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«O meu filho não aceita o irmão e eu não sei o que fazer»

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publicado há 9 meses
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Nunca pensei vir a passar por isto. Nunca imaginei sequer que um segundo filho só trouxesse tristeza e discussão cá para casa. Fui mãe há cinco anos do Duarte e há cerca de sete meses chegou à nossa vida o David, um bebé lindo e sereno, muito desejado e planeado com o meu marido.

Durante quase toda a gravidez correu tudo sempre bem. O meu filho mais velho habituou-se facilmente à ideia de que ia ter um mano. Os problemas começaram já no terceiro trimestre da gestação, quando começámos a ir às compras para o mano, a fazer mudanças em casa, a montar o berço no nosso quarto…

Ele transformou-se, quis chamar a atenção, quis voltar a dormir no nosso quarto, quis roupas novas, brinquedos novos, tudo era um problema. Gritava, chorava, não queria que o mano tivesse mais atenção. Nós falávamos imenso com ele, explicámos tantas vezes que o mano só vai trazer alegria, que iria ter com quem brincar… Não assimilava nada. Não aceitava NADA!

Os ciúmes intensificaram-se quando o bebé nasceu. Na maternidade seguimos o conselho da pediatra: comprámos dois presentes, para oferecerem um ao outro. Naquele momento conseguimos roubar-lhe o sorriso, ficou muito feliz, até porque recebeu um boneco que andava a pedir há meses e decidimos comprar para aquela ocasião especial.

Segundo a pediatra, esta atitude faz com que o irmão mais velho não se sinta de parte, não sinta que o bebé tem mais atenção, presentes, carinho… apesar de acabar por ter, não da nossa parte, mas de amigos e familiares. Mas é algo que ainda não dá para controlar. Toda a gente quer conhecer o bebé, derretem-se com ele, trazem presentes apenas para o mais novo. Também não posso andar a pedir presentes a dobrar. Nós simplesmente não pedimos nada… As visitas aparecem e pronto.

Os últimos sete meses têm sido um terror cá em casa. Parecemos uma família louca e nada unida. O Duarte não aceita de todo o irmão. No início acalmou com os presentes que ambos trocaram, mas a chegada a casa foi horrível. Havia noites que ele chorava mais do que o bebé! Queria porque queria dormir no nosso quarto!!! Não queria o mano connosco. Não conseguia amamentar em condições, o pai tinha que se trancar na cozinha com ele, tentar distraí-lo… Um sufoco! Não sabemos o que fazer…

Já tentámos recorrer a ajuda psicológica, mas parece que ainda não encontrámos a pessoa certa. Tem sido um desespero! Tem ciúmes por tudo e por nada… Espero que acalme daqui a uns tempos quando perceber que o irmão vai ser o seu melhor amigo, vai ter com quem brincar todos os dias… Não há amor como este e eu quero muito que o meu filho mais velho se sinta feliz. Ele e o David, que vai começar a perceber o afastamento do irmão à medida que vai crescendo…

Quero acreditar que é uma fase e que tudo vai mudar. Porque só pode ser assim… Família feliz!

Texto: Raquel Carvalho

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