Bebés/Crianças

Dia Internacional da Criança Desaparecida: Os casos nunca resolvidos

Filipa Rosa
publicado há 4 meses
0
Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Para assinalar o Dia Internacional da Criança Desaparecida, celebrado a 25 de maio, o site Crescer falou com Patrícia Cipriano, presidente da Associação Portuguesa das Crianças Desaparecidas (APCD), que se mostra preocupada com a realidade atual.

Atualmente existem 17 casos que nunca foram resolvidos em Portugal. A maioria ganhou uma enorme dimensão mediática, como o Rui Pedro Mendonça, a Maddie McCann ou o Rui Pereira. Desde o início de 2018, a associação já registou 11 desaparecimentos. «Que saibamos, temos pelo menos 17 casos sem resolução, entre os quais se conta o Rui Pedro Mendonça, a Maddie, o Rui Pereira, o Jorge Sepúlveda, a Rita Monteiro, entre outros. Todos desapareceram sem deixar rasto e nunca foram recuperados. Isto é preocupante», refere.

Segundo a presidente da APCD, desapareceram cerca de quatro mil pessoas em 2017, sendo a maioria menores, nas zonas de Lisboa e Vale do Tejo. «A maioria das crianças que fogem são encontradas poucas horas ou dias depois. Quanto às crianças que são vítimas de subtração e que são levadas para o estrangeiro, a recuperação é muito morosa e burocrática, pois têm que se acionar mecanismos legais internacionais como seja o processo de retorno ao abrigo da Convenção de Haia», explica Patrícia Cipriano. «As que são vítimas de rapto por terceiro, ou são encontradas nas primeiras horas, ou então muito raramente são recuperadas. Quando se fala em taxas de recuperação de 100 por cento, temos que discordar. Nas subtrações de menores isso não corresponde à realidade e nos raptos muito menos!»

Segundo nos explica Patrícia Cipriano, a polícia toma nota da ocorrência após uma queixa efetuada e se houver suspeita de rapto, sequestro ou homicídio, passa o caso à Polícia Judiciária. Senão, tenta localizar a criança através dos meios necessários e disponíveis. «Os pais devem ser informados daquilo que se vai fazendo para localizar a criança e devem prestar toda e qualquer colaboração às autoridades», afirma.

Com o objetivo de ajudar as crianças a detetar e a protegerem-se de situações ou pessoas que se lhes afigurem suspeitas, a APCD e a GNR lançaram «O Meu Manual de Segurança» dirigido a crianças dos seis aos 12 anos. Neste manual encontram-se também alguns conselhos aos pais e educadores e dicas importantes de segurança.

O caso mais antigo

Hélder Cavaco desapareceu em janeiro de 1990. É o caso mais antigo que nunca foi resolvido. Tinha 17 anos. Segundo consta no site oficial da PJ, o jovem desapareceu na zona da praia de São Torpes, em Sines. Praticava surf. Vestia calças e blusão de ganga azul e transportava uma mochila azul com riscas amarelas e encarnadas.

Não há quem não se lembre de Rui Pedro, que desapareceu há 20 anos em Lousada onde vivia com os pais. Este caso é, juntamente com a inglesa Madeleine McCann, uma das sete crianças que constam da lista da Polícia Judiciária sobre pessoas desaparecidas.

Segundo indica a página da Polícia Judiciária, Rui Pedro Teixeira Mendonça, nascido a 28 de Janeiro de 1987, em Paredes, desapareceu a 4 de março de 1998. Na altura, com 11 anos, tinha 1,50 metros de altura, cabelo e olhos castanhos e pesava 45 quilos.

Quinze anos após o seu desaparecimento, os desembargadores condenaram o camionista Afonso Dias com uma pena efetiva de três anos, acreditando que ele tinha levado Rui Pedro a Alcina Dias, prostituta, cujo depoimento foi alegadamente desvalorizado em Lousada, por entrar em contradição com aquilo que tinha sido investigado em 1998.

Já depois de sair da cadeia, Afonso Dias continuou a clamar inocência, garantindo nunca ter sabido o que aconteceu a 4 de março de 1998, dia em que Rui Pedro, seu amigo, desapareceu.

Outro desaparecimento cujo mistério nunca chegou a ser desvendado é o da criança inglesa Madeleine McCann, natural de Leicester, que desapareceu a 3 de maio de 2007 do quarto do hotel Ocean Club, Lagos, Algarve, onde passava férias com os pais e os irmãos gémeos.

 

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Artigos relacionados

Últimas

Top