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Casados à Primeira Vista: Programa da SIC pode provocar confusão na cabeça dos filhos dos concorrentes

Filipa Rosa
publicado há 4 semanas
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Foi este domingo, dia 13, que estreou a segunda temporada de Casados à Primeira Vista, um programa emitido na SIC que promete arranjar o par perfeito para os candidatos. Homens e mulheres são colocados lado a lado no altar sem nunca antes terem visto o futuro marido ou mulher.

Duas das noivas, Ana Raquel e Liliana, têm filhos de relacionamentos falhados. A dificuldade em reencontrar o amor levou-as a concorrer ao programa de sucesso de audiências.

Mas como terão preparado os filhos para esta nova aventura da mãe? O site Crescer quis saber a opinião da psicóloga Teresa Paula Marques, que ficou conhecida na SIC com o programa Supernanny.

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«Eu entendo que as pessoas não queiram estar sós e procurem uma companhia. Mas, realmente, este tipo de situações tem de ser gerido de uma maneira muito sensível», começa por dizer-nos.

Para a psicóloga clínica, a família, para além da mãe, tem a obrigação de conversar com as crianças e explicar-lhes a situação da melhor forma. «Os familiares que estiverem a cuidar das crianças durante todo o período de gravações devem falar sobre isso», afirma Teresa, considerando «muito positivo» o programa ser emitido algum tempo depois de ser gravado. «Desta forma, há a possibilidade de preparar as crianças com tempo sem o mediatismo todo da estreia.»

Depois da preparação das crianças, é fundamental acompanhá-las durante a emissão do programa. «Não é um processo fácil… ver a mãe na televisão a casar com um desconhecido cria alguma confusão…», diz. «Tudo depende se andam ou não na escola. As crianças mais velhas, que já sabem ler, vão autonomamente à Internet… E pior que casar com um desconhecido é o discurso de ódio que se gera, muitas vezes, nas redes sociais. O maior problema ainda será esse…»

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Para Teresa Paula Marques, todos têm direito a reencontrar o amor. No entanto, quando há filhos, há que ter cautela na participação destes programas. «É muito diferente em termos de liberdade, digamos, pessoal, a pessoa ter ou não ter filhos. Quando a pessoa não tem filhos está por sua conta e terá a liberdade para fazer o que quiser. Tendo filhos já tem uma responsabilidade bastante diferente, porque tem a responsabilidade perante os filhos também do modelo de comportamento que lhes está a dar, o modelo de relação, e, para além disso, de saber com quem é que depois vão partilhar a vida, no caso de continuarem com o casamento», explica a especialista sobre estes casos «muito particulares» que acontecem no programa de televisão.

E se o casamento resultar?

A psicóloga tentou analisar o panorama geral de um casal que case no programa e decida continuar com a relação, após o período experimental. «Depois do programa, quando os casais passam para a vida real, claro que não é uma situação ideal para as crianças, obviamente que não.»

Uma das grandes dúvidas das pessoas que procuram Teresa Paula Marques, estando já separadas e com novos relacionamentos, é: qual a melhor altura para apresentar o novo parceiro aos filhos? «O mais adequado é introduzir com calma a pessoa na vida dos mais novos. E tem de haver já estrutura emocional na relação, há que haver estabilidade, se não torna-se num vaivém de namorados, demonstrando às crianças que as pessoas são descartáveis. Podem inclusivamente deixar de criar ligação afetiva com eles.»

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Psicóloga critica decisão de concorrente

Durante os primeiros episódios do programa, a noiva Liliana desabafou sobre o facto de não ter contado aos seus dois filhos que iria casar e que por esse motivo eles não estariam presentes. «É uma opção. Foi uma decisão que eu tomei, porque se eles estivessem aqui comigo, fisicamente, era tudo muito diferente. A emoção é outra e tudo era vivido com outra intensidade», referiu a concorrente, revelando que prefere conversar com os filhos na presença do noivo, Pedro. «Não estando, optei por deixar essa explicação para ser eu e o meu marido… nós dois juntos a termos esta conversa em família.»

Para Teresa Paula Marques, esta não é a melhor decisão que a concorrente deve tomar. «Não é adequado, porque o marido é um desconhecido. Deve haver uma conversa entre a mãe e os filhos, porque têm um forte laço afetivo entre eles. Não deve estar presente um desconhecido. Não acho mesmo adequado. É um momento íntimo entre a mãe e os filhos que deve ser preservado. Imaginemos que eles reagem de forma menos simpática… as crianças dizem tudo e depois surge ali um desconforto entre eles, que já é um mau começo.»

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