Saúde

Está com dor de dentes? Poderá ser por uma destas razões, fique atento

Redação
publicado há 3 semanas
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A dor de dentes ou odontalgia é uma das dores mais fortes que um ser humano pode sentir. Um médico dentista explica o que são e como se tratam as dores de dentes.

Infelizmente a maioria das pessoas experimenta essa sensação desagradável pelo menos uma vez na vida. Devido ao seu caráter agudo e à sua elevada expressão dolorosa é altamente incapacitante para a pessoa que a está a sentir.

Constituição dos dentes

Embora os dentes pareçam estruturas sem vida, sólidas e minerais a verdade é que são constituídos por diversas camadas mineralizadas que alojam estruturas vitais. A camada mais interna é constituída pela dentina que é circundada ao nível da coroa pelo esmalte e ao nível da raiz pelo cemento. No interior desta dentina existe uma câmara e um ou mais canais que alojam os tecidos pulpares do dente. Estes tecidos possuem na sua constituição tecido conjuntivo, vasos sanguíneos (pequenas artérias e veias) e tecidos nervosos. Quando por alguma razão estes tecidos pulpares ficam inflamados surge a dor de dentes.

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Outra causa para a dor de dentes surge quando os tecidos inflamados não se encontram no interior dos dentes, mas sim nos tecidos circundantes aos mesmos. Esta é por exemplo a explicação para um dente desvitalizado poder apresentar sintomatologia dolorosa.

Embora cada dente possua a sua própria ramificação nervosa, ela possui uma origem comum a todos os dentes. Ou seja, no maxilar superior encontramos o ramo maxilar superior do nervo trigémeo e no maxilar inferior o ramo mandibular do nervo trigémeo. É esta a razão de que uma dor provocada por um dente específico possa ser reflexa ao ponto de ser sentida noutro dente, em vários dentes em simultâneo, no outro maxilar ou mesmo em regiões próximas do ouvido e região frontal e lateral da face.

Cárie dentária

A causa mais comum para a inflamação da pulpa é a cárie dentária. Normalmente provocada por uma higiene oral deficiente, a cárie desenvolve-se de modo crónico atingindo inicialmente os tecidos externos e progredindo para o interior do dente. Quando esta doença atinge a polpa ou proximidade pulpar instala-se a inflamação referida. Outras causas capazes de causar inflamação pulpar são os traumatismos dentários, desgaste dentário severo (como no caso do bruxismo), restaurações profundas, diferenças bruscas de temperatura e uso de forças ortodônticas excessivas.

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Os dentes estão unidos ao osso por fibras chamada ligamento periodontal. Este ligamento possuí igualmente a sua própria inervação que em certos casos pode inflamar e ser responsável pelo quadro doloroso. As razões desta inflamação podem ser trauma dentário, movimento ortodôntico, fraturas, gengivite e periodontite e criação de abcesso periapical após necrose (morte celular dos tecidos pulpares) ou após tratamento endodôntico (desvitalização) malsucedido.

É importante ainda referir o quadro de sensibilidade dentária que origina dor de dentes a impulsos térmicos (quentes e frios) e que não se enquadra totalmente nos dois grupos descritos. Neste caso específico, existe normalmente uma exposição da uma parte da raiz ou um desgaste que severo do esmalte que deixa a descoberto estruturas internas com características porosas. Nestes orifícios encontram prolongamentos dos nervos pulpar, capazes de serem estimulados pelos impulsos términos originando a dor. Não sendo um quadro inflamatório como descrito anteriormente, a dor é normalmente passageira, onde normalmente a remoção do estímulo leva ao término do quadro doloroso.

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Existem ainda outros cenários capazes de originar dor de dentes, mas onde a causa não é dentária, mas sim em estruturas anexas devido á inervação comum. São os casos da dor de ouvidos que irradia para os dentes molares e articulação do maxilar inferior (ATM), quadros de sinusite que irradia para os dentes do maxilar superior. Menos comum encontra-se a nevralgia do trigémio que representa uma inflamação do próprio tronco nervoso que pode apresentar um quadro bastante doloroso com irradiação para qualquer um dos dentes ou maxilares, assim como regiões da face e língua.

Como tratar a dor de dentes

Os medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios tais como aspirina, paracetamol, ibuprofeno, opioides, aliviam a dor sem tratamento da origem da mesma. A dor reaparece novamente mal acabe o efeito analgésico do medicamento.

Desta forma, o mais importante é uma correta avaliação do quadro que está a originar a dor. Para além da história clínica, da observação intra-oral são normalmente realizados exames imagiológicos. Procedimentos clínicos adequados tais como a remoção de uma cárie, a drenagem de um abcesso, a desvitalização de um dente, um ajuste oclusal ou uma extração, são normalmente suficientes para terminar o quadro doloroso.

A importância da higiene

A escovagem dos dentes a seguir às refeições é fundamental para remover a placa bacteriana e evitar que as bactérias destruam o esmalte criando cárie dentária. O uso de fio dentário e elixir com fluor é igualmente fundamental para a saúde dos dentes. Situações de possível trauma como desportos de contacto devem ser prevenidas com recurso a protetores bucais. Para funções como o bruxismo (ranger involuntário dos dentes) devem ser precocemente diagnosticas. A saúde dos tecidos periodontais deverá ver mantida e vigiada para que quadro de gengivite e periodontite não se instalem. Desta forma, visitas regulares ao dentista com periocidade nunca superior a seis meses são recomendadas.

Artigo elaborado por: Carlos Almeida, médico dentista no Instituto Dentário Alto dos Moinhos - Prática exclusiva na área da Implantologia e Reabilitação Oral

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