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«Excluir os contos de fadas tradicionais é esquecer o imaginário das crianças…»

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publicado há 1 semana
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O aparecimento dos contos de fadas perde-se no tempo. A literatura regista que são histórias transmitidas oralmente de geração a geração e que, mesmo com toda a tecnologia existente, mantêm o seu espaço narrativo na infância. Já não se reduzem apenas à função lúdica ou tranquilizante, mas o seu poder se expressa na magia e na fantasia que despertam na criança.

De uma forma geral, os contos tornaram-se, assim, alvo do estudo científico de diversas ciências do conhecimento e do desenvolvimento infantil, como a Pedagogia, a Psicologia e, em especial, da Psicanálise. O enredo dos contos ou destas narrativas eram sempre caracterizados por matrizes do imaginário humano, cuja linguagem, repleta de significados simbólicos e de metáforas, têm a capacidade de interligar o consciente e o inconsciente, numa permanente ponte entre a realidade interna e a externa.

Soube-se que uma escola (Escola Táber), em Barcelona, decidiu fazer uma revisão ao catálogo de livros da sua biblioteca infantil e mandou retirar 200 obras que considerou “tóxicas” e “sexistas”. Entre elas estão histórias como a “Bela Adormecida” e o “Capuchinho Vermelho”.

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Penso que era importante saber-se que ler os contos de fadas à letra é terminar com o seu poder: quanto mais absurdo for o seu conteúdo (o lobo come a avozinha), quanto mais longínquo se situar (um dia, numa terra muito distante), com nomes ambíguos (capuchinho vermelho, cinderela…) mais favorece a projeção da criança, permitindo a resolução de conflitos desenvolvimentais. Os contos distinguem-se das demais histórias infantis pelo uso da magia e encantamento, admitindo um núcleo problemático existencial no qual o herói ou a heroína procura a realização pessoal depois de serem vencidos obstáculos.

Excluir os contos de fadas tradicionais é esquecer o imaginário e o simbólico e mais uma vez reduzir a realidade a uma coisa concreta, cinzenta e amorfa que infelizmente parece construir-se na cabeça de alguns crescidos.

Prefiro pensar que mesmo que também assim não seja, que se viva feliz para sempre.

Texto: Leandra Cordeiro
Docente na Escola Superior de Educação de Viseu
Psicóloga Clínica: exerce Clínica Privada no Centro Pediátrico e Juvenil de Coimbra e na CLIVIDA, Viseu
Colaboradora do Instituto Superior Miguel Torga (membro do Núcleo João dos Santos)
E-mail: cordeiro.leandra@gmail.com

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