Histórias Online

«Fiz um aborto sem o meu marido saber e hoje arrependo-me disso»

Histórias Online
publicado há 2 anos
0
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Sim, é forte. É um testemunho bem forte e sincero. É meu. É o MEU testemunho sobre algo que me atormenta há anos. Não o vou assinar, porque não tenho coragem de admitir ao meu marido que fiz um aborto sem ele saber.

Já passaram 12 anos, mas ainda hoje fico incomodada com o que aconteceu. Ninguém toca neste assunto, porque ninguém sabe. Só eu. Eu e Deus, que não me perdoa, com toda a certeza. Mas na altura senti que tinha de o fazer.

Era jovem, casei-me com 24 anos e fui mãe pela primeira vez aos 26. O segundo filho chegou aos 28 e o terceiro veio avisar-me que devia ter tido mais cuidado no pós-parto deste último filho. Tinha praticamente acabado de ser mãe pela segunda vez. O T. tinha dois anos e o M. nem cinco meses. Como a menstruação estava toda desregulada, não dei importância aos enjoos nem a nenhum outro sintoma. Foi numa consulta de rotina de pós-parto que a minha ginecologista me avisou que estava grávida. GRÁVIDA OUTRA VEZ! O meu mundo parou. Chorei muito muito muito.

LEIA TAMBÉM: «Desumano… Fizeram-me um aborto na sala ao lado onde estavam a nascer bebés»

Nessa semana andei desnorteada completamente. Não sabia o que fazer. Não queria mais um bebé. Estava a ser muito difícil gerir a vida de duas crianças pequenas. Mas não tive coragem de contar ao meu marido. Ele queria muito ter uma menina. Quando descobrimos que estávamos à espera de um menino, ele disse logo que ainda iríamos tentar um terceiro. Sempre me disse que queria ter uma família numerosa, porque a dele também o era.

Infelizmente decidi abortar… sem contar a ninguém. Nem vou dizer a quem recorri nem como o fiz. Isso agora não interessa nada. O que interessa é que abortei e hoje arrependo-me com todas as forças que tenho. A única pessoa que recentemente soube foi um psicólogo. Tive de desabafar com alguém e deitar cá para fora o que me ia na alma. Senti-me mais leve, mas a culpa que carrego… essa vai comigo para o caixão.

Espero um dia libertar-me e viver em paz.

 

 

Texto: Anónima

Siga a Crescer no Instagram

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Artigos relacionados

Últimas

Top
Botão calendário

Agenda

Consultar agenda