Saúde

Depressão pós-parto? Procure ajuda!

Redação
publicado há 4 anos
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Quando um casal pensa em aumentar a sua família entrando na fase da preconceção, na gravidez, ou mesmo no pós-parto, é ainda muito comum haver uma ideia romantizada à volta desta fase do ciclo de vida.

E a verdade é que esta fase não deixa de ter o seu lado romântico. Estamos a falar numa fase em que o possível desejo pela vinda de um bebé, a vontade de se ser mãe/pai e toda a idealização à volta desta conceção é uma constante que vai crescendo mental e emocionalmente, trazendo consigo, um sem número de expectativas que se vão enraizando no âmago de cada membro da família. Contudo, também não deixa de poder ter o seu lado lunar. Um lado onde, para além do descrito anteriormente, ou mesmo na sua ausência, se salienta um vasto leque de preocupações, tensões e conflitos internos, que muitas vezes se tornam difíceis de gerir. E é também daqui que as alterações emocionais se vão alimentando, podendo dar origem a problemas do foro da saúde mental, como as perturbações do humor – como a depressão – ou da ansiedade, entre outras.

Sendo este um tema com vários mitos envolvidos, e ainda envolto num desconhecimento muito grande, a verdade é que poderá ser difícil abordá-lo, especialmente durante a gravidez. No pós-parto, apesar das pessoas estarem mais permeáveis à sua abordagem, muitas vezes receiam o julgamento alheio que ainda facilmente emerge quando se fala em depressão pós-parto, isolando-se com frequência num espaço interno onde o sofrimento muitas vezes impera, e o pedido de ajuda neste sentido, se torna uma miragem.

 

Mas afinal, no que consiste a depressão na gravidez e no pós-parto?

 

A depressão, por si só, consiste uma alteração do humor que pode ocorrer em qualquer momento da vida de uma pessoa. À depressão na gravidez e no pós-parto correspondem muitas das manifestações comuns de uma depressão, sendo que nesta fase em particular, muito focadas no desempenho do papel materno/paterno, no bebé, na vida conjugal e/ou em questões amplamente relacionadas com a maternidade. A depressão manifesta-se através de vários sinais e sintomas, tais como: alteração constante do padrão alimentar, do sono, na diminuição da realização de atividades anteriormente prazerosas para a pessoa, diminuição da iniciativa, cansaço físico e emocional severo, sentimentos de culpa/desvalorização pessoal, desesperança, dificuldades de concentração, podendo ocorrer em sintonia com sinais e sintomas ansiosos (preocupação excessiva, agitação, tensão, irritabilidade, etc.). Considerando o período da gravidez e do pós-parto, poderão ainda estar presentes outros sinais e sintomas, tais como: desilusão relativamente à gravidez, ao parto, amamentação; sentimentos de inadequação, fracasso, insegurança; incapacidade para lidar com as novas exigências do dia-a-dia; medo de estar sozinha com o bebé ou de ter de sair de casa só, com o bebé; pensamentos e/ou comportamentos obsessivos em relação aos cuidados durante a gravidez e/ou com o bebé; profunda sensação de perda de identidade, controlo, energia, vida social.

É importante salientar que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, as mulheres em idade gestacional apresentam maior risco de desenvolverem problemas de saúde mental, nomeadamente, uma depressão. Motivo pelo qual, se torna cada vez mais importante monitorizar o estado de saúde mental ao longo da gravidez, assim como, acompanhar a nível emocional as mulheres e famílias numa ótica de facilitar a transição para a maternidade/paternidade e promover o seu bem-estar emocional nesta fase do ciclo de vida, tal como fazemos no Centro Mulher, Filha e Mãe – um espaço de apoio à maternidade que prima pela promoção do bem-estar emocional na preconceção, gravidez e pós-parto.

 

Leia também: Depressão pós-parto: «Estive prestes a bater no fundo!»

 

A prevalência da Depressão pós-parto é superior à da Depressão na gravidez, ocorrendo em cerca de 10 a 16 por cento das mulheres. Contudo, sabemos que no primeiro e no terceiro trimestre de gravidez existe uma grande probabilidade de começar a desenvolver-se, e que uma grande parte das mulheres (cerca de 40 por cento) que desenvolve uma depressão no pós-parto, começou a desenvolvê-la na gravidez.

Dada a elevada investigação realizada neste âmbito a nível internacional, são conhecidos inúmeros fatores que consideramos serem fatores de risco para o desenvolvimento de uma depressão na gravidez e no pós-parto, e quando a depressão se desenvolve, por norma, são observados vários de entre os seguintes (embora existam mais): antecedentes de depressão numa outra fase de vida, perceção de fraco apoio social (especialmente por parte do companheiro/a), ocorrência de eventos negativos de vida, fraca vigilância clínica ao longo da gravidez, conflitos conjugais, abuso/dependência de substâncias, gravidez não planeada ou não desejada.

Caso considere que precisa de ajuda neste âmbito, ou conheça alguém que precise, contacte-nos, ou recorra ao seu médico de família, psiquiatra ou psicólogo para o colocar ao corrente do seu estado atual.

É fundamental pedir ajuda porque o acompanhamento especializado e o tratamento existem, e certamente que irão amenizar o seu sofrimento e facilitar a sua transição para esta fase do ciclo de vida.

 

AUTORA
Ana Vale
Enfermeira Especialista em Saúde Mental
Gerente do Centro Mulher, Filha e Mãe 
Autora do blogue Mulher, Filha & Mãe
[email protected] | (+351) 936 180 928

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