Saúde

Conheça a história de Dinis, o principezinho com nome de rei que precisa de ajuda

Redação
publicado há 2 meses
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Esta é a história do Dinis, que apesar de ainda ter uma vida muito curta já tem imenso para contar e que apesar de ser tão pequenino já é tão inspirador.

O Dinis tem HIE – encefalopatia hipoxico-isquemica, ou seja, lesões provocadas pela falta de oxigénio que sofreu aquando do nascimento.

O futuro é uma incógnita, sim, mas não tão grande como nos primeiros dias de vida deste menino, porque hoje sabe-se que o Dinis tem bastante potencial e capacidades para conseguir atingir as suas metas, embora para isso, este principezinho com nome de rei, precise de se esforçar muito, de coragem, esperança e determinação.

Precisa de terapias especializadas, que infelizmente, são muito caras e não existem como resposta pelo sistema público de saúde.
O Dinis é uma força da natureza, um exemplo de determinação e superação… uma inspiração para a vida.

Esta é a história de um menino que com trabalho, coragem e esperança, se fez principezinho e um dia será rei.

Carta que dá um aperto no coração

Dânia, a mãe deste pequenino, deu a conhecer a história ao site Birras em Direto e o site Crescer partilha a carta escrita por esta mamã lutadora.

Dinis, com a mãe e o pai
Dinis, com a mãe e o pai

 

«Hoje falo eu, a mãe

É curioso pensar que com quase três décadas de vida completas não sabemos quem somos.

Durante nove meses desejei o meu bebé, idealizei todo um mundo novo e perfeito que iríamos construir juntos: uma vida saudável com uma casa espaçosa e arejada, uma criança sociável, inteligente e divertida, obediente e muito bem educada, que soubesse tocar piano ou guitarra, que jogasse futebol e fosse o melhor marcador, que fosse às olimpíadas de matemática e tivesse o primeiro prémio, que fosse o escolhido para o papel principal no teatro da escola.

No início daquele dia, segunda-feira de madrugada, respirei fundo e pressenti que o meu filho ia nascer. Fui calmamente tomar um banho e arranjar o cabelo, até me maquilhei um pouco, queria estar linda para o conhecer. Seria o momento mais importante de sempre, iria dar à luz um bebé que iria mudar a minha vida, um bebé que lhe traria certamente um outro significado, uma outra razão.

Mas em poucas horas comecei a desconfiar, sem querer acreditar, que algo não estaria a correr bem. Afinal, a epidural não fazia efeito porque “o bebé está mal posicionado”, a dilatação teimava em não cumprir a regra geral, as dores eram imensas, a máquina disparava os sons de alarme e vinha a enfermeira a correr para me colocar a máscara de oxigénio… algo de errado se estava a passar, mas o quê? Os médicos pareciam não dar muita importância, pelo que provavelmente eram apenas e só os medos do subconsciente de uma mãe inexperiente…

“O bebé está mal posicionado, temos de fazer a rotação manual, saiam todos, por favor” e o meu coração dispara cada vez mais, suores frios, um medo que bloqueia qualquer pensamento. De repente sinto uma dor aguda, depois logo outra, uma dor entranhada no íntimo, um corte a sangue frio, uma pessoa em cima da minha barriga, os instrumentos para o puxar, e ele que não quer sair, alguém na sala a sentir-se mal, a desfalecer, a ser socorrida, mais uma tentativa de o puxar com os instrumentos e mais uma força e uma pressão tão grande e ele finalmente sai… com a cabecinha deformada, negro, sem batimento cardíaco, sem respiração, sem movimentos. Sem o choro romantizado pelos filmes que vemos durante toda a vida, esse choro que significa vida. E as dores viscerais, agudas e agonizantes que tomam conta de mim. Sem conseguir processar o que está a acontecer, sinto-me a perder os sentidos, tais são as dores que me consomem, dores físicas, dores emocionais. 18 pontos cozidos a sangue frio. E ouço o meu filho gemer. Consigo tê-lo no meu colo por alguns segundos e é levado de mim para a neonatologia.

Horas de silêncio, apesar da gritaria que se vive numa enfermaria com seis mães que deram à luz naqueles dias, seis bebés recém-nascidos a chorar dia e noite. Mas eu não ouvia nada, invadia-me o silêncio, o vazio, e, pela primeira vez em quase três décadas tive a perfeita noção do nada. Obrigava-me a não imaginar o pior, porque afinal, tínhamos tudo para dar certo, tudo para correr bem, a vida perfeita estava a chegar.

Mas na manhã seguinte não veio a perfeição, veio a notícia de que o Dinis tinha tido convulsões durante a noite, difíceis de controlar, e apesar dos exames estarem todos “aparentemente normais” ele iria ser transferido para os cuidados intensivos de Coimbra. A todo o custo arrastei-me até ao fundo daquele corredor, para que pudesse ver e beijar o meu filho, despedindo-me dele… Por umas horas? Ou por uma vida? Só lhe pude tocar com um dedo na sua mãozinha. Era o toque da despedida, para mim era um até já (como desejava um até já!) para ele, ainda hoje não sei explicar, pois parou de respirar outra vez. Mais um aparato, mais alarmes a soar! “Desculpe mãe, mas temos de o levar já! Ele fica bem entregue”.

