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«Corpo pós-parto. Não, não depende (só) de vocês mesmas»

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publicado há 2 semanas
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Já imagino fundamentalistas dum estilo de vida saudável, assente em alface e quinoa, a chamarem-me nomes.

Também imagino os aficionados do ginásio a pensarem que escrevo uma enorme barbaridade.

Sim, também vos imagino a espumar da boca.

Recentemente uma figura pública foi mãe e colocou fotografias nas suas redes sociais dois dias após o parto.

Choveram comentários graças ao tamanho da sua barriga e sobre como estava em excelente forma após o parto (não é sobre a Carolina, mas podia ser). Enquanto uns a acusavam de ser uma egoísta que tinha passado fome durante a gravidez em prol dum corpo de sonho, outros acusavam-na de ter treinado tanto que poderia ter feito mal ao bebé. Enquanto uns a acusavam de ser uma péssima mãe por postar uma foto em roupa interior sensualíssima logo após o parto, outros acusavam-na de manipular as imagens.

Vamos lá a ver uma coisa…. Dois dias após o parto, eu tinha menos barriga que a senhorita em questão (não estava nada sensual com cabelo por lavar e bolsado de bebé em cima). Duas semanas após o parto e tinha menos peso do que quando engravidei. Dei por mim a tomar absorvit para tentar ter mais fome e ingerir mais calorias.

Não fiz um único dia de ginásio durante a gravidez nem durante os seis meses que se seguiram ao parto. Não tive nenhum cuidado com a alimentação quer na gravidez quer no pós parto. Não usei cinta quer na gravidez, quer no pós parto. Tive o bebé por cesariana, facto que dizem atrasar bastante o regresso à forma.

Neste momento muitas de vocês estão a ponderar odiar-me para todo o sempre, mas há um motivo para vos dizer tudo isto: não depende só de vocês.

Vejo constantemente mulheres a irem completamente abaixo cada vez que se olham ao espelho após o parto.

Mulheres que não voltam a gostar do seu corpo (eu própria não gosto, apesar de me dizerem que estou igual).

Vejo mulheres a fazer todo o tipo de dietas loucas e a darem o que podem e não podem no ginásio. Gastam o ordenado na cinta mais cara que encontram na loja. Depois disso, olham para o espelho e odeiam-se por não verem diferenças.

Eu não quero com isto dizer que devem comer lasanhas e pizzas pré congeladas todos os dias e rezarem por um milagre (não devem mesmo, quanto mais não seja pela vossa saúde). Ou que devem ficar sentadas no sofá durante os meses de licença. O que eu quero dizer é que existe uma coisa muito lixada que não está ao vosso alcance: a genética.

Vão sempre existir mulheres que recuperam bem do parto sem fazerem nada para que isso aconteça. Outras que dão tudo para voltar à sua forma e conseguem fazê-lo. Outras, que nunca mais voltam a ter o corpo que tinham.

Façam o que vos apetecer, o que vos fizer sentir bem. Mas lembrem-se sempre, não depende só de vocês (mas podem dar uma valente ajuda).

Texto: Catarina Garcia no blogue A nossa, as dele e os dos outros

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