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Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão: Bullying, uma responsabilidade social!

Redação
publicado há 4 meses
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No Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão, que se assinala a 4 de junho, a enfermeira Cátia Godinho, do projeto A Nossa Mãe é Enfermeira, escreveu um artigo para o site Crescer sobre bullying, uma das realidades que conheceu bem de perto ao longo da sua carreira.

Leia o artigo:

Nas últimas vezes em que fui trabalhar para o hospital, deparei-me com vários adolescentes internados em pedopsiquiatria por tentativas de suicídio ou ideias suicidas.

O que é que todos estes adolescentes tinham em comum? O mesmo factor desencadeador: eram TODOS vítimas de BULLYING.

Tinham entre 13 e 17 anos, rapazes e raparigas, de várias classes sociais.

E hoje, Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão, são eles e tantos outros em situações semelhantes, quem merece a minha atenção.

Estes adolescentes são agredidos na escola, mas a tortura não acaba quando a campainha toca e se fecham os portões. Ela continua, pelo dia fora, pela noite dentro, através do telemóvel, do computador, das redes sociais.

Torna-se tão invasiva que fica insuportável. Não há descansos nem pausas nesta agressão. Não dá para recuperar forças. É uma violência ininterrupta numa violação total e contínua de todos os limites de privacidade.

Torna-se tão pesada, tão esmagadora, tão asfixiante, que o adolescente só vê uma solução: por fim à sua própria vida.

Os adolescentes com quem me cruzei puderam ser ajudados. Nem todos têm a mesma sorte. França, Suíça, Portugal, Estados Unidos, Canadá, todos têm conhecido casos de suicídio em adolescentes vítimas de bullying.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a nível mundial, o suicídio é a terceira principal causa de morte na adolescência, precedido apenas dos acidentes de viação e das infecções das vias aéreas inferiores. Na Europa, esta é a segunda principal causa de morte, precedida apenas pelos acidentes de viação.

Em 2015, 67 mil adolescentes morreram vítimas de suicídio ou das consequências de actos auto-agressivos.

Segundo um artigo publicado em 2017, mostrando os resultados de um estudo feito nos Estados Unidos, cerca de 77 por cento dos adolescentes admitidos nos serviços de urgência por comportamentos auto-agressivos disseram ser vítima de bullying.

Estes números são demasiado consequentes para se continuar a encarar estas situações de ânimo leve.

Mas afinal, de quem é a responsabilidade?!

De todos nós. O bullying é uma responsabilidade social.

Desde os pais aos professores, educadores, enfermeiros, médicos, pediatras. Todos somos responsáveis. Todos.

Responsáveis por educar as nossas crianças para a empatia e o respeito pelo outro. Para cultivar nas nossas crianças mais inteligência emocional ao invés de esticar ao máximo a corda da inteligência intelectual. Uma educação para o civismo e a vida em sociedade.

Responsáveis por detectar comportamentos auto-agressivos, isolamento, tristeza profunda, angústias e ansiedade. Responsáveis por valorizar o que sente a criança/adolescente ao invés de minimizar o que se passa com comentários como «deixa lá isso», «não ligues» ou «eles estão só a brincar contigo». Responsáveis por ajudar aquela criança a superar tal desafio. A ultrapassar o sofrimento, a violência da humilhação. A voltar a acreditar em si mesma e no seu valor.

Responsáveis por detectar nas nossas crianças e adolescentes comportamentos agressivos. Na sala de aula, na rua em casa. Responsáveis por não ignorar estes comportamentos usando desculpas como «são crianças» ou «é da idade». Responsáveis por ajudar as crianças e adolescentes a alterar estes comportamentos, a canalizar de outra forma estas tendências agressivas. Responsáveis por procurar o que motiva estes comportamentos. Responsáveis por saber que muitas vezes por detrás deste tipo de postura, estão precisamente problemas de auto-estima, de confiança em si próprio, no outro e no mundo à sua volta. Sentimentos de que para se sentir valorizado é preciso desvalorizar e humilhar o outro.

Responsáveis por detetar estes problemas o mais precocemente possível para lhes dar o melhor encaminhamento e acompanhamento possível. E para isso é necessário um trabalho de equipa, um trabalho de toda a sociedade.

É urgente proteger e apoiar as crianças e adolescentes vítimas de bullying.

É igualmente urgente ajudar as crianças e adolescentes que se tornam agressores.

É urgente intervir na comunidade com acções de sensibilização, palestras, folhetos, conferências, formações.

É urgente intervir junto das crianças, dos pais e dos profissionais. Só assim poderemos cuidar dos nossos jovens e evitar que mais vidas sejam destruídas.

Vamos falar mais sobre isto?

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