Família

Como a violência doméstica afeta as crianças e as deixa agressivas e inseguras

Filipa Rosa
publicado há 1 ano
0
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedIn

A violência doméstica é um dos principais motivos que levam à intervenção das CPCJ (Comissões de Proteção de Crianças e Jovens). O site Crescer falou com a psicóloga Joana Monteiro para perceber como a situação afeta o desenvolvimento dos mais novos.

Na CPCJ, onde a psicóloga Joana Monteiro trabalha, a violência doméstica é a situação mais sinalizada e que mais leva à sua intervenção. «São situações limite e que têm efeitos drásticos no desenvolvimento das crianças. As pessoas têm a ideia que a criança pode não se ter apercebido, pode não ter ouvido ou sentido ou até que, como é bebé, não “percebe nada”, mas, o que nós sabemos sobre o desenvolvimento infantil diz o contrário», começa por explicar. «Em primeiro lugar as crianças absorvem principalmente a experiência emocional, isto é, a tensão, o medo, a agressividade – o que está implícito nas palavras. Vejamos o nosso exemplo como adultos: sentimos se um ambiente entre colegas ou amigos está tenso, sentimo-nos desconfortáveis (ou até temos medo) se alguém tem uma atitude agressiva para com outra pessoa. E isto são situações simples.»

Quando a criança se vê envolvida num caso de violência doméstica, seja em casa, seja já depois da separação, nas entregas ao pai e à mãe, as consequências são graves, segundo a psicóloga de crianças, adolescentes e adultos. «Os pais devem ser os pilares da criança, com quem deve estabelecer relações de segurança, de amor, de confiança. É fundamental que se sinta amada, segura e que sinta que possa confiar nos seus pais e que estes a protegem. A relação que estes têm será também exemplo, modelo para elas. Sabemos o que é amor porque fomos amados, porque vimos e sentimos esse amor. Já se sabe que a criança aprende mais com os exemplos que damos, com o que a fazemos sentir, do que com o que dizemos», refere Joana Monteiro.

Sem os pais se aperceberem, a criança pode sentir-se culpada por tudo o que está a acontecer na sua família. «A violência doméstica põe em causa tudo isto e faz com que a criança lide com sentimentos e emoções dolorosas para as quais não tem maturidade e não devia lidar. As consequências são vastas, mas é comum que a criança se sinta responsável: “Sou eu que me porto mal”, “Fui mau e por isso o pai e a mãe chatearam-se” ou “Posso tentar portar-me melhor para ver se eles se dão melhor”. Podem sentir que têm de proteger a mãe ou o pai», explica.

O risco da criança se tornar agressora

Poderá a violência doméstica influenciar o desenvolvimento da criança e esta tornar-se também uma agressora? «Não podemos dizer que a criança vai obrigatoriamente tornar-se agressora, mas podemos dizer que isto afeta a sua relação com os outros e consigo própria. Pois na violência doméstica deixam de ter o lugar de crianças e passam a ter preocupações ou a ter de lidar com emoções que não deviam e fica, muitas vezes, uma infância em ruínas», esclarece Joana Monteiro.

«Os contextos de violência doméstica trazem dor, instabilidade, conflito e um sentimento de insegurança, de revolta, de sofrimento que a criança não sabe muitas vezes dizer. Pode assim mostrar esse sofrimento de diferentes formas e isso depende da sua personalidade e do seu contexto: pode ser mais agressiva ou insegura, ansiosa, ou ter problemas de aprendizagem ou de comportamento. A forma como vai manifestar isso depende de muitos fatores, mas uma coisa é certa, o que devia ser modelo de relacionamento, o que devia ser um pilar na vida da criança, não o está a ser», refere ainda.

Quando à necessidade de recorrer a um psicólogo… «Nem sempre é preciso pedir ajuda a um profissional, mas é fundamental entender de que forma isto afeta a criança e a importância de a protegermos destas situações», conclui a psicóloga.

Informações úteis:

Joana Monteiro, Psicóloga e Psicoterapeuta de crianças, adolescentes e adultos

  • Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos
  • Membro associado e Psicoterapeuta credenciado da Associação de Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica
  • Mestre em Psicologia Clínica

Consultório na Avenida de Roma n.º 86, R/C Esquerdo, Lisboa

Contacto: 968185061

Site: https://psicologialisboa.weebly.com/

Siga a Crescer no Instagram

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Artigos relacionados

Últimas

Top
Botão calendário

Agenda

Consultar agenda