Educação

Conto infantil quer dar voz aos filhos de pais separados

Redação
publicado há 7 meses
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Nuno Vilaranda é autor do livro “Pai, vem me ver…”, publicado pela Chiado Editora em 2012, uma obra que se encontra a caminho da 4.ª Edição em Portugal e com uma edição especial publicada no Brasil.

O autor volta a escrever, desta vez na forma de um conto, e não esquecendo o fio condutor da sua vida: o voluntariado e a sua militância no que diz respeito aos direitos dos filhos e à parentalidade positiva, igualdade e à liberdade de afetos das crianças enquanto vogal da direção da Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos.

Foi no dia 15 de dezembro em Lisboa que o autor viu o seu conto ser publicado pela Chiado Books na I Coletânea de Contos de Natal “Natal em Palavras”.

De que fala este livro?

Natural de Chaves, mas a viver no Alentejo desde 1998, criou neste conto a personagem de uma criança, tentando dar voz a todos os filhos de pais separados e, alguns deles, infelizmente vítimas de um flagelo atual e que tem deixado milhares de crianças em sofrimento e vulneráveis perante a atrocidade das ações voluntárias e involuntárias por parte de alguns progenitores – pais e mães.

A Mariana, uma menina filha de pais separados e personagem principal no conto escreve uma carta ao Pai Natal que surpreende os leitores. Contrário ao que seria espectável, não vai pedir brinquedos. Ela apenas vai pedir amor e paz. Pede, sobretudo, para ser livre nos seus afetos e para que os seus pais se respeitem e sejam amigos.

A minha prenda de Natal

«A Mariana era uma menina de longos e belos cabelos dourados, os seus olhos o reflexo do azul do céu – linda, mas infeliz. Desde que os seus pais se separaram, nunca mais conseguiu sorrir. Sentia que tinha perdido a melhor prenda do Natal: a família. Ainda assim, não perdera a esperança. Apesar de menina, a Mariana já acreditava no amor e, como qualquer criança, sonhava. No decorrer dos últimos dias de aulas, antes do Natal, a professora pediu a todos os alunos que escrevessem uma carta ao Pai Natal. Na sala de aula, vislumbrando pela janela o manto de neve que cobria a sua pequena aldeia. Mariana, ganhando coragem, pegou no seu lápis, numa folha branca e começou a escrever.

‘Meu querido Pai Natal: escrevo-te na esperança que me consigas ajudar. Com tantos meninos a escreverem cartas, deves andar muito atarefado. Mas olha! Eu prometo que não vou pedir brinquedos. Só queria pedir-te amor, paz e amizade para os meus pais. Podes dar-lhes essa prenda? Para mim quero outra coisa. Desde o dia em que os meus pais se separaram, nunca mais voltei a tê-los juntos, em especial no Natal – infelizmente. Eles, agora, nem amigos são. Andam sempre a discutir, tristes e só falam em tribunal. Enfim, sou tratada como um ‘objeto’. Se puderes, oferece-me a oportunidade de poder ter os dois da mesma forma na minha vida. Só queria amar os dois, viver com ambos, nos meus dois palácios com muito amor e liberdade. Era só isso: queria poder ser livre nos meus afetos, sem que eles se zangassem ou precisassem do tribunal para decidir a minha vida. Por favor, Pai Natal… eu acredito em sonhos, acredito em ti e quero acreditar que tudo pode ser diferente, sem guerras. Só queria que estivessem juntos comigo no coração».

Desenho da autoria de Leonor Vilaranda (10 anos)
Trim! Trim! Prim!

«Tocou a campainha para o intervalo. Os amiguinhos apressaram-se a entregar as cartas à Professora, para que esta, as pudesse enviar para a Lapónia. A Mariana, ainda sentada na sua mesa, de rosto lavado em lágrimas, levantou-se e entregou também as suas palavras, a sua carta. Tinha esperança de receber as suas prendas de Natal. Ela, melhor que ninguém, sabia que o tempo não anda para trás e que o Natal de 2018 nunca mais voltaria.

O Pai Natal leu a carta da Mariana com um sorriso muito comovido e decidiu concretizar os seus pedidos. E, assim foi, na noite de Natal, enquanto sobrevoava a aldeia da Mariana no seu trenó o Pai Natal deixa as prendas à menina de olhos azuis na forma de um pozinho dourado que largou e caiu sobre ela e sobre os seus pais.

Os pozinhos começaram a fazer efeito e os pais da Mariana passaram a comunicar de forma saudável, nunca mais precisaram dos tribunais para decidirem a vida da filha. O sorriso de uma criança vencera e, Mariana passou a ser uma menina muito mais feliz.»

O autor partilha o conto da sua autoria, na esperança que os adultos possam fazer mudanças no que concerne às responsabilidades parentais, sempre em benefício do real superior interesse dos filhos, se possível, com acordo bilateral e longe dos tribunais, por forma a que estes possam beneficiar da companhia dos seus pais sempre com muito amor, paz e alegria.

 

Fotografia: Leonor Vilaranda (10 anos)

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