou em morte cerebral, em dezembro, depois de sofrer um ataque de asma. A equipa médica decidiu mantê-la viva. O bebé, extremamente prematuro, nasce esta sexta-feira, dia 29 de março.

O parto está previsto acontecer no Hospital de São João, no Porto. Apesar de a jovem estar clinicamente morta, foi mantida em suporte de vida para dar ao feto a oportunidade de se desenvolver. O pequeno Salvador vai nascer com pouco mais de 25 semanas, o que será uma verdadeira maratona para médicos, enfermeiros e familiares na luta da sobrevivência.

«Vou amar o meu neto e já aceitei que a minha filha morreu. Quero levar o processo até ao fim, por mais doloroso que seja para que possa depois lembrá-la como a menina sorridente que sempre foi», diz Maria de Fátima Branco, mãe da jovem, citada pelo Correio da Manhã.

Para poder avançar com a decisão de manter a jovem ligada ao suporte de vida, a família de Catarina reuniu-se com a Comissão de Ética daquela unidade de saúde, no Porto. Apesar dos riscos, a família decidiu seguir este caminho.

«Não perdi a minha filha, perdi a ilusão de que poderia conservá-la sempre comigo», sublinha Maria de Fátima que ao longo dos últimos três meses tem visitado regularmente a filha.

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Segundo explicou ao Diário de Notícias a pediatra Maria do Céu Machado, nesta fase todo o tempo faz diferença. «Não é a cada semana: é a cada dia. Um dia a mais é extremamente importante, em aspetos como o desenvolvimento do cérebro. Vinte e cinco semanas e seis dias é completamente diferente de 25 semanas», referiu.

Mas uma grávida em morte cerebral coloca desafios acrescidos. Nomeadamente para «manter a homeostasia – o que chamamos de equilíbrio eletrolítico -, a oxigenação adequada, todas as condições necessárias para o desenvolvimento do bebé», explica, apontando também uma infeção como outro possível motivo para a decisão de fazer o parto. «Se está a haver dificuldade em manter esse equilíbrio, isso pode prejudicar a saúde do bebé e, no limite, é preferível que ele esteja cá fora.»

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O problema da asma acompanhou Catarina desde a infância. Mas um ataque demasiado forte colocou a sua vida em risco, acabando por entrar em morte cerebral pouco depois do Natal.

Catarina sempre sonhou em ser uma atleta de velocidade na canoagem. Apesar do problema de saúde, conseguiu cumprir o seu sonho. Era canoísta desde 2005 no Douro Canoa Clube e arrecadou 41 medalhas, 17 delas de ouro, em várias categorias, dos infantis aos seniores.

Este é o segundo caso em Portugal de uma mulher que dá à luz em morte cerebral.

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