Um coração de mãe não está preparado. Vê-lo partir no meio daquele aparato todo com tantos alarmes a tocar e tantas lágrimas a escorrer, foi duro demais.

Chovia torrencialmente e eu fiquei sozinha, deitada num quarto para onde me transferiram nessa manhã. O “Quarto-das-mães-que-perdem-os-filhos”.

Três dias depois estava já ao pé de ti, meu filho, e foi então que me disseram o pior que eu podia ouvir. Chorei convencida de que jamais iria ser feliz outra vez. Chorei, com a certeza de que tinha perdido o meu sorriso para sempre.

Foi aqui que eu comecei a ser o que sou. Encontrei-me em ti!

Nunca pensei ser mãe de uma criança especial. Foi moroso aceitar que esse era o papel que me estava destinado. E, embora eu tivesse esperança de pertencer a uma família de conto de fadas, onde todos respiram sozinhos, se alimentam bem, falam, riem e pulam, onde todas as etapas de desenvolvimento são facilmente atingidas, cedo percebi que não estava destinada a viver nesse mundo perfeito.

Durante muitos dias e muitas noites fui levada à exaustão por acreditar que estava nas minhas mãos o poder de te curar. Uma mãe em desespero, exausta, e em pós-parto, é capaz de ter os pensamentos mais incríveis que se possam imaginar.

Conduzi todos os dias com as lágrimas a escorrer pelo rosto. Não sabia o que seria de mim, o que seria da minha “antiga” vida, não só aquela a que eu estava acostumada, com todo o conforto e tranquilidade, mas também aquela que tinha sonhado para nós.

Foi muito duro, muito difícil conseguir alcançar este discernimento de que temos de largar a mão a certas comodidades em prol do bem maior: o nosso filho.

Quando finalmente percebi que eu posso ser a diferença na vida do meu filho, predispus-me a abdicar do que quer que fosse por ele – e que mãe não faria isso? Por ele, tudo!

Hoje, consigo definir-me como uma mãe que abraçou uma luta que talvez lhe estivesse destinada, que se predispôs a percorrer este caminho tão bonito mas tão cheio de desafios com coragem e com a perfeita consciência de que tudo fará pelo seu filho.

Honestamente, eu não fazia a mínima ideia do quão pouco eu sabia sobre a vida e sobre mim.. Provavelmente a vida trouxe-te até mim porque tu, sim, és maior do que os meus sonhos, és maior do que os meus desejos de vida perfeita.

Tu sim, és perfeito. E ainda tens muito para me ensinar e eu que tenho as mãos ainda tão cheias de coisas para ti, meu filho, meu amor maior!»

Toda a ajuda é bem-vinda

Com os problemas de Dinis, a mãe criou uma página de Facebook, que se chama Principezinho com nome de rei. Aqui, dá a conhecer o dia-a-dia do menino e prende os leitores com a força, não só do Dinis, mas da família.

«O nosso Principezinho começou com um mês a sorrir em resposta às carinhas e elogios que a mamã lhe fazia, ao mesmo tempo começou a fazer fisioterapia e aos quatro meses fazia terapia ocupacional. Aos oito meses começou a Psicomotricidade, e aos onze meses começou o CME (cuevas medek exercises). Aos catorze meses começou a terapia da fala. Alguns meses mais tarde fez acupuntura, neurofeedback, Quiropraxia e osteopatia. Com dois anos começou a fazer Padovan, fez reintegração auditiva Tomatis e experimentou ozonoterapia. Com três anos fez medicina hiperbarica e integração sensorial. Atualmente está a fazer o tratamento de reabilitação psicomotora do Therasuit, com sessões de snoezelen e faz método Doman. O nosso próximo desafio chegará já em Abril com um intensivo do método de reintegração auditiva Bérard (em Espanha). Por mais estatísticas que nos dêem, por mais sentenças que nos façam, jamais iremos desistir, jamais nos resignaremos aos números. Porque nós aqui, deste lado, vivemos de esperança. E desistir nunca será uma opção», escreveu Dânia num dos posts.

Desistir não será opção, mas para sustentar todos os medicamentos e todas as terapias a que tem de ser sujeito, esta família precisa de apoio. E o apoio financeiro é fundamental.

Por isso mesmo, há um IBAN disponível, para todos aqueles que possam ajudar (pode ver na imagem em baixo). «Se uma palavra pode mudar tudo, imagina uma atitude». Esta é a frase que serve de mote para ajudar este pequeno principezinho.

Por isso, vamos todos ajudar o Dinis.

 

Siga as páginas de Facebook e de Instagram do principezinho.

 

Agradecimento: Site Birras em Direto

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