Saúde

Evite um divórcio e saiba como reativar o seu desejo sexual

Filipa Rosa
publicado há 2 anos
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Assuntos sobre sexologia é com Maria do Céu Santo. Mãe de dois filhos e prestes a completar 40 anos de carreira, a especialista em Ginecologia e Obstetrícia falou ao site Crescer, sem papas na língua, sobre um dos grandes problemas das mulheres depois de serem mães: a falta de desejo sexual que leva a muitos divórcios. Esta é uma realidade principalmente após o segundo filho.

«Depois do segundo filho há muitos divórcios. Há mulheres que se tornam mãe e pai. A afetividade é fundamental. Quando deixa de haver contacto físico é difícil…», começa por afirmar-nos. «Outra das coisas que às vezes é complicado é a infertilidade, onde o desejo sexual vira terapêutico. É tudo tão programado, que depois de ter o filho tem alguma dificuldade em passar uma sexualidade mais espontânea. Recebo imensas mulheres no meu consultório com esses problemas.»

A rotina é a grande inimiga dos casamentos. E quando os filhos nascem, a situação piora drasticamente. Muitas são as mulheres que colocam em causa a sua relação conjugal devido à diminuição da libido. Há que fazer um esforço para tentar combater isto. Não há energia para tudo. O amor torna-se a última coisa ao fim do dia.

Sexo na gravidez: Sim ou não?

O site Crescer já tinha abordado este assunto. E… sim! É saudável ter sexo durante a gravidez, com algumas precauções, obviamente. Sabia que a atividade sexual durante a gestação tem muitas vantagens para a mulher e para o casal?

LEIA MAIS: Sexo na gravidez? Sim, mas com precaução!

Segundo Maria do Céu Santo, podemos dividir a gravidez em três fases: primeiro trimestre, segundo e terceiro. «Nos primeiros três meses de gravidez, algumas mulheres não têm alteração do desejo, mas têm algum receio de terem hemorragias e defendem-se mais. Há outras que estão mais nauseadas ou com vómitos e têm mais sono, por isso, essas geralmente têm o desejo diminuído», explica a especialista.

No segundo trimestre, a situação muda um pouco. «Normalmente a sexualidade é normal, porque a mama já não dói tanto, a barriga aumentou de volume, mas não interfere com a relação sexual, não estão nauseadas nem com vómitos, por isso é a fase dourada da gravidez e, geralmente, não há alteração da libido.»

E no terceiro trimestre? «Quem tem mais receio são os homens. Há muitos que não querem ter relações sexuais na fase final, mas se não houver contrações nem qualquer problema na gravidez, podem estar à vontade. O orgasmo é uma contração, daí ser benéfico ter relações mesmo na fase final da gravidez, para acelerar o processo. Tem é de se adaptar as posições.»

E depois de nascer o bebé?

Assim que o recém-nascido chega a casa, vive-se uma nova realidade. Todas as rotinas são alteradas, principalmente entre o casal. «O cansaço e a insegurança dos pais provoca a diminuição da libido. Há uma percentagem de mulheres que têm depressão pós-parto, algum stress… O chamado ‘Baby Blues’ tem tendência a desaparecer, mas numa fase inicial não pensam sequer nisso», explica Maria do Céu Santo.

«Há que fazer um esforço para iniciar a sexualidade, por isso não pode ser ao fim do dia, quando não há força nem para puxar o lençol. O ideal é chegar a casa, comer dois quadradinhos de chocolate, por exemplo, fazem amor e depois jantam tranquilamente», sugere. «Tem de ser como quando namorávamos, fazer amor tem de ser uma prioridade. Tem de se programar. Eu sei que o que nós queremos é fazer amor espontâneo, mas depois é mais difícil. Se a pessoa não fizer alguma programação não consegue ter disponibilidade para fazer amor.»

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São muitas as mulheres que procuram Maria do Céu Santo devido à diminuição da libido. «Há quem me procure só para falar disto. Por vezes a relação com o parceiro está a entrar em conflito, independentemente de terem sido mães há pouco tempo. Acham mesmo que viraram assexuadas e estão com medo de pôr o casamento em risco. Muitas até reconhecem que o marido é tolerante, mas está a ser difícil», afirma aquela que não se inibe de dar vários truques às suas pacientes para melhorarem a sua atividade sexual.

Um deles passa por tentar arranjar tempo a sós para o casal. «Quando uma pessoa já tem um filho, às vezes tem dificuldade em namorar, mesmo quando chega a casa. O apoio dos pais, tios ou amigos é fundamental para dar uma ajudinha e um espacinho ao casal. Eu costumo dizer, se é mãe, não se esqueça de si como mulher para o seu parceiro não se esquecer da mulher por quem se apaixonou.»

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