Família

Como se explica a uma criança que o pai ou a mãe estão presos?

Filipa Rosa
publicado há 6 meses
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Esta é a questão que muita gente faz quando surge mais um caso mediático de crimes em Portugal. O site Crescer falou com duas psicólogas para tentar perceber tudo sobre este assunto delicado.

«Nas situações em que os casos são mais mediáticos a palavra de ordem é proteger a criança e o adolescente, filtrando potenciais manifestações agressivas contra os seus familiares. Para isto é necessário muitas vezes o apoio das escolas e professores e colegas para que possam manter uma rotina sem que sejam agredidas com o que veem ou ouvem», começa por referir a psicóloga Sofia Moura, acrescentando que a forma como lidamos com o assunto depende muito da idade dos filhos dos criminosos.

«No caso dos adolescentes, sendo mais autónomos, deverão estar cientes do que poderão estar sujeitos ao acederem às redes sociais. Acompanhá-los nestas ‘visitas’, se possível, e isolá-los por uns tempos deste meio de comunicação. Deverá existir, sempre, um elemento cuidador, pai, mãe, tios, avós, que conheçam bem a criança e/ou adolescente para melhor poderem comunicar o que está a acontecer com uma linguagem/vocabulário adequados à sua idade, garantindo assim um bom entendimento dos acontecimentos e esclarecendo todas e quaisquer dúvidas que possam surgir», explica.

O adolescente poderá já ter uma opinião formada sobre o tema e, nesse caso, não ‘fuja’ de uma conversa séria com ele. «É fundamental debatê-la, ajudando a clarificar, até mesmo para evitar juízos de valor. Quando a notícia é o pior, é importante falar a verdade e ajudar a lidar com as reações a esta, como o choro, a tristeza, falta de apetite ou comer demais, a perda de sono. E ficar atento a alterações do comportamento mais disruptivos, de uma maior rebeldia, por exemplo.»

Cada caso é um caso

Para Joana Monteiro, psicóloga clínica e psicoterapeuta de crianças, adolescentes e adultos (ver site e contactos), não há receitas, tem que se avaliar caso a caso – consoante cada criança – o que é mais benéfico e o que é menos causador de sofrimento. A procura de ajuda psicológica não deve ser esquecida. «É fulcral que as pessoas não tenham receio em pedir opinião e/ou ajuda a profissionais e que recorram a estes sempre que necessário», diz.

Joana Monteiro refere que cada caso é um caso e a complexidade do tema obriga a uma análise individual. «Acontecimentos de vida desta magnitude vão ser percebidos e organizados pela criança sempre de acordo com a sua história e as suas características. Estas vivências vão colocar também à prova o contexto e ambiente familiar da criança e como este consegue responder e conter as inevitáveis questões e manifestações que a criança possa ter», explica.

«Não obstante estas especificidades podemos falar de alguns princípios gerais que podem ser orientadores nestas questões: em primeiro lugar é fundamental adequar o que se comunica e como se comunica à idade e características de cada criança», afirma a psicóloga, referindo-se ao sentimento de abandono, que muitas vezes ocorre quando é ocultada à criança a verdade. «É importante que, seja qual for a explicação dada, garantir à criança que o pai/mãe não a abandonou e que continua a gostar dela apesar de não poder – neste momento – estar com ela.»

A importância das visitas na prisão

Em muitos casos, há famílias que tentam afastar a criança do meio onde está o pai, ou mãe, detido. Para Joana Monteiro, isso é um erro. «É fundamental, quando o pai/mãe detido tem com a criança um vínculo positivo, que a criança possa ir mantendo contacto (seja por visitas, seja por telefone/carta) e que as pessoas que estão com a criança no dia-a-dia vão mantendo a sua presença “viva”, por exemplo: falando sobre ele/a e tentando responder de forma clara a todas as questões que a criança possa ir colocando», explica.

É ainda essencial, segundo a especialista, que o estabelecimento prisional «esteja sensível a estes casos e que procure assim minimizar e suavizar (dentro do possível, é claro)» os procedimentos e visitas.

